Quando o mais é menos

Quando o mais é menos

O sonho de qualquer varejista, incluindo o de serviço de alimentação, é ter um negócio que opere em capacidade máxima todos os dias da semana como se fossem sábados e domingos, e com demanda o dia todo como se tivesse 24 horas de movimento de almoço e jantar. É este sonho que motiva a busca constante pela composição de produtos e serviços que possam oferecer ao negócio a atratividade considerada necessária para alcançar esta possibilidade.

Muitos acreditam que a receita para isso é ter em seu menu variedades suficientes para atender todos os gostos, perfis de público e ocasiões de consumo existentes. No entanto, por mais tentadora que seja a possibilidade do estabelecimento cheio de segunda a segunda e 24 horas por dia, sempre haverá diferenças de demanda, que apenas irão variar dependendo do tipo de negócio, da sua localização e da concentração e do fluxo de pessoas. Sendo assim, melhor do que querer ser atrativo para o mundo todo é ter um menu “democrático”, que não seja polarizador e que tenha opções suficientes para evitar rejeições quando o negócio for de especialidade ou “mono produto”.

É melhor poder atender mais e com melhor qualidade os clientes nos horários e dias tradicionais de grande movimento do que tornar o modelo de negócio mais complexo e com menos capacidade e qualidade com a intenção de ter o sonhado faturamento constante.

A versatilidade e simplicidade no menu trazem ganho na capacidade operacional, pois facilitam o processo de escolha do cliente, o treinamento da equipe, o processo de preparo e a operação de venda, influenciando positivamente a qualidade de produtos e serviços, além de trazerem benefícios para o processo de gestão e para a estrutura de custo do negócio.

O estabelecimento ganha força no principal atributo para construção de faturamento que é a capacidade de atendimento e em outro imprescindível para o sucesso do negócio que é a qualidade. Não é coincidência o fato de as redes de maior crescimento e sucesso em vendas dos últimos anos, salvas raras exceções, possuírem menus enxutos, simples e versáteis, assim como não é sem motivo o estouro no mundo todo de novos modelos de negócios especializados em determinadas categorias ou tipos específicos de produtos.
Grandes marcas internacionais investiram pesado na diversificação de seus menus por necessidade ou por direcionamento estratégico e perderam em atributos que eram importantes para o negócio como rapidez e preço. Nestes casos, o “mais variedade” se transformou com o tempo em “menos venda” e o modelo e a estratégia adotados já estão sendo revistos.

Não existe regra ou receita exata para o problema, assim como não é indicado deixar de buscar o chamado faturamento constante, mas vale a pena dar uma olhada em como está “pescando” nas ocasiões em que há muito peixe.

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA