150 edições, uma reflexão

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Edição 150 da Revista Food Service

A Food Service News procurou nomes de destaque do segmento para saber: afinal, qual produto fará a diferença nos próximos 150 meses?

Qual produto fará a diferença no mercado nos próximos 150 meses? Por qual motivo? Por que ele é tão importante?”
Essas foram as perguntas feitas pela Food Service News para uma série de profissionais atuantes no mercado de alimentação.
Comemorando 150 edições neste mês, nossa publicação olha para o futuro e mira as inovações e tendências que surgirão.
Grandes nomes da área puderam refletir conosco acerca do que o segmento pode esperar dos próximos meses, mas, mais do que isso, sobre como as empresas devem se preparar para continuarem competitivas e lucrativas.
O resultado você poderá ler agora. Convidamos você a pensar conosco o futuro do setor alimentício brasileiro e mundial, bem como de toda a cadeia que o envolve. Boa leitura!

João Baptista, Coordenador da Comissão de Food Service da Associação Brasileira de Franchising

Eu não destacaria um produto apenas, mas, sim, os alimentos mais naturais e/ou menos industrializados.
Creio que a demanda dessa categoria tende a crescer nos próximos meses impulsionada por um consumidor mais consciente, uma intensa concorrência no mercado e a necessidade de promover um maior bem-estar físico e até emocional da população.
Além disso, dada as características de nosso país e de nossa culinária tradicional, temos as condições necessárias de elevar rapidamente essa produção, com condições competitivas e com variedade de produtos – algo também bastante necessário para atingir uma faixa maior da população.

Daniel Silva, Coordenador do Comitê de Food Service da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos

Considerando o horizonte de 150 meses, os produtos que podem fazer a diferença no mercado de food service são aqueles que estarão conectados às preferências do consumidor.
Dentro das tendências desse segmento, as que mais se destacam são conveniência, praticidade e saudabilidade.
Em saudabilidade, não existe uma única tendência definida. Todos os produtos que tenham atributos relacionados à nutrição, bem-estar e qualidade de vida constituem esse universo.
Os produtos que consigam entregar um balanceamento de atributos como saudabilidade, sabor, conveniência e sustentabilidade são aqueles com maior probabilidade de ter sucesso no futuro.
Nesse contexto, o ponto mais relevante no desenvolvimento de novos produtos é considerar o perfil de consumo e estilo de vida dos consumidores, sempre investindo em inovação e tecnologia, para trazer novas opções que atendam as demandas emergentes dos consumidores.

Cláudio Zanão, Presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados

Analisando o setor em que atuamos, produtos com grãos integrais, com baixo teor de sódio, sem adição de açúcares, sem lactose, por exemplo, são opções que ajudam as pessoas a colocarem em prática hábitos de vida mais saudáveis e estão se tornando tendências de consumo.
Além disso, a preocupação com a sustentabilidade também vem norteando a tomada de decisão no momento de compra. A indústria já está engajada com a causa reformulando embalagens e ingredientes, atualizando modelos de negócios e integrando a sustentabilidade nos pontos de contato com consumidores.

Percival Maricato, Presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel São Paulo)

Resposta complicada: qual produto? Alimento? Bebida? Serviço? Tendência no setor? Aplicativo?
Acho, de qualquer forma, inviável saber em meio a mudanças tão rápidas qual seria. O delivery será relevante para uns cinco anos. Depois, sabe-se lá se o cliente não poderá reproduzir o prato do restaurante na residência, por alguma tecnologia.

 

 

 

Chiara Tengan, Gerente de marketing da Ajinomoto® Food Service

A Ajinomoto acredita que o ambiente estará cada vez mais dinâmico, porém existem algumas questões críticas que perdurarão ainda por décadas. Uma delas é que a disponibilidade de recursos que conhecemos hoje estará cada vez menor, e todos os produtos que promoverem soluções para essa escassez serão muito bem-vindos.
Adicionalmente, para o food service e sua natureza de operação em larga escala, a preocupação com a redução do desperdício é algo que há tempo está em pauta. A Ajinomoto mantém uma área de inovação multidisciplinar onde engenheiros de alimentos, nutricionistas, chefs de cozinha e profissionais de marketing atuam em conjunto no desenvolvimento de lançamentos que promovam o aproveitamento integral dos ingredientes utilizados pelos estabelecimentos comerciais.
Para um futuro próximo, a Ajinomoto através de suas tecnologias, combaterá a crise de alimentos fornecendo produtos processados com a garantia de ser nutricionalmente equilibrados e saborosos.
Outra questão importante é a ascensão das manifestações alérgicas alimentares na população e como a indústria vem se adaptando para oferecer produtos que contenham ingredientes alternativos e não alergênicos sem abrir mão do sabor.
Descobrir novas propriedades nutritivas e funcionais de ingredientes já conhecidos será um diferencial. E em vista disso, a Ajinomoto já estuda alternativas que atenderão esta demanda com saudabilidade e o prazer de comer bem.

Chef Luiz Farias, da Academia Bunge

Acredito que, para o segmento de panificação, massa madre será um produto de grande destaque. Ela já vem revolucionando o mercado no mundo inteiro, trazendo qualidade superior para os pães.
Quando falamos de massa madre, temos só benefícios. Melhora de shelf life, durabilidade, mais sabor, textura e crocância incomparáveis.
No Brasil, nosso consumo de pão ainda é relativamente baixo se compararmos com outros países, como França e Alemanha. Porém, a massa madre, aliada aos avanços da tecnologia e equipamentos disponíveis, representa um importante passo para cada vez mais aumentarmos a oferta e a qualidade dos pães nacionais.

André Gasparini – Diretor Comercial da Agropalma

Atendendo especialmente a uma demanda do segmento de food service por um óleo com consistência líquida, desenvolvemos o Doratta Mix. Com ele, conseguimos unir a oleína de palma, que é o produto mais utilizado no mundo pelas indústrias de fritura, devido aos ótimos resultados em relação à estabilidade e neutralidade, com outro muito conhecido no food service nacional, que é o óleo de algodão.
O resultado é um produto de excelente desempenho, com a rentabilidade e estabilidade da oleína de palma, comprovada pela indústria de fritura ao redor do mundo, unida à característica líquida do óleo de algodão.

Liliana Couto, Gerente de Marketing da Alibra

O produto alimentício que fará a diferença nos próximos 150 meses será aquele que atender as expectativas do nicho específico a que ele foi destinado nos quesitos de indulgência, conveniência e saudabilidade, mas que, acima de tudo, respeite toda a cadeia que, diretamente ou indiretamente, envolveu sua concepção.
Ou seja, esse produto será ambientalmente amigável, sustentável, ético e transparente com toda a sociedade, seja ele local ou globalizado.

 

Cassiano Facchinetti, Diretor Geral da Koelnmesse Brasil, organizadora da Anufood Brazil

Saudabilidade, sustentabilidade e a busca por novas experiências são os fatores que vão guiar o desenvolvimento de novos produtos do setor de alimentos e bebidas.
Atualmente, o Brasil é o quarto colocado em consumo de alimentos saudáveis no ranking global e movimenta US$ 35 bilhões por ano. Está claro que o consumidor está cada vez mais exigente, priorizando o consumo de alimentos saudáveis.
Essa preocupação com sustentabilidade e transparência faz com que as indústrias também adotem uma postura mais sustentável no processo de produção, embalagem e logística.
O veganismo é a tendência atual. Pratos com ingredientes naturais e substitutos de carne já aparecem como destaques nos cardápios dos restaurantes. Esses pontos de vendas perceberam a mudança de consumo e estão se adaptando.
Até mesmo os supermercados estão dedicando espaços específicos para a exposição de alimentos saudáveis, o que mostra o grande potencial de aumento de vendas desses produtos.
Além disso, outra tendência que deve continuar é a procura por produtos premium, que permitem que o consumidor expresse sua individualidade, vivenciando experiências diferenciadas.
Cada vez mais conectados e globalizados, os consumidores buscam novas sensações e sabores inusitados. O alimento hoje não é somente algo para “matar a fome ou a sede”, é algo que vai muito além e, diante disso, o food service viu-se obrigado a também evoluir.
Prova disso é que podemos facilmente encontrar produtos como carnes angus, blends diferenciados de café e produtos orgânicos nas prateleiras brasileiras de quase todos os supermercados.
Todas essas tendências de consumo estão em constante evolução e é por isso que, por meio de nossos eventos, como a ANUFOOD Brazil, buscamos entender o que é realmente uma demanda consolidada por parte do consumidor brasileiro, para que tanto o campo como a indústria de alimentos possam focar suas produções e, assim, ter no Brasil uma estratégia de produção articulada com a demanda.

Jean Louis Gallego, Diretor Comercial da Aryzta

Pensando um pouco nos próximos 150 meses, devemos continuar a forte aceleração da digitalização: de nossos negócios, de nossas vidas, de nosso dia a dia.
Hoje vemos o crescimento do co-branding, do co-manufacturing, da utilização da plataforma existente, buscando cada vez mais o crescimento exponencial.
Já foi o tempo que esperávamos o consumidor vir até o nosso negócio. Agora, inúmeros meios eletrônicos promovem a aceleração do delivery, que traz consequentemente o surgimento das cloud kitchens, dark kitchens, da mão de obra e locais produtivos compartilhados.
Contextualizado nosso momento atual, vale uma máxima que sempre uso: “Eu sempre falo que tecnologia, o dinheiro sempre pode comprar, mas pessoas nós temos que formar” e em um momento com forte queda da taxa de juros, dinheiro para bons investimentos sempre estarão disponíveis.
De meu ponto de vista, o produto mais importante para os próximos 150 meses serão as pessoas, pois o que irá diferenciar um produto de outro será o que vem com ele, “is all about CEX (customer experience)”, a experiência do consumidor é que ditará o sucesso de um produto e de um negócio no longo prazo.
Entretanto, como o nosso tema para esta matéria é produto, tudo isso virá, em minha opinião, junto com tendências que irão se perenizar, como clean label (alimentos sem nenhum tipo de aditivação), orgânicos, funcionais, alimentação cosmética, embalagens cada vez mais convenientes, que facilitarão o grab and go, finger foods, monoporção, o artesanal, o congelado, entre outros tantos produtos que irão navegar em um novo universo, em um novo oceano azul, com a Geração Z (1999-2019) ditando o ritmo do mercado.

Antonio Detsi, Diretor Geral do Bob’s

Não diria que é um produto específico, mas, sim, uma elaboração da experiência de compra e uma regionalização do cardápio. O Brasil é enorme, cada região tem a sua particularidade e temos como trabalhar esses diferenciais oferecendo produtos sazonais para diferentes locais. Por exemplo, um específico para o verão do Rio de Janeiro, outro para o inverno da Serra Gaúcha e um terceiro para celebrar as festas juninas no Nordeste, para citar algumas oportunidades.
Na questão da experiência de compra, já temos um grande diferencial que é o programa de relacionamento Bob’s Fã, que conta com quase 7 milhões de usuários e no qual eles podem ter acesso a ofertas exclusivas através de cupons de desconto.
São clientes frequentes, que se relacionam com a marca de modo diferenciado e contribuem para o crescimento da rede com sugestões e avaliação de restaurantes e produtos.
Também já utilizamos, desde 2014, o autoatendimento. Fomos inovadores em implementar o uso desses terminais no food service brasileiro. O modelo, criado e desenvolvido pelo Bob’s, foi o primeiro equipamento no setor de alimentação rápida a permitir a personalização dos pedidos e ingredientes. Todas as nossas novas lojas trazem um pacote tecnológico que automatiza processos, simplifica pedidos e permite a produção imediata, ágil e personalizada.
Acredito que a tecnologia irá contribuir ainda mais com essa experiência. Seja através de reconhecimento facial no autoatendimento ou o uso de QRCodes, por exemplo, ajudando a aumentar a velocidade de compra do consumidor com base em suas experiências passadas na rede.
O cliente busca cada vez mais conveniência, agilidade e personalização no momento da compra, e o Bob’s entrega essas três vantagens para ele.

