Sustentabilidade: Canudos de plástico: sim ou não?

Canudos de plástico

Em um momento em que muito se discute sobre o assunto, há também a defesa do meio-termo

O mundo, cada vez mais consciente do cuidado com o meio ambiente, elabora estratégias para dar – ou tentar dar – soluções na redução, e até mesmo na extinção, se possível, de práticas negativamente provocadas por produtos e serviços dos mais variados, existentes no cotidiano do ser humano.
Essas práticas impactam diretamente e indiretamente, mesmo que seja em médio e em longo prazo, a natureza, muitas vezes, de forma irreversível. Há itens que são produzidos em bilhões e bilhões de unidades todos os anos, como os canudos de plástico.
Utilizados em todo o mundo, os famosos canudinhos são utensílios práticos para todo aquele que quer tomar algum tipo de bebida sugando-a de seu recipiente. Higiênico (já que não é colocada a boca na garrafa), mas danoso ao meio ambiente pela demora no tempo de decomposição, por ser feito de plástico. Diversas organizações de preservação ambiental e suas respectivas campanhas de conscientização têm tido destaque nesses últimos anos para alertar a população sobre o uso desses itens. Empresas produtoras de canudos e associações dão sua opinião sobre essa polêmica discussão.

Atuação

A Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) foi criada em 1967 e representa o setor de transformação e de reciclagem de plástico. A entidade atua na promoção da imagem institucional do setor e do material plástico, bem como no fomento à competitividade dessa indústria. Para isso, realiza ações que promovem novas tecnologias, processos, pesquisa de produtos com foco na sustentabilidade, entre outras iniciativas.
A Abiplast representa, aproximadamente, 12,4 mil empresas que empregam um total de 320,2 mil pessoas. José Ricardo Roriz Coelho, presidente da entidade, diz que hoje muito se fala sobre a problemática dos canudos plásticos e as consequências do seu uso sem a devida conscientização da população.

“Na realidade, há diversos fatores que contribuem para que essa problemática ocorra, envolvendo todos os elos dessa cadeia produtiva, não sendo, portanto, o material plástico o principal responsável pela imagem ruim do canudo”.

O plástico é um material 100% reciclável e, por isso, o canudo utilizado e descartado pode ser transformado novamente em matéria-prima para a fabricação de novos produtos. Um dos grandes desafios encontrados ultimamente, entretanto, é a logística reversa desse e dos demais itens plásticos, ou seja, fazer com que o canudo descartado vá para uma cooperativa, seja separado corretamente, encaminhado a um reciclador para a fabricação da matéria-prima reciclada e, por fim, que haja demanda para esse plástico reciclado. “Sem essa circularidade da cadeia e, claro, sem o uso consciente do consumidor, há a geração incorreta desses resíduos que se perdem no meio ambiente”, completa o presidente.

A Abiplast tem focado no tema Economia Circular, estudando oportunidades de negócios para que esse ciclo produtivo de fato se efetive, reduzindo a geração incorreta de resíduos plásticos.
“Vale dizer também que, não somente a ação do setor privado seja relevante nesse caso, mas também de políticas públicas, como a expansão da coleta seletiva, por exemplo. Muitas vezes, a população descarta corretamente seu resíduo reciclável, mas, por outro lado, não há coleta seletiva em sua região, fazendo com que seu canudo plástico vá parar em um aterro, por exemplo”.

Em 2017, a associação assinou um compromisso na Ocean Conference, em parceria com a Exchange 4 Change Brasil, se comprometendo com a redução do plástico nos oceanos. A discussão sobre uma nova forma de consumo e de itens que tenham maior durabilidade e vida útil é uma realidade necessária. “Entretanto, não podemos, por isso, vilanizar um produto”.

José Ricardo esclarece que a Economia Circular é uma resposta muito positiva a essa nova forma de consumo e é importante reforçar a ideia de que o plástico é um material que se adequa e está alinhado com essa lógica, haja vista que pode ser reciclado e voltar ao ciclo de produção, promovendo a circularidade de seu processo produtivo e, então, a redução de utilização de novos recursos.

“Neste momento, é importante que esse debate seja ampliado para uma lógica sistêmica. É necessário avaliar todo o caminho que esses novos produtos percorrerão até novamente serem transformados em um novo produto ou até chegarem ao destino ambientalmente correto. Ademais, quais são esses novos produtos? São passíveis de circularidade? Quais seus passivos ambientais? São essas reflexões que precisamos fazer e pensar se não estamos trocando um passível visível por um passivo muito maior, porém invisível”.

O presidente da Abiplast enfatiza que já estão disponíveis no mercado canudos fabricados de outros materiais como o vidro e o papel. “Entretanto, como mencionado anteriormente, é importante ressaltar que o desafio não está relacionado exclusivamente ao material em que o canudo é fabricado e, sim, na logística reversa depois de o canudo ser descartado. Seja qual for o material, deve haver a logística reversa correta para que não haja geração de resíduos imprópria. Além disso, em casos em que os canudos necessitam de higienização, é também necessário avaliar a maior utilização de água para essa limpeza”.

