Por toda a parte

Eventos veganos revelam as particularidades de um mercado em ascensão

EDITORIATENDENCIA

Um cardápio adaptado, que corresponda às demandas da alimentação atual e que esteja de acordo com as particularidades dos consumidores. Cada vez mais, esse tem sido um ideal dentro de diversas organizações que trabalham com a alimentação fora do lar. Tendo em vista várias mudanças na relação do ser humano com a comida, estar atento ao que é ou não indicado servir atualmente é algo essencial. Enquanto alguns tipos de itens já tiveram dias melhores, outros começam a mostrar um potencial maior do que já tiveram anteriormente, revelando a importância de se investir neles para que se possa apresentar números mais significativos ao longo do tempo.

Um exemplo de produto que hoje em dia tem se mostrado importante para uma série de pessoas é o vegano. Não é à toa que diversos eventos, por exemplo, fazem questão de focar esse mercado e de valorizá-lo. Foi o que aconteceu, inclusive, na Fispal Food Service deste ano, que contou com o espaço VegNice, algo novo no evento. Conforme informações da própria feira, a ideia foi entregar um conteúdo essencial acerca da relevância de os estabelecimentos oferecerem opções veganas para os indivíduos. Entre os palestrantes que se fizeram presentes, estavam nomes como Flávio Giusti, Daniel Coelho, Vivian Arruda, entre outros profissionais.

Atuação

A VegNice foi fundada no mês de outubro de 2012 e tem como missão, segundo a própria organização ressalta, contribuir para um mundo melhor, onde o planeta e os animais sejam respeitados e estejam livres de qualquer tipo de crueldade. Dessa forma, leva informação e conhecimento a respeito do veganismo.

“O Brasil, hoje, tem o segundo maior mercado pet do mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, ou seja, os brasileiros gostam dos animais, e sempre que acontece um caso de maus-tratos há uma mobilização na sociedade. Então, nesse contexto, além da questão da violência, as pessoas têm percebido a ligação da ‘carne’ com os maus-tratos e morte dos animais para ‘alimentação’”, disse Jonas das Almas, o Rama, em entrevista por e-mail para a revista Food Service News.

Mas, afinal de contas, quem são os veganos? Rama ressaltou algumas características essenciais dessas pessoas. Uma delas é o fato de esses indivíduos possuírem uma dieta mais restrita quando comparada àquela dos vegetarianos; a consciência ecológica também é observada nesse grupo de pessoas. Além disso, os maiores compradores dos produtos que se enquadram nessa categoria fazem parte da chamada “Geração Y”. Ainda conforme Rama frisou, um dos principais fatores que fazem com que as pessoas se tornem veganas é a proteção aos animais, e elas dão uma importância maior à alimentação do que à moda. Outra curiosidade é que o dia primeiro de novembro é considerado o Dia Mundial Vegano – World Vegan Day.

“É fato que o mercado vegano está em amplo crescimento. De maneira simples, podemos dizer que todos os dias as pessoas aderem ao veganismo e procuram serviços relacionados a ele”, afirma Rama, que também ressalta alguns fatos revelantes em relação ao assunto.

“Em 2014, as vendas cresceram 60% em relação ao ano anterior; 28% dos brasileiros querem reduzir o consumo de carne nas refeições; há um grande número de produtos substitutos disponíveis no mercado; 8% da população brasileira se declara vegetariana e muitos deles são veganos; cerca de dois mil brasileiros se convertem ao vegetarianismo toda semana e podem ser potenciais consumidores da moda vegan”.

Área

Mesmo tendo em vista um segmento que é crescente, existem, ainda, alguns desafios que marcam presença no setor atualmente. Rama destaca o fato de “mostrar para as pessoas que é possível viver bem e até melhor sem consumir carnes, produtos derivados ou mesmo itens que sejam testados em animais, sem perder a qualidade dos produtos, pelo contrário: ter alimentos ainda mais saborosos”, diz.