Fernanda Credidio, Gerente Executiva de Marketing da categoria In Natura da BRF

Uma das apostas da BRF para os próximos anos é a carne suína. Vários fatores contribuem para esse aumento do consumo dessa proteína no Brasil, um deles é o fato de ser uma carne saborosa, versátil, funcional e saudável, sendo uma ótima opção para receitas. Outro fator é o preço mais competitivo que a carne bovina.
Por isso, a BRF tem investido no desenvolvimento de novos produtos dentro dessa categoria, com maior valor agregado, tais como cortes assa fácil e fatiados suínos Sadia.
Vale destacar que o food service é um dos canais em que o consumidor tem maior experiência com o produto, ao saborear pratos com a qualidade dos produtos que leva para casa, sendo essas características da marca Sadia e que a tornam reconhecida e preferida pelo público. Já a Perdigão, que aposta no prazer de comer junto, tem cortes suínos temperados, saborosos e práticos para variar o cardápio do churrasco, ocasião considerada sinônimo de confraternização.

Uilson Chacon Campana, Gerente Nacional de Vendas Caminhões – CAOA

Acredito que os produtos saudáveis estão em destaque no momento e são eles que vão fazer a diferença no mercado de food service no futuro. Isso é o reflexo de uma sociedade que está buscando uma qualidade de vida melhor e envelhecer com saúde, sendo assim, a prioridade na hora de se alimentar é outra, e a demanda por esses alimentos só tende a aumentar.
Mas é importante lembrar que para afirmar que um produto é saudável, temos que analisar toda sua cadeia produtiva e essa expectativa envolve diretamente o seu transporte. Um exemplo disso é a proibição de veículos comerciais grandes em áreas centrais das grandes metrópoles. O Hyundai HR se destaca nesse segmento por ter acesso ilimitado e isso se deve ao fato de ele não gerar grandes congestionamentos devido à fácil manobrabilidade e por ter um consumo consideravelmente inferior comparado aos grandes veículos.

Carolina Oda, consultora especializada em bebidas e embaixadora do BCB São Paulo 2020

150 meses é bastante tempo, mas acredito que os não alcoólicos ou de baixo teor alcoólico, sejam eles fermentados ou destilados. As novas gerações têm outra relação com o álcool, devem beber menos, e já tem países onde 30% da população adulta não consome álcool. O caminho deve ser os do sem álcool, mas não sem gosto e nem sem graça.

 

 

 

Hélcio Oliveira, Diretor Presidente da Copra Alimentos

Nesse mercado vegano, apostamos que a categoria de leites vegetais à base de coco irá crescer, pois devido a certas alergias causadas por alimentos, os consumidores vêm buscando alimentos isentos de alergênicos.
Consumidores estão em busca de alimentos com ingredientes naturais e preservação do meio ambiente na preocupação do bem-estar de animais. Mercado em franco crescimento, cultura de soja em queda.

 

 

Clélia Iwaki, Diretora da Fispal Food Service

Como já vem acontecendo há alguns anos, a mudança de comportamento do consumidor impacta e continuará impactando todos os setores econômicos.
No setor de alimentação, uma tendência que vejo como contínua é a entrada cada vez mais acirrada dos produtos “plant based”, que entendo ser uma tendência de longo prazo, uma vez que não se relaciona apenas ao ato da alimentação e à preocupação com a saudabilidade, mas também de posicionamento do indivíduo com relação ao seu compromisso com a sustentabilidade.

 

Oscar Patiño, Vice-presidente da região da América do Sul na GL Foods

Acreditamos que, globalmente, um número crescente de consumidores, principalmente preocupados com o impacto ambiental gerado pela produção de proteínas animais, substituirá parcial ou totalmente seu consumo em suas dietas regulares.
O surgimento e o crescimento acelerado de empresas como Beyond Meat, Impossible Foods e outras que lançaram produtos de sucesso voltados para esse segmento crescente de clientes em potencial representam, sem dúvida, um dos maiores desafios para empresas de alimentos como a GL Foods, que forneceu recursos técnicos de pesquisa e marketing para apoiar nossos clientes no desenvolvimento de produtos com rótulo limpo e, mais importante, com textura e sabor quase idênticos aos produzidos com proteínas de origem animal.

Tatiana Menezes, Sócia da Insight Feiras & Negócios, realizadora da HFN – Hotel & Food Nordeste

Acreditamos sempre na valorização dos produtos regionais, típicos da nossa terra, produzidos localmente, fortalecendo conceitos como a produção artesanal, o empreendedorismo, o cultivo natural, a cozinha afetiva, que resgata o nosso passado e enriquece o nosso presente.
Ao mesmo tempo, reconhecemos a importância do uso da tecnologia como elemento propulsor do mercado, seja na produção, seja na distribuição ou atendimento ao cliente. Tudo isso somado à expertise da mão de obra local qualificada faz a grande diferença em um mercado cada vez mais competitivo.

 

Pedro Tatoni, Gerente de Marketing da Kerry

Em termos de inovação, o grande movimento gira ao redor do tema de produtos Clean Label (Rótulo Limpo), seja via diminuição de lista de ingredientes ou com retirada completa de outros, o foco é compor o produto com ingredientes que sejam reconhecidos pelo consumidor e de origem natural.
Se hoje esses produtos são o foco de uma parte do mercado, em 150 meses a fatia deverá ser muito maior, principalmente no food service. O tema é importante, pois envolve toda a cadeia de fornecimento – do processador ao consumidor.
Além disso, os consumidores estão cada vez mais exigentes com os produtos que compram e ingerem. A evolução tecnológica, como a aplicação de blockchain para alimentos, permite a transparência de toda a cadeia produtiva, gerando produtos com rastreabilidade e garantia de origem.
O consumidor saberá como os produtos chegaram até o prato ou a prateleira e deverá ter ainda menos tolerância com ingredientes não aceitáveis (clean).

