Restaurantes Étnicos & Chefs de Cozinha: A Influência do País de Origem do Chef no Preparo de Pratos Estrangeiros

Caros leitores, espero que vocês estejam bem!

Neste artigo, quero tratar do tema restaurantes étnicos e chefs de cozinha. Apesar de o termo restaurante étnico não ser usual, há uma grande possibilidade de você já ter ido a um restaurante que serve comida típica de algum país. Mas, então, o que são restaurantes étnicos? São restaurantes que servem apenas pratos de uma cultura específica de determinado país, por exemplo, restaurantes mexicanos, italianos, japoneses, árabes, entre outros.

Estudos fora do Brasil têm apontado diferentes razões que levam as pessoas a frequentarem restaurantes étnicos. Por exemplo, encontrar os amigos para socializar-se, jantar com a família para estreitar os lanços emocionais e, ainda, e mais interessante, identificação com a cultura do país de origem da comida, motivo que ainda demanda estudos mais aprofundados para a compreensão desse fenômeno.

Na cidade de São Paulo, considerada capital mundial da gastronomia, é possível visitar restaurantes étnicos instalados em diferentes “bairros colônias”. Por exemplo, no bairro do Bixiga prevalecem as cantinas, ótima opção para experiência com comida italiana, ou se viajar até a Ásia leva muito tempo, uma visita ao bairro da Liberdade pode ser uma ótima alternativa para àqueles que desejam experimentar pratos do Japão, da China ou coreanos.
Um fato interessante é que a maioria dos chefs de cozinha que trabalham nesses restaurantes não é de origem do país ao qual os pratos pertencem. Dessa forma, vale questionar: será que um restaurante que serve comida japonesa seria mais bem avaliado se o chef for japonês ou tiver ascendência asiática comparado a um chef brasileiro?

Para responder a essa indagação, realizei uma pesquisa com 171 consumidores que frequentam restaurantes que servem pratos tipicamente japoneses. O resultado da pesquisa mostrou que há uma tendência de os consumidores avaliarem mais positivamente restaurantes que têm chefs de cozinha de origem ou ascendência étnica do país de origem da culinária que servem. Entretanto, quando o chef de cozinha não é de origem ou ascendência do país de origem da culinária, mas o restaurante tem certificações, recebeu premiações ao longo de sua existência ou reconhecimento público na mídia, ambos são avaliados da mesma maneira.

Em resumo, gestores de restaurantes que porventura tenham chefs de origem ou ascendência do país da culinária em que atuam devem ressaltar esse atributo junto aos clientes e, ao mesmo tempo, trabalhar na manutenção da qualidade de seus pratos e tematização do salão, já que esses serão atributos mais importantes no reforço dos aspectos étnicos do restaurante e que vão impactar a experiência do consumidor.

De outra maneira, aos restaurantes étnicos cujos chefs de cozinha não são do país de origem da culinária que trabalham, que acredito ser a grande maioria, recomenda-se que obtenham certificações junto a instituições técnicas ligadas à gastronomia na qual atuam, participem continuamente de competições culinárias na conquista de prêmios e principalmente reconhecimento público. É importante ressaltar que todas as certificações e conquistas realizadas pelo chef devem ser expostas de forma estratégica no salão do restaurante e visíveis para os clientes. Tenham certeza de que essas informações serão positivas tanto para a valorização do profissional como também para reforçar a percepção de qualidade dos pratos servidos no local.

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