Tendência: A identidade afetiva dos alimentos

Muitos itens que lembram o passado e resgatam boas lembranças se transformam em um sucesso de vendas

Determinados alimentos estão tão presentes na vida das pessoas, pela sua história e tradição, que eles passam a fazer parte do cotidiano delas, muitas vezes da infância até a velhice, tendo um grande apelo afetivo.

Cristiane Prenholato, consultora de negócios da ba}STOCKLER, empresa que oferece soluções completas e customizadas voltadas à cadeia de negócios, destaca que os produtos/serviços de uma determinada empresa/marca que ela considera que têm apelo afetivo são “produtos que fazem conexão com o passado, por exemplo, que remetem a uma determinada época da vida ou produtos e serviços que sobrevivem há décadas, todos, porém, entregando o que é prometido ao seu cliente. A permanência no mercado por longo período, portanto, acaba gerando credibilidade, confiabilidade e segurança”.

O mercado de alimentação, ciente da força desses itens, cria e comercializa pratos e produtos que vão diretamente ao encontro do gosto e sentimento do consumidor. A Olha o Churros!, por exemplo, é a única rede de franquias especializada na oferta de churros premium com indústria própria. A empresa também se tornou a primeira rede de franquias em quiosques a ofertar duas operações em uma só, anexando, à já consagrada marca citada, o inédito oQualé: primeira marca de geladinhos recheados na hora para comercialização em shoppings.

identidade afetiva Olha o Churros
“Nosso intuito é levar as boas lembranças de infância aos consumidores e, esses, aos seus filhos”, diz Gabriel Rodero, do Olha o Churros!

“Os dois produtos ofertados carregam essa essência afetiva e nostálgica. Nosso intuito é levar as boas lembranças de infância aos consumidores e, esses, aos seus filhos”, destaca Gabriel Rodero, sócio-diretor da rede.

A marca relaciona esse consumo a um perfil de público de 25 a 60 anos, e não a adolescentes e crianças, pois tanto o Churros Premium quanto o Geladinho Gourmet estão muito ligados ao passado, a uma boa lembrança ou momento vivido na infância.

“Isso é tão forte no nosso consumidor que ele quer tentar passar, inclusive, a experiência aos filhos que ainda não conhecem o produto”. Gabriel complementa: “A receptividade da clientela sempre é um desafio, pois quando trabalhamos com produtos de identidade afetiva, elevamos a expectativa sobre o produto lá em cima e, por isso, a entrega dele deve corresponder à altura, do contrário, corremos o risco de quebrar toda experiência afetiva de compra”.

Churrasco

Oferecer carne de primeira qualidade em ambientes informais sempre foi a proposta do Mania de Churrasco! “Sobre o tema, sem sombra de dúvida, o maior apelo afetivo está vinculado ao churrasco, que é tipicamente escolhido para diversos tipos de celebrações e momentos festivos. Quem nunca compareceu a uma churrascada para comemorar um aniversário? E quem nunca celebrou uma vitória do time de futebol ou da Seleção Brasileira de Futebol, em Copa do Mundo, com um bom churrasco? Os colegas organizam um belo churrasco para reunir a antiga turma da faculdade. As reuniões de família também acontecem, muitas vezes, em torno da churrasqueira. O churrasco está intimamente ligado às mais variadas comemorações e seu consumo está ligado à sensação de bem-estar”, pontua Glaucia Fernandes, gerente de marketing da rede.

“É interessante ver como o churrasco está presente nessas relações e em momentos mais descontraídos. Acaba sendo um alimento relacionado a momentos bacanas, de integração, mesmo que no meio da rotina da semana. Ser reconhecido dessa maneira é excelente”, diz ela.

identidade afetiva Mania de Churrasco
“Sem sombra de dúvida, o maior apelo afetivo está vinculado ao churrasco, que é tipicamente escolhido para diversos tipos de celebrações e momentos festivos”, diz Glaucia Fernandes, gerente de marketing da Mania de Churrasco!

A gerente de marketing acredita que para conquistar o consumidor é importante investir desde a qualidade do produto até o atendimento que será dado ao cliente. “É importante, por exemplo – e instruímos nossos atendentes a essa prática – que verifiquem se o ponto da carne está correto e se o cliente ficou satisfeito com a refeição”, ressalta ela.

Força

“Indiscutivelmente, os hambúrgueres têm forte apelo afetivo. Esse é o tipo de alimento que remete à infância. Qual criança, que cresceu na década de 1970, 1980, não esperava ansiosa pelo fim de semana, que era quando os pais permitiam uma refeição diferente, com um bom hambúrguer, batatas fritas e refrigerante? Os burgers têm uma forte ligação com diversão, momentos de alegria, festinha de aniversário e família. Também faz relembrar a adolescência, as reuniões com amigos – ocasiões nas quais os lanches sempre foram opções indispensáveis, práticas e saborosas”, afirma Rodrigo Arjonas, sócio-diretor da rede Busger.

A empresa é uma rede de hamburguerias sobre rodas que tem as cozinhas a bordo de ônibus antigos, geralmente em modelos norte-americanos ou londrinos, que normalmente só se via por aqui nos filmes hollywoodianos. A Busger trabalha com a questão da experiência do cliente, que é uma das responsáveis por fazer acontecer essa identidade afetiva com a marca. A possibilidade de estar perto de um ônibus antigo, que só se vê em filmes ou séries na TV, combinado com o ambiente descontraído, mais casual, que mistura o conceito de comida de rua com o de uma lanchonete mais tradicional, também encanta as pessoas e faz criar um laço importante com a marca. “Assim, temos dois laços afetivos com os clientes, um pelo produto e outro pela marca”, completa.

Tipicamente brasileiros

Paulo Seabra, diretor executivo do Panelinhas do Brasil, explica que preparar pratos típicos brasileiros foi uma das formas que encontraram de conectar o paladar à memória das pessoas. “Além da característica de comida típica regional e caseira, prezamos pelo conforto emocional e a sensação de prazer, pois queremos que os clientes sintam um ‘gostinho de casa’ sempre que visitarem nossos restaurantes”, diz.

Além disso, é um pequeno passeio pela gastronomia típica da cidade natal do cliente, que o faz relembrar os sabores e aromas da infância e até da comida de ‘vó’, por exemplo. Paulo também diz que no Panelinhas do Brasil vale a máxima do elo afetivo da marca com o cliente, conhecendo suas histórias e, assim, fazendo parte da vida deles.

“Nunca esteve tão em alta essa questão da ‘brasilidade’, de ingredientes regionais e de levantar a bandeira da gastronomia brasileira, com ingredientes brasileiros e pratos típicos/regionais”, ressalta. O cardápio variado da rede faz referência a diversas regiões do Brasil, tais como: a Galinhada com Pequi, de Goiás; o Bobó de Camarão, da Bahia; e o Baião D+, do Ceará.

Linha

Sexta maior empresa de lácteos do país, a Embaré, detentora da marca Camponesa, atua no mercado há quase 83 anos. Além da ampla linha de produtos lácteos, a organização produz os tradicionais caramelos em diversos formatos e sabores. “Nossa linha completa, desde os tradicionais caramelos ‘quadradinhos’, recheados, toffees até o chocolate com laranja tem um apelo afetivo muito grande com o nosso público. Somos uma empresa de muitos e muitos anos, e apesar de todos os nossos lançamentos, nosso mix contempla vários produtos que estão conosco desde o início da nossa história, marcando diversas gerações”, destaca Cássio Castro, gerente de inovação da Embaré.

Para ele, ao adquirir os caramelos Embaré, o consumidor ganha a sensação de voltar à infância, à lembrança da porta da escola, ao aconchego da casa da ‘vó’. “Produtos com apelo afetivo têm como o principal atributo a experiência”, ressalta. “O empresariado e os revendedores têm nos produtos com valor afetivo, como os caramelos Embaré, a oportunidade de oferecer aos seus clientes um produto com alto valor agregado, uma vez que esses itens têm forte identificação/ligação emocional com o consumidor”, diz Cássio.

Casa

Os primeiros passos da Casa de Bolos começaram em 2009. “Com o intuito de tornar nossas lojas uma extensão da casa do consumidor e com o desejo de nossos bolos estarem presentes na mesa das famílias brasileiras como uma ferramenta para unir pessoas, todos os nossos bolos são produzidos como se tivessem acabado de sair do forno, ali mesmo, da cozinha do nosso cliente”, diz Rafael Ramos, diretor de marketing da Casa de Bolos.

Todos são produzidos sem conservantes, sem aromatizantes, sem glúten e com fruta de verdade. Rafael acredita que “quando nos sentamos à mesa ao redor de um bolo, muita coisa boa acontece: sorrisos são estampados, risadas garantidas e experiências compartilhadas, trazendo novamente o sentido do conceito ‘estar em família’”.

Tema

A psicóloga Salma Cortez destaca: “Este assunto tem uma gama enorme de possibilidades, dado que o apelo afetivo tem também um forte viés cultural. Um chá aqui no Brasil não tem o mesmo significado que um chá no Japão ou na Inglaterra, por exemplo. Mas, de forma geral, aqui no Sudeste do Brasil, podemos falar, sem medo de errar, da coxinha cremosa, do café e também do sonho…”

Salma explica que, normalmente, esses produtos estão sempre associados a uma sensação interna de bem-estar, em função de estarem, de uma forma consciente ou não, associados a contextos afetivamente positivos e que eliciam a geração de hormônios capazes de produzir essa sensação corporal de prazer, calma e satisfação.

Bolos

Ivan Ferreira, diretor de expansão da Fábrica de Bolos Vó Alzira, frisa a percepção que tem quando se trata, também, dos bolos. “Buscamos trazer na memória dos nossos clientes a sensação e o sabor daquele bolinho gostoso, fresquinho e cheiroso que toda avó tem o dom em fazer”. E continua: “Trabalhamos esse apelo também nas datas comemorativas, como, por exemplo, no Dia das Mães passado, no qual a ideia da campanha foi ‘Amor de Mãe a gente não troca por nada. Ainda mais quando é feito com Serenata de Amor.’ Nessa ação de marketing, o bolo de bombom, em parceria com o chocolate da marca Serenata de Amor, buscaram esse apelo”, relata.

Autenticidade

“A palavra contemporânea nos dias de hoje é autenticidade. Nos últimos anos, vimos uma multiplicação de estratégias de marca descoladas do modelo de negócio e, principalmente, do alimento ou bebida que chega à mesa do brasileiro. São histórias que muitas vezes têm apelo emocional, mas não têm vínculo genuíno com produto/propósito das companhias. Com isso, produtos e empresas com linguagem moderna passam a ser promotoras de encontros genuínos entre produtores, fazendeiros, transformadores e consumidores. Há um interesse crescente sobre origem, benefícios como naturalidade, funcionalidade e impacto de tal produto em mim – consumidor – e em nós – como sociedade”, salienta Sérgio Pinto, sócio-fundador da Massa Lab, uma empresa aceleradora de inovação, exclusivamente focada no mercado de alimentos e bebidas.

As estratégias de tornar um produto/marca referência no que tange à identidade afetiva é começar ou romper novos mercados. “Participar apenas não será suficiente para gerar vínculos duradouros. Essas conexões serão alimentadas por transparência, qualidade, sustentabilidade e sabor. Porque, no fim do dia, independentemente do que acontece no campo produtor, o sabor e amor do que é posto à mesa são a maior verdade que uma marca pode promover. Um amor mais ‘verde’, sustentável, mas, sobretudo, saboroso”, orienta o sócio-fundador.

ESPECIALISTA CRISTIANE PRENHOLATO
www.bastockler.com.br

OLHA O CHURROS!
www.olhaochurros.com.br

OQUALÉ
www.oquale.com.br

MANIA DE CHURRASCO!
www.maniadechurrasco.com

BUSGER
www.busger.com.br

PANELINHAS DO BRASIL
www.panelinhasdobrasil.com.br

EMBARÉ
www.embare.com.br

CASA DE BOLOS
www.casadebolos.com.br

SALMA CORTEZ
www.facebook.com/salmacortezterapeuta

FÁBRICA DE BOLOS VÓ ALZIRA
www.fabricadebolo.com

SÉRGIO PINTO
www.massalab.com.br

 

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