Rodrigo Andrade Oliveira, Diretor do Segmento de Food Service da Linx

A nossa principal aposta para os próximos meses é o aumento do número de pagamentos feitos via QR Code. Essa é uma solução inovadora, que facilita o dia a dia do varejista e também do cliente final.
Para apoiar esse crescimento, em maio deste ano, lançamos o QR Linx, um hub de wallets que permite ao varejista centralizar diferentes plataformas de meios de pagamento em uma única ferramenta, sem precisar ter em seu estabelecimento, um QR Code para cada parceiro de pagamento.
Com essa inovação, o varejista pode receber seus vencimentos no ato da venda, diferentemente das transações realizadas por cartão de débito, que demoram até dois dias para cair na conta dos estabelecimentos.
Dessa forma, os benefícios não se restringem ao dia a dia do varejista. O pagamento via QR Code também proporciona menor fricção para o consumidor, já que permite que transações financeiras sejam completadas em segundos.

Lucas Vicentini, Publicitário e Designer

Essa de fato é uma pergunta complexa, e a verdade é que não há uma resposta exata, mas podemos, sim, fazer suposições e “apostas” de acordo com os avanços tecnológicos, necessidades geradas nos usuários e serviços.
Para entendermos um pouco sobre o que está acontecendo no mercado, precisamos seguir a linha de raciocínio das empresas que estão obtendo destaque e atraindo a atenção do mundo. Mudanças nos tipos de serviços e o que elas têm oferecido resultam na “Redefinição de Estoque”.
Podemos citar o Spotify, a empresa que mais vende músicas nos dias atuais nunca vendeu sequer um CD ou produto físico; ou a Uber, a empresa que mais vendeu “serviços de táxi” nunca teve um carro; ou a sensação do momento Airbnb, a empresa que mais tem alugado casas na história e nunca teve uma propriedade própria.
A minha aposta está em produtos do cotidiano com acesso à internet, tecnologia hoje chamada de Internet of Things (Internet das Coisas), são produtos (eletrodomésticos, celulares, gadgets…) capazes de se conectarem entre si via wifi/bluetooth.
Com o objetivo de facilitar a vida das pessoas e unir o mundo físico com o digital, novos serviços surgirão e altos investimentos serão aplicados nesse mercado.
Um bom exemplo são os smartwatches, a fusão de um acessório clássico do dia a dia com a mais atual tecnologia, permitindo a comunicação, conexão e interação com o seu smartphone. Um objeto capaz de analisar e estimular o usuário a praticar esportes, cuidando de sua saúde (o mundo caminha para o sedentarismo) através de monitoramentos cardíacos e contagem de passos, gerando dados para uma melhor performance através desses recursos, atender ligações e aprender sobre a rotina da pessoa, além de exercer, claro, a função clássica de um relógio.

Victoria Gabrielli, Diretora de Marketing da McCain Brasil

A McCain fez o lançamento neste ano da SureCrisp, a primeira batata frita pensada para o delivery. O grande diferencial desse produto é que ele mantém a crocância por mais tempo, chegando ainda crocante na casa do consumidor, o que costumava ser a principal reclamação em relação à batata para entrega.
Muitos consumidores deixam de pedir batata frita no delivery porque acham que vai chegar murcha, o que faz com que os restaurantes deixem de vender um dos itens mais rentáveis do cardápio. Ainda estamos desenvolvendo o mercado de batata frita no delivery no Brasil e esse é um projeto que vai mudar a forma como os consumidores e os restaurantes enxergam esse produto.

Gérman Carvallo, Diretor de Nestlé Professional Brasil

Os produtos feitos à base de plantas terão um papel muito importante na dieta das pessoas, dentro e fora de casa, principalmente devido à clara tendência de substituição de proteína de origem animal por vegetal e pela maior conscientização dos consumidores sobre o impacto no meio ambiente.
É importante que os fabricantes e operadores do mercado de OOH acelerem seus processos de inovação para atender à demanda dos consumidores.

 

Geraldo Magela Filho, Diretor de Gente e Qualidade da Ourolac

Não acredito que tenha um produto específico que fará sozinho a diferença no mercado. Vejo mais um movimento dos consumidores para dois tipos de produtos: aqueles com maior apelo à saudabilidade, com diminuição de açúcar e maior teor de proteína, e ao mesmo tempo vejo uma demanda para os produtos focados 100% no sabor, em que os consumidores não olham calorias e, sim, prazer.
Claro que o mercado de produtos saudáveis vem evoluindo muito e hoje já conseguimos encontrar produtos mais clean, tão saborosos quanto os produtos tradicionais, porém o preço ainda é uma barreira que deverá mudar com a entrada de mais players focados nesses produtos.

Milton Machado, diretor da Prática

No tocante aos equipamentos e máquinas, que são um dos elos da longa corrente da cadeia do food service, podemos citar algumas tendências e evoluções que influenciarão o futuro.
A princípio, a tecnologia embarcada nos equipamentos será uma obrigatoriedade do ponto de vista da integração entre máquinas, operadores e serviços. Atualmente, alguns equipamentos já possuem essa conectividade, permitindo acessos remotos em diferentes plataformas, além da coleta de dados disponibilizados na nuvem e todas as demais possibilidades do IOT.
Entretanto, o maior desafio será transformar esses dados em informações inteligentes para tomadas de decisão e com apoio de IA, integradas ao sistema de ERP e caixa dos clientes. Portanto, a gestão de dados e as análises de performance e resultados serão coletadas dos equipamentos e através de aplicativos direcionarão aos gestores informações relacionadas a custos operacionais, manutenção, carga e descarga dos alimentos, plano de produção e performance.
Outro ponto importante serão os equipamentos compactos, com o menor foot print possível em função da capacidade de produção.
Vale ressaltar que a eficiência energética será um fator determinante para um equipamento ter sucesso ou não, assim como a possibilidade de utilização de tecnologias do tipo ventless.
Dentro dessa linha, a cadeia do frio será um fator importante, sendo que os pontos de venda serão pensados para finalizar os alimentos e não prepará-los. Por isso, as indústrias de alimentos congelados e resfriados ganharão cada vez mais espaço.
Quanto ao equipamento que fará a diferença, poderemos apostar na linha de speed ovens, que agregam a tecnologia de ar quente à altíssima velocidade mais micro-ondas, além obviamente de ultracongeladores e fornos combinados inteligentes/compactos para a preparação dos alimentos.