Funções

“Possuímos 14 modelos de canudos, todos com funções específicas e diferenciais. Somos pioneiros em inovações como o Canudo Flexível Shake, o primeiro do mercado com o diâmetro e a flexibilidade que o consumidor precisa para beber bebidas densas. Também temos o Canudo Fast Food, um dos mais utilizados em redes de fast food em todo o país. Além disso, possuímos Canudo Mexedor, em formato de colher, que facilita na hora de beber inúmeras bebidas”, conta Sandri Niehues Schlickmann, diretor da Strawplast.
A empresa possui um mix de produtos: talheres, copos, taças, pratos, canudos, potes com tampa, copinhos e taças para docinhos, pazinhas e mexedores. Produtos com soluções para food service e para o ambiente de festas.

“Acreditamos que o debate é necessário, e as campanhas de conscientização do consumo de plásticos são de grande importância. Contudo, a proibição da produção pode causar um impacto maior, tendo em vista que o descarte é o grande problema e não o uso. O consumidor tem que ter sua liberdade de escolha garantida, escolhendo que produto deseja utilizar, uma vez que a indústria siga as normas de produção, como é o nosso caso”, opina o diretor. E continua: “tem se falado muito dos canudos, mas acreditamos que a preocupação deve estar no descarte do lixo como um todo. O descarte correto dos produtos plásticos é a ação que realmente fará grande diferença, melhorando a reutilização e a reciclagem desses produtos. Lembrando que o aumento da reciclagem, além de reduzir o descarte do lixo na natureza, gera empregos”.

Quando se fala de canudos, geralmente se pensa em higiene e praticidade como fatores fundamentais. Higiene ao evitar que germes e bactérias sejam consumidos no contato dos consumidores com latas, copos, embalagens de bebidas e muitas outras situações. Praticidade e segurança ao auxiliar crianças e idosos ou, ainda, pessoas enfermas. Os canudos são muito utilizados em hospitais. “Além da usabilidade em bares, restaurantes e pubs, que servem bebidas que necessitam de canudos, por exemplo, as famosas caipirinhas. E, além de prático e higiênico, em alguns momentos se transforma em um utensílio decorativo nas bebidas e festas. Um produto simples, mas com uma gama de utilização extremamente variada”, exemplifica Sandri.

A Strawplast preocupa-se com a fabricação de seus produtos e o destino final deles. Existem também algumas soluções para o canudo ser biodegradável, e a Strawplast está desenvolvendo alguns projetos e logo apresentará inovações, pontua Sandri. “Estamos intensificando nossas pesquisas e, ao longo deste ano, iremos oferecer inovações que irão ajudar a modificar essa realidade aos poucos. A Strawplast acredita que a inovação em produtos e a conscientização quanto ao descarte correto podem mudar a realidade do acúmulo de lixo na natureza. E que temos que fazer isso juntos, indústrias e consumidores. Nosso objetivo é proporcionar aos consumidores uma maior opção de produtos, para que ele possa, com sua consciência, decidir qual produto deseja utilizar”.

Ações

A Plastivida é o instituto ambiental dos plásticos. “Desenvolvemos ações de sustentabilidade e conhecimento sobre os plásticos, promovendo seus benefícios sociais ambientais, suas aplicações voltadas ao desenvolvimento das pessoas e seu uso e descarte adequados, bem como sua reciclagem. Entendemos que a educação ambiental é o caminho adequado para qualquer decisão que se venha a tomar quando se fala em sustentabilidade. A questão da educação e do conhecimento sobre as boas práticas de uso e descarte de canudos tem sido deixada de lado em diversas discussões”, explica Miguel Bahiense, presidente da Plastivida.

“Acreditamos que não há ação efetivamente sustentável se não estiver conectada à educação ambiental. Nesse sentido, atuamos para informar a população sobre os benefícios dos plásticos e a necessidade de seu uso consciente, ou seja, evitando o desperdício, além de indicarmos que os plásticos são 100% recicláveis e que devem ser encaminhados para serem reciclados, a partir da coleta seletiva”, complementa Miguel.
Para o presidente, geralmente, esse tipo de campanha contra o uso de canudos plásticos prega o banimento de produtos. Ele acredita que sem o pilar da educação ambiental, combinado à correta gestão dos resíduos, banir qualquer tipo de item é ineficaz para que se obtenha benefício ambiental.

ABIPLAST (Associação Brasileira da Indústria do Plástico)
www.abiplast.org.br
PLASTIVIDA
www.plastivida.org.br
STRAWPLAST
www.strawplast.com.br

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