Óleo de coco: sim ou não?

No centro da recente polêmica fica o questionamento: o produto passou de aliado da boa forma a vilão?

Uma das febres do momento, o óleo de coco é uma fonte de energia rápida. Por isso, sua fama se estendeu e agradou tanto. Entre os divulgados “milagrosos” efeitos do uso do ingrediente na dieta e beleza, destacam-se o emagrecimento, a saciedade e a hidratação para a pele. No entanto, a “moda” do uso do óleo de coco foi impactada recentemente diante de uma pesquisa anunciada pela Associação Brasileira de Nutrologia (Abran). Conciliada com outros órgãos nacionais de saúde, a Abran avalia que não há evidências de que o ingrediente emagreça. E ainda alerta para o aumento de riscos cardiovasculares que o seu consumo pode causar. As discussões sobre o assunto aumentaram, e é possível encontrar vários tipos de posicionamento a respeito dele.

Posicionamento

A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) oficiaram um posicionamento sobre o uso do óleo de coco para a perda de peso. “Considerando que muitos nutricionistas e médicos estão prescrevendo óleo de coco para pacientes que querem emagrecer, alegando sua eficácia para tal propósito; considerando que não há qualquer evidência nem mecanismo fisiológico de que o óleo de coco leve à perda de peso; considerando que o uso do óleo de coco pode ser deletério para os pacientes devido à sua elevada concentração de ácidos graxos saturados, como ácido láurico e mirístico; a SBEM e a Abeso posicionam-se frontalmente contra a utilização terapêutica do óleo de coco com a finalidade de emagrecimento, considerando tal conduta não ter evidências científicas de eficácia e apresentar potenciais riscos para a saúde. A SBEM e a Abeso também não recomendam o uso regular de óleo de coco como óleo de cozinha, devido ao seu alto teor de gorduras saturadas e pró-inflamatórias. O uso de óleos vegetais com maior teor de gorduras insaturadas (como soja, oliva, canola e linhaça) com moderação, é preferível para redução de risco cardiovascular”.

Papel

Clarissa Fujiwara, nutricionista do Departamento de Nutrição da Abeso, também detalha alguns pontos dessa discussão. “Apesar das mais recentes alegações à saúde atribuídas ao óleo de coco (espécie nucifera), é de suma importância atentar que a maioria das pesquisas atualmente conduzidas a respeito dos efeitos do óleo de coco tem sido realizada em animais, in vitro ou num pequeno número de pessoas e, por esse motivo, ainda não é possível extrair conclusões sólidas acerca do papel desse óleo na saúde humana (diferentemente do número de estudos disponíveis com outros tipo de óleos e gorduras, como o azeite de oliva)”, diz.

As alegações dos supostos benefícios à saúde são feitas, nomeadamente, para a sua atividade antimicrobiana e antifúngica e, inclusive, auxiliaria no processo de emagrecimento pelas possíveis ações promovendo a saciedade, pela redução da velocidade de esvaziamento do estômago e atividade em regiões responsáveis pelo controle da fome e saciedade no sistema nervoso central, além de efeito termogênico, aumentando a taxa de metabolismo basal.

“Quando tratamos do potencial efeito do óleo de coco no processo de emagrecimento, é imprescindível sempre ter em mente que a redução de peso consiste até almejar o peso desejável; é um processo contínuo que deve ser planejado em médio e em longo prazo. O ganho de peso trata de um somatório de diversos fatores, dentre os quais possuem maior importância o ajuste de possíveis erros na alimentação e na prática de exercícios físicos estruturados e frequentes para aumentar o gasto energético e ganho de massa magra”, continua Clarissa.

No que refere às diferenças do óleo de coco para os demais óleos tradicionais utilizados na alimentação, a nutricionista da Abeso indica que apesar de não haver um consenso atualmente estabelecido acerca da melhor gordura a ser utilizada, uma das questões para determinar o tipo mais adequado se baseia na forma de uso quanto ao método de preparo do alimento. De forma geral, recomenda-se não submeter as gorduras às temperaturas demasiadamente elevadas e em cocções por longo tempo. Quando se submete o alimento a temperaturas altas, como numa fritura, é importante escolher um óleo com ponto de fumaça alto que impeça a formação de composto tóxico e com efeitos deletérios à saúde. Isso porque o ponto de fumaça marca quando o óleo atinge uma temperatura especifica (que varia conforme o tipo de óleo) em que ocorre a formação de acroleína a partir do glicerol (glicerina). A acroleína é uma substância sabidamente tóxica, irritante às mucosas e que está associada ao aumento do risco de desenvolvimento de câncer. “O uso do azeite de oliva, por exemplo, é contraindicado para frituras em imersão por seu baixo ponto de fumaça”.

Consumo

Nadia Elis J. Manfredinho Costa, médica especialista em Nutrologia e coach do Instituto Brasileiro de Coaching (IBC), explica tecnicamente que o óleo de coco é um tipo de ácido graxo de cadeia média. “Explicando de forma mais simples, ele é um tipo de ‘gordura boa’ que é transportada diretamente do intestino para o fígado, onde é transformada em energia. Por essa razão, ele não fica depositado em tecido adiposo, ou seja, não é capaz, por si só, de aumentar a gordura corporal”.