Claudio Pastor, diretor geral da Rational

Depende do setor. Se falarmos sobre refeições coletivas, sem dúvida alguma nossa VarioCookingCenter®. Se for para o segmento de retail, equipamentos que agreguem eficiência produtiva, facilidade operacional e flexibilidade, como o nosso SelfCookingCenter® XS.
No caso do VarioCookingCenter®, pela singularidade de sua tecnologia, pela eficiência que possui (chega a ser até 5 vezes mais rápido nos processos de cocção, se comparado com equipamentos tradicionais, consumindo 60% menos energia) e pela sua facilidade operacional.
No caso do SelfCookingCenter® XS, ele cumpre com as necessidades do segmento de retail quando falamos de eficiência produtiva (ele é até 30% mais rápido que um forno combinado), extremamente fácil de usar (possui painel customizável e com fotos) e pode cozinhar ou finalizar até seis produtos diferentes ao mesmo tempo.
Esses produtos são importantes porque conseguem alinhamento entre as necessidades operacionais de diversos setores do food service e sustentabilidade. A presença da RATIONAL no Brasil há mais de 20 anos garante suporte ao mercado para que esses importantes benefícios sejam entregues em sua totalidade.

Flavio Antonio Leme de Oliveira, Diretor da BU Professional

Seguindo a tendência mundial que orienta a sociedade a refletir sobre a responsabilidade individual em termos sustentáveis, apostamos que nos próximos 150 meses os produtos desenvolvidos e confeccionados a partir de matérias-primas recuperadas do descarte pós-consumo serão o grande diferencial.
No segmento de higiene e limpeza, em que a produção de papéis Tissue está inserida, sustentabilidade é um termo que a cada dia mais está em pauta dentro das discussões em desenvolvimento de produtos.
Nosso segmento utiliza em sua produção primária recursos naturais de suma importância para a saúde ambiental: a celulose (matéria-prima obtida diretamente do corte de madeira) e água. Seguimos todas as exigências ambientais à risca: compramos a celulose de fornecedores certificados no manejo sustentável de áreas de reflorestamento, assim como temos uma estação de tratamento d’água que garante a devolução da água aos rios ainda mais limpa do que foi retirada.
E, apesar de todo o cuidado que temos com o nosso ambiente, sabemos que ainda é possível buscar mais. Dessa maneira, repensamos nossos processos diariamente, tendo em vista a evolução da tecnologia com a finalidade de otimizar o cuidado com o meio ambiente.
Sendo assim, para que no futuro papéis como guardanapos, toalhas, higiênicos etc., tenham um diferencial, precisarão ser produzidas matérias-primas de alta qualidade extraídas de materiais recuperadas no pós-consumo.
Segundo matéria publicada pelo site Agência Brasil em 05/03/2019, a WWF classificou o Brasil em 4º lugar no ranking dos países de maior produção de lixo no mundo, com 11.355.220 toneladas, tendo 1,28% desse número reciclado.
Repensar a nossa responsabilidade com a sustentabilidade do planeta é uma necessidade urgente.

José Cirilo, Diretor Executivo de Marketing da Seara Alimentos

Nós da Seara Alimentos nos inspiramos fortemente nos pilares de qualidade e inovação, sempre em busca de antecipar, ao mercado e aos consumidores, tecnologias e tendências que farão parte do futuro. Dessa maneira, os investimentos feitos pela empresa possibilitam o desenvolvimento de novas linhas que equilibram sabor, inovação, qualidade, saudabilidade e opções para um novo grupo de consumidores, em forte ascensão e potencial crescimento no mercado.
Considerando esses pilares da Seara, destaco abaixo as mais recentes inovações em produto da marca.
Em inovação: o Incrível Burger Seara Gourmet, hambúrguer 100% vegetal, de formulação própria da Seara, com sabor, textura e aparência de um hambúrguer tradicional. O mercado de proteína vegetal cresceu exponencialmente nos últimos meses e visamos estar ainda mais posicionados com a nova linha do Incrível Burger, que será lançada em novembro no Brasil, com uma gama completa de produtos feitos à base vegetal.
A Seara será a primeira grande indústria alimentícia no país a oferecer uma linha completa de produtos vegetarianos, que elevará a percepção de inovação e qualidade da marca ao consumidor final. Nossa aposta nesse segmento é forte, pois só no Brasil são mais de 30 milhões de consumidores flexitarianos (que ingerem proteína animal esporadicamente), vegetarianos ou veganos. Em um futuro muito próximo, vamos oferecer a melhor opção para esse consumidor! A inovação nasce de uma necessidade de se conectar com esse consumidor e entregar benefícios. Essa é a missão de longo prazo da Seara.
Em saudabilidade: acreditamos demais na linha Seara Nature, voltada para um público que busca saudabilidade atrelada ao prazer de comer. Natural e saborosa, a linha conta com oito produtos feitos totalmente sem conservantes, usando ingredientes naturais como extrato de alecrim, aipo e acerola, que conservam e não alteram o gosto dos alimentos. Com porções equilibradas, tem mais proteína e teor de sódio abaixo da meta estipulada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), além de não conter proteína de soja e lactose. Inclusive, a Seara Nature possui o primeiro frango empanado sem pré-fritura do mercado.
Ainda com o viés da saudabilidade, a Seara Alimentos tem outra expertise, os frangos, com linhas pensadas para atender consumidores que buscam por uma vida mais saudável: Frangos Orgânicos e Seara DaGranja. Os Frangos Orgânicos Seara são criados soltos no campo e com acesso livre às áreas externas. A alimentação é equilibrada, composta por ração especial, 100% vegetal, com vitaminas e minerais, livre de transgênicos e agrotóxicos. A linha conta com o selo de “Produto orgânico do Brasil” e é também certificada pela IBD, com reconhecimento nacional e internacional.
Já os frangos da linha Seara DaGranja são naturais e saudáveis, criados sem uso de hormônios, antibióticos ou conservantes, conforme estabelece a legislação brasileira, e também possuem alimentação 100% vegetal, além de cuidados com o bem-estar animal e um rigoroso controle de qualidade para garantir o melhor produto à mesa do brasileiro, tudo isso certificado pela WQS (World Quality Services), que atesta esses frangos como 100% naturais.