Aliás, conforme Rama ressalta, outros benefícios que envolvem esse mercado dizem respeito a questões de saúde, ecológicas e também de sustentabilidade. “E tem também o benefício social da mudança de consciência. O consumo de carne está fortemente ligado à violência. Os animais choram e sentem dor. Então, há mudança quando a pessoa reflete sobre essas questões e, sabendo dos benefícios, se torna adepta do veganismo, passando a estimular outras pessoas a não violência”, diz ele.

Para se destacar nessa área, de acordo com Rama, é muito importante ser 100% fiel à ideologia vegana “e, para isso, é preciso estudar e, claro, ser vegano. Seriedade, produzir seus alimentos numa cozinha que não tenha contaminação com lácteos, por exemplo, não misturar com alimentos não veganos, isso dá muito respaldo para o público, principalmente porque muitos são realmente intolerantes a algumas substâncias. Tem outras coisas que são comuns a todo negócio, como estudar bem a área, estipular padrões, fazer um bom planejamento, treinar funcionários, manter relacionamento etc”, ressalta ele.

Sobre

A VegNice está à frente da organização dos maiores eventos veganos de São Paulo e também do Rio de Janeiro. Esses eventos acontecem, em média, a cada 30 dias. O objetivo é promover o veganismo de uma forma que seja atrativa, pacífica e com foco na família. Conforme afirma Rama, não são permitidos, nesses locais, a venda e o consumo de bebidas alcoólicas.

“Os eventos VegNice acontecem em formato de bazar. Há, em média, de 40 a 150 expositores, sendo uma parte relacionada à gastronomia vegana e outra parte com artesanatos, produtos de higiene, beleza e decorações, tudo sem nenhum componente derivado de animais como couro, penas, pérolas ou qualquer outro produto de exploração”, diz Rama.

Além do bazar, há, em todas as vezes, uma área exclusiva para conscientização de adultos e de crianças, com palestras, oficinas, teatro e diversas outras apresentações gratuitas, voltadas para as causas animal e ambiental.

“Dentro dos eventos VegNice, sempre temos uma feira de adoção de animais que são resgatados das ruas e vítimas de maus-tratos. Em nosso último evento, conseguimos lares para vinte animais. Em quatro anos de VegNice, já realizamos 32 eventos, sempre com grande público, sendo que, em alguns deles, chegamos a receber de mil até 30 mil pessoas visitantes, dependendo do espaço e da estrutura do local. Normalmente, nossos eventos acontecem por um ou dois dias, sendo sempre entre as 11h e às 20h, no sábado e no domingo, mas esse horário pode variar dependendo das regras do local do evento. A VegNice também faz ação social mensalmente, em que distribuímos alimentos (refeições veganas) para pessoas e animais em situação de rua”, finaliza Rama.A VegNice tem como parceiros Vegan Park, Visite São Paulo, Cultura Veg, entre outros.

Dados

Os números a respeito do mercado vegano são bastante significativos e revelam toda a força desse segmento. Para se ter uma ideia, estima-se que, somente no Brasil, quase cinco milhões de pessoas pratiquem o veganismo. Esse mercado cresce em torno de 40% anualmente.

Além disso, um levantamento que foi realizado por meio do Google Trends pela Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), mostrou que, somente em quatro anos, o volume de buscas pela palavra “vegano” apresentou um crescimento de 1000% no Brasil.

A tendência de crescimento do veganismo, aliás, é verificada mundialmente. Nos Estados Unidos, por exemplo, aproximadamente 50% dos vegetarianos se declararam veganos, segundo uma pesquisa que foi realizada pelo Instituto Harris Interactive. O número de veganos no país, aliás, dobrou no período de 2009 a 2015. Já no Reino Unido, de acordo com o Ipsos MORI Institute, aproximadamente 33% dos vegetarianos se declaram veganos. O número de veganos por lá cresceu 360% de 2005 a 2015.

Na Europa, no ano de 2015, 14% dos lançamentos foram de produtos veganos ou vegetarianos. Em dois anos, de 2013 a 2015, houve um crescimento de 150% no lançamento de itens veganos.

No Brasil, existe já uma série de estabelecimentos que são totalmente vegetarianos e veganos, mas muitas empresas, que não trabalham exclusivamente com esse público, também incluem esse tipo de item em seus cardápios.

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