Esse óleo deve ser consumido de forma moderada, pois, assim como todos os alimentos saudáveis, se forem utilizados em exagero, trará danos à saúde. “Portanto, duas colheres de sopa de óleo de coco já garantem os benefícios com equilíbrio”, ensina.

Com relação à polêmica, a doutora é enfática. “O artigo divulgado recentemente pela Abran deve ser revisado, sobretudo porque as referências utilizadas pelo estudo concluem pelos benefícios do óleo de coco e não pelos malefícios”, diz. “Apesar de a medicina não ser uma ciência exata, existem inúmeros estudos, livros e trabalhos científicos acerca dos benefícios do óleo de coco para a melhora geral do estado de saúde. No entanto, é importante lembrar que a saúde e a longevidade são alcançadas por meio de inúmeros fatores associados. O que quero dizer é que não existe um milagre, um alimento que sozinho seja capaz de solucionar todos os problemas do indivíduo. Acredito que todos os agentes envolvidos na promoção da saúde devem manter um compromisso com a ética, razoabilidade e equilíbrio, primando por provas científicas, válidas e imparciais daquilo que funciona e do que não funciona ou é inseguro. Cada paciente deve ser tratado de forma individualizada e, no fim, o equilíbrio é sempre a melhor medida”, frisa.

Estudos

Marcela Mendes, nutricionista do Mundo Verde, diz que inúmeros artigos e estudos científicos mostram os benefícios do óleo de coco para a saúde humana. Vários deles apontam seus benefícios para imunidade, ação contra fungos e bactérias, bem como para saúde intestinal e cardiovascular.

“É evidente que não podemos compará-lo com as cápsulas de cafeína, para efeito termogênico, mas sabemos que a gordura do óleo de coco é metabolizada rapidamente pelo fígado e transformada em energia, o que poderia ser influente na perda de peso. Em meio a tantos estudos e descobertas, seria um desperdício desconsiderar o óleo de coco e seus benefícios à saúde. É claro que seu uso indiscriminado e sem orientação pode causar excessos e malefícios, assim como tudo o que consumimos, por isso é necessário conhecimento e informação”, afirma.

O óleo de coco é extraído da fruta fresca, prensado a frio, não passando por nenhum tipo de refinamento. É um produto 100% natural, sem conservantes, corantes ou aromas artificiais. O Óleo de Coco Mundo Verde se apresenta em embalagens de vidro, de 200ml e 500ml. São duas versões da marca: um óleo de coco extravirgem e outro óleo de coco extravirgem orgânico. Este último é extraído da fruta orgânica e recebe o certificado orgânico pela Ecocert.

“Em nossas lojas, diferentes públicos são consumidores do óleo de coco. Muitos de nossos clientes compram para utilização estética e em sua maioria não conhecem as propriedades nutricionais do óleo para consumo. Outros consumidores são adeptos de um estilo de vida mais saudável e o introduzem em sua alimentação diária e/ou semanal, assim como praticantes de atividade físicas também fazem uso”, pontua Marcela.

Com 29 anos, o Mundo Verde se consolidou como pioneiro e líder na proposta de desenvolver e incentivar o conceito de vida saudável através da alimentação, tornando-se a maior franquia do segmento na América Latina, segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF).

Variedade

“Atualmente, milhares de trabalhos científicos e mais de mil livros revelam as propriedades do chamado coconut oil (óleo de coco), rico em ácido láurico, que constitui 47% de seu índice de ácidos graxos. O óleo de coco tem inúmeras ações terapêuticas comprovadas”, reforça Thaise Andrine Casado Vital, nutricionista da Copra Alimentos. “Como pioneiros na produção do mais puro óleo de coco que existe no mercado, possuímos uma variedade imensa do produto, com vários tamanhos: Óleo de Coco extravirgem em embalagens de 200ml, 500ml e 3,2l; Óleo de Coco extravirgem sachê 15ml; Óleo de Coco virgem de 200ml e 500ml; Óleo de Coco extravirgem orgânico de 200ml, 500ml e 3,2l; Óleo de Coco Sem Sabor de 200ml, 500ml e 3,2l,” informa Thaise.

A Copra é uma indústria alimentícia especializada em produtos derivados do coco no mercado desde 1998. Atende pequenos, médios e grandes distribuidores de produtos naturais, produtos para panificação, além de atacados, supermercados e indústrias alimentícias.

Moderação

“O óleo de coco, assim como qualquer gordura, deve ser consumido com moderação, pois também possui valor calórico. Por isso, deve ser inserido na alimentação como uma gordura de substituição, ou seja, trocar alguma fonte de gordura da dieta habitual pelo óleo de coco, e em quantidades moderadas, já que qualquer alimento em excesso torna-se prejudicial”, diz Carolina Favaron, nutricionista da Natue.

A empresa lança neste mês de julho o Óleo de Coco Natue 500ml para compor a linha de produtos saudáveis de sua marca própria. “Em geral, o consumidor de Óleo de Coco Natue é aquele que se preocupa com uma vida saudável através do equilíbrio entre alimentação e exercícios físicos. Esse consumidor é majoritariamente feminino, no entanto, cada vez mais homens aderem ao consumo do óleo de coco, principalmente para uso culinário. São pessoas que buscam conciliar trabalho, família e lazer com o estilo de vida saudável”, fala Mariella Massa, diretora de marketing de marcas próprias da companhia.

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