Nayara Bernardes, analista do Serviço de Apoio as Micro e Pequenas Empresas

Observando as mudanças recentes no mundo, constatamos que as pessoas estão em constante busca por saúde e qualidade de vida, o que impacta diretamente no comportamento do consumidor, assim como nos negócios relacionados. No Brasil, saúde encontra-se em terceiro lugar na pauta de preocupações da população, perdendo somente para a crise econômica e a violência.
Diante de tantas mudanças, a alimentação também sofre repercussões e podemos pensar que a mesma, nos próximos anos, será pautada por 3 S: saúde, sustentabilidade e sabor.
Temos consumidores ávidos por uma alimentação saudável, que desejam excluir sal, açúcar, gordura e aditivos químicos, porém, não abrem mão do sabor. Essa conduta movimenta toda uma cadeia e obriga os negócios a repensarem seus produtos.
O mercado global para produtos saudáveis faturou 446 bilhões de dólares no último ano, o equivalente a 20% de toda venda de alimentos industrializados. No Brasil, os produtos considerados saudáveis faturaram 26,5 bilhões de dólares em 2018, valor 53% maior que o de cinco anos atrás. A partir dessas informações, notamos que há uma evolução do que era apenas um nicho para um forte negócio.
Estima-se que no ano de 2018 tenham sido investidos 7 bilhões de dólares em startups da área de alimentos, que buscam equacionar a relação sabor e saudabilidade. Nessa mesma linha, percebemos o aparecimento de diversas plataformas preocupadas com a sustentabilidade da alimentação, desde serviços que beneficiam os pequenos produtores até fontes de financiamento alternativo aos bancos tradicionais, demonstrando que o consumidor está preocupado tanto com o impacto ambiental quanto social do que come.

Anesio Rodrigues, Gerente Comercial SINA Alimentos

Nosso produto de foco é a Margarina para Folhados em Placa. Há uma grande tendência na utilização de laminadoras para produção de folhados e com esse formato da Margarina em Placa reduzimos o preparo da massa, oferecendo um processo mais rápido e eficiente, sem perder a qualidade dos produtos produzidos.

 

 

 

Angela Dias, Gerente de Projetos e Coordenadora Comissão Org. Sulserve e Reparasul

Acredito que o comportamento de consumo muda muito rápido e de forma inovadora. Por exemplo, de dois anos para cá, estamos vivendo um retorno às origens da carne, seja nas parrillas, varais de legumes, churrascos e tudo mais que esse universo traz com ele e que movimenta todo um mercado. Veja as novas tábuas de carne, facas especiais, sais, temperos, encontros e cursos online, ou seja, voltamos e estamos revisando, para melhor, uma cultura culinária maravilhosa.
Para os próximos anos, teremos uma evolução grande nos produtos de origem não animal e nos biodegradáveis, a indústria de equipamentos está buscando essa solução para apresentar ao setor. Estamos chegando ao limite da produção de pastagens para o gado e é preciso pensar alternativas. Nos insumos, estamos vivendo o caso dos canudinhos, logo, isso vai se estender para outros itens. O consumidor está exigindo isso motivado pela conscientização ambiental e sustentável.

David Oliveira, Diretor de Marketing da Superbom

O mundo tem se voltado cada vez mais para produtos saudáveis e sustentáveis, melhor ainda se for nas duas condições juntas. A Superbom, indústria primeira no Brasil na fabricação de substitutos da carne, acredita que após o “boom” dos hambúrgueres de plantas, teremos destaques para novos substitutos que permeiam o dia a dia das pessoas.
É claro que o hambúrguer é um produto quase que universal, consumido de um extremo ao outro extremo do globo, no entanto com certeza não é o “tipo de carne” mais consumido, pois já está em um formato para uma preparação específica.
A Superbom acredita que o Frango Vegan, alternativa ao frango de origem animal, seja um produto que fará grande diferença no mercado nos próximos anos, um produto com as mesmas características de textura, cor, aroma e sabor do produto de origem cárnea, mas feito à base de plantas, sustentável, rico em proteínas, fibras, vitaminas e minerais, além de ser muito saboroso.
O Frango Vegan pode ser utilizado em diversas receitas, pois é um produto versátil e dá vida até a produtos mais típicos da culinária brasileira, como a coxinha de frango, que também pode ser feita com o Frango Vegan, além de cozido, assado ou até mesmo no churrasco. Pela sua versatilidade, o mercado de food service poderá utilizá-lo de inúmeras formas e atender a diversas oportunidades de mercado.

Leandro Assis, Diretor Comercial da Teknisa

O produto que fará diferença é aquele que dará empoderamento ao cliente, tanto no sentido de escolha do produto quanto no canal de compra e consumo.
Estamos passando por uma transformação na qual o consumidor está cada vez mais atento e exigente à qualidade e ao atendimento prestado pelas empresas.
Portanto, a adequação aos canais de atendimento, seja na loja física, seja no delivery, e no que tange a experiência do cliente e a humanização do atendimento, fará a diferença.
As empresas devem então se adaptar a essa realidade, sempre buscando também oferecer opções mais personalizadas aos consumidores.
Além disso, os gestores também devem se atentar em aprimorar a cadeia de abastecimento, reduzindo o desperdício e a falta de produtos devido à logística, que impactará cada vez mais nos custos e no diferencial de atendimento.

Clovis Tramontina, Presidente da Tramontina

A tendência é sempre buscar mais eficiência, produtividade e redução de custos. Por isso, acreditamos que um produto como o forno combinado ganhará ainda mais força nas cozinhas do setor do food service.
Com vapor d’água, o equipamento proporciona a temperatura exata na câmara de cocção, em tempo real e com descarga automática da umidade. Uma válvula garante o cozimento a seco eliminando todo o vapor produzido na câmara do forno. Além disso, uma sonda é utilizada para controlar a temperatura da cocção com total precisão. No centro do alimento, o instrumento suspende a cocção no momento em que atinge a temperatura desejada. E, por fim, o sistema de autolavagem próprio permite a limpeza fácil e profunda da câmara de cocção, evitando o mau funcionamento pelo acúmulo de gordura ou sujeira. O sistema é autônomo e dispensa monitoramento, além de fazer a aplicação automática de detergente líquido no processo de lavagem.
No setor de móveis, a linha Piazza Barcelona é destaque. Com características da capital catalã de vitalidade e jovialidade, a leveza nos materiais e curvas valoriza a arquitetura. As peças são feitas em aço maciço Grafite e Fendi, enquanto o encosto em lâminas de Tauri recebe opções de acabamento nas cores Natural, Amêndoa e Grafite. Os móveis versáteis e elegantes trazem atmosfera de contemporaneidade aos ambientes internos de bares e restaurantes.

Ricardo Marques, Vice-Presidente de Food Solutions para o Sul da América Latina

Os consumidores estão cada vez mais valorizando melhores experiências. Por isso, hoje existe um desafio enorme para os operadores quando se trata de encontrar eficiências em suas operações para focar no serviço que entregam no fim da cadeia.
Nesse sentido, é muito importante que a indústria consiga entregar produtos que trazem benefícios e soluções para os dilemas que os operadores enfrentam diariamente, entregando, assim, produtos de alta qualidade, sabor e desempenho para facilitar o dia a dia nas cozinhas.
A melhor forma de endereçar todos esses pontos será através de produtos que alinham tecnologia e expertise de chefs dedicados a encontrar essas soluções, como produtos desidratados a partir de ingredientes de alta qualidade e rastreabilidade de confiança.

José Carlos Palopoli, Trade Marketing – Xamego Bom

Para a área de confeitaria e panificação, não acredito em um único produto específico, mas, sim, nos produtos que conseguirão aliar qualidade e praticidade para os profissionais que o manipulam, ou seja, os transformadores.
Podemos sentir isso dentro da Xamego Bom com os lançamentos que fizemos em abril de 2019, ou seja, os Recheios e Coberturas Forneáveis de frutas, nos sabores goiaba, morango e maracujá com sementes, o Doce de Leite para Confeitaria e o Creme Confeiteiro.
Com esse último, por exemplo, vários profissionais da confeitaria que aderiram ao uso do Creme Confeiteiro pronto nos confidenciaram que até então preferiam fazer os cremes confeiteiros pelo fato de não terem encontrado nada pronto para uso imediato que lhes atendesse nas características que necessitam. Com a chegada do Creme Confeiteiro Xamego Bom, seus anseios foram atendidos e eles conseguiram, assim, eliminar mão de obra para produzir algo que já pode ser encontrado pronto.
O motivo maior do sucesso desses produtos é exatamente esse, ou seja, ganhar tempo, pois deixar de preparar algo que já existe pronto para uso imediato e que possua qualidade atrai quem realmente quer reduzir tempo de manuseio.
O importante não é somente o produto em si, mas, sim, o benefício que ele pode trazer, visto que a vida moderna exige isso cada vez mais dos profissionais, pois ganhar tempo e aliar qualidade e praticidade é o caminho para que um produto faça sucesso.

Reynaldo zani, sócio diretor da zak business development

Muitas coisas têm acontecido no mercado de food service nos últimos anos referentes à inovação, mudanças de hábitos de consumo, novas tendências e tecnologia.
No entanto, normalmente acabamos valorizando e percebendo apenas as coisas que já se materializaram em grande escala e possuem relevância comercial.
Antes disso, poucos procuram entender os motivadores reais e originais dessas mudanças e de outras que estão por vir.
Entre os motivadores principais e atuais do que tem norteado boa parte do que podemos chamar de novos hábitos e novas tendências de consumo está a revisão da escala de valores por parte das pessoas.
O consumidor voltou a valorizar o que é de verdade e não mais só o “storytelling”. Continua querendo comer o que é bom, mas agora além de bom também precisa fazer bem.
Passou a exigir verdade e transparência por parte das empresas no que se refere à informação sobre a origem de seus produtos e serviços. Passou a valorizar os aspectos intrínsecos dos produtos, isto é, os envolvidos em sua cadeia produtiva e referentes à conduta da empresa que os produz. Passou a se familiarizar com os conceitos e princípios básicos da sustentabilidade e da consciência social. Passou a entender que o propósito e a ética de uma empresa têm tanta importância quanto a qualidade dos produtos que ela produz ou comercializa.
Os produtos valorizados e procurados pelos consumidores nos próximos anos serão os que entregarem essa escala de valores de forma verdadeira, transparente e evidente para o consumidor. Para quem estava acostumado a entregar somente atributos sensoriais, muito trabalho precisará ser feito, mas tudo indica que esse é um caminho sem volta.

Sergio Molinari Sócio – Food Consulting

No dia a dia, notamos poucas mudanças significativas em produtos no food service; é no longo prazo que as grandes transformações serão visíveis, e é disso que estamos falando neste artigo.
Tentando resumir a resposta numa “macrotendência”, destaco todo o universo que diz respeito ao consumo de alimentos vegetais, não apenas um produto especificamente.

Como grandes exemplos de como será a alimentação do brasileiro em 150 meses,    citamos 3:

  • A atual predominância da proteína animal como “centro do prato” dará espaço para refeições e lanches preparados sob o conceito “veggie-centric”.
  • A alimentação “flexitarian” caracterizará a grande parte dos consumidores do Brasil, que alternarão de forma mais inteligente entre a alimentação à base de ingredientes vegetais e de origem animal.
  • Os “plant based proteins” (proteínas à base de vegetais) evoluirão fortemente, com a enorme maioria dos itens cárneos tendo excelentes substitutos e análogos vegetais.

Vários motivos, entre econômicos e tecnológicos e, acima de tudo, ligados à evolução das preferências e entendimentos dos consumidores, dão bastante segurança na afirmação sobre essa macrotendência; destacando algumas:

  • A demanda global por proteínas animais, com destaque para grandes mercados como China, gerará um desequilíbrio entre oferta e demanda, afetando não só a disponibilidade, mas, especialmente, os custos desses ingredientes.
  • Ao mesmo tempo, para atender essa mesma necessidade crescente de alimentos no mundo e a custos viáveis, é necessário expandir a proporção de alimentos vegetais.
    O desenvolvimento tecnológico e em pesquisa e desenvolvimento, associado a investimentos enormes e crescentes da indústria, proporcionarão a disponibilidade de soluções cada vez melhores e mais acessíveis para a substituição de proteínas animais por vegetais.
  • A consciência em torno de temas de sustentabilidade e meio ambiente (emissão de gases de efeito estufa, desmatamento, degradação da terra e contaminação da água, consumo de recursos naturais etc.) também impulsiona a preferência dos consumidores em relação aos alimentos vegetais.
  • Mais e mais se entende que é mais saudável a alimentação à base de vegetais do que baseada em proteínas animais, especialmente, quando falamos de produtos mais processados.

Mas, no fim das contas, e, acima de tudo, é a evolução do próprio consumidor que representará o grande vetor da transformação.

Rogério Morgado, graduado, mestre e doutor pela USP e professor universitário e de treinamentos

Ao falar sobre o produto que fará a diferença nos próximos tempos no food service, penso que temos que fazer uma reflexão que o mundo vem sofrendo mudanças significativas e, dessa forma, a sociedade, o mercado e o comportamento das pessoas como um todo. Em geral, a forma de fazer as coisas acontecerem não é mais como antes!
Na verdade, ao pensar sobre tendências de produto que farão a diferença, eu prefiro colocar minha previsibilidade no campo do intangível, no campo dos serviços ao cliente.
Eu acredito que a diferença mais importante para as empresas do food service nos próximos tempos, portanto, será ofertar cada vez mais uma gama de serviços voltada aos diferentes perfis dos clientes pretendidos. E para demandas que ainda não foram plenamente identificadas.
Em todos os setores, os produtos estão se tornando cada vez mais parecidos, e também é um fato constatado que os clientes podem se preocupar menos com os preços quando uma oferta é baseada no valor que eles percebem e querem como diferencial na compra de determinado produto ou serviço.
Alguns direcionadores desse novo contexto competitivo são as pressões para reduzir custos e aumentar a eficiência, o aumento da concorrência, ciclos de vida dos produtos mais curtos, regulamentações mais rigorosas, demandas por desenvolvimento sustentável e até as pressões decorrentes de mudanças sociais e tecnológicas como falamos no início.
Assim, considero a criação de serviços novos, que agreguem valor ao cliente, com a identificação de oportunidades e/ou com novas combinações, como de extrema importância e um dos pontos mais fundamentais dentro da perspectiva e pergunta sobre o que fará o diferencial competitivo para uma empresa.

Ingrid Devisate, Diretora Executiva do IFB – Instituto Foodservice Brasil

O crescimento da população humana em um mundo de espaço e recursos limitados significa que precisamos inovar. Isso inclui explorar novas fontes para o futuro, como os superalimentos (do inglês: superfoods).
Um exemplo é a spirulina, que tem mais de 3 bilhões de anos e, atualmente, tem tido lugar de destaque. A spirulina, além de agregar grande valor nutricional, é uma importante fonte de proteína, sendo eleita pela ONU como a resposta para a fome no mundo e aprovada pela NASA como alimento espacial. Tanto China quanto EUA são responsáveis pela maior parte da produção global de spirulina e já projetam crescimento na média de 10% (CAGR 2019-2025).
O cultivo de spirulina tem várias vantagens sobre a agricultura tradicional (fonte: FAO). Com cerca de 60% de proteína e rápido crescimento, ela produz 20 vezes mais proteína por unidade de área do que a soja, 40 vezes mais que o milho e mais de 200 vezes mais que a carne bovina.
A cultura da spirulina não requer terras férteis e faz uso eficiente da água, já que usa menos quantidade por quilo de proteína (aproximadamente 2100 litros/kg de proteína), o que representa 25% da água necessária para a soja, 17% do milho e apenas 2% da água para a produção da carne bovina.
É também mais vantajosa em relação à eficiência energética, sendo 5 vezes superior à soja, 2 vezes maior que o milho e mais de 100 vezes maior que a carne alimentada com grãos e, por fim, a produção em pequena escala de spirulina é considerada uma atividade potencial de geração de renda para famílias.

George lima De Paula, Diretor De Marketing e Negócios da Teknisa

Penso que não há como fazer projeções tecnológicas para o mercado sem falar sobre Inteligência Artificial. Hoje, essa tendência já é uma realidade em diversos países e seu desenvolvimento tem sido crescente, seja no ramo comercial, seja na área corporativa.
Dentro desse cenário, é possível citar produtos que se relacionam com o conceito de reconhecimento facial. Essa vertente da Inteligência Artificial contribui para uma experiência de atendimento mais diferenciada dos clientes em alguns estabelecimentos. Por meio de uma tecnologia que identifica o usuário pelo rosto — acoplado a um terminal de autoatendimento que se conecta a um sistema de pagamento móvel — é possível que o consumidor realize compras sem ao menos precisar pegar a carteira do bolso.
Soluções relacionadas ao reconhecimento de produtos também entram nessa projeção, já que essa tecnologia é capaz de identificar as mercadorias que o consumidor poderá escolher em um estabelecimento. É simplesmente ter em mãos os itens que você precisa e a conta já ser emitida, sem a necessidade de um atendente para fazê-la. Assim, tanto a experiência do cliente quanto a dos colaboradores se torna ainda mais prática e menos vulnerável a desgastes (fricções), o que aumenta a satisfação em todo o processo para ambas as partes.
Em tempos de ampla concorrência de mercado, além de um nível de exigência cada vez maior por parte dos clientes, a Inteligência Artificial e seus subprodutos vêm como uma solução inovadora que antecipa as necessidades do cliente, torna o atendimento mais prático e contribui para uma experiência de compra cada vez mais positiva. Daí a sua importância.

 

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