Não dá para dirigir olhando para o retrovisor

Nesta semana, dois fatos me estimularam a abordar um mesmo assunto. No começo da semana, num cliente nosso que fez seu primeiro planejamento anual agora em 2018, nos deparamos em junho com incríveis 55% de crescimento versus o mesmo mês do ano passado. Um detalhe, o faturamento planejado já levava em conta que a empresa deveria crescer na casa de 50%. Não, não é uma startup e nem uma nova frente de negócios, mas a empresa inteira.

Na reunião de resultados e diagnóstico, um consenso: “crescemos 55% porque não tínhamos notado que o orçamento para junho previa um crescimento tão grande (50%)”.
O ponto é que, muitas vezes, nos prendemos ao que foi o passado, o que a lógica de crescimento aponta, o que parece ser um “bom número de crescimento, acima do mercado”, e isso nos limita.

Quando pensamos, planejamos e executamos a partir do potencial, das oportunidades e dos gaps a serem tratados, é bem provável que haja espaço para irmos muito além de onde temos ido.

Hoje de manhã, 15 minutos atrás, antes deste artigo, estava eu num hotel no Rio, onde me hospedo todos os meses, um 4 estrelas de rede internacional.
Salão do café com uns 50% de ocupação (raramente há mais do que umas 10 ou 15 pessoas simultaneamente), o que significava uns 50 clientes. Faltam pratos, xícaras, reposição de vários componentes do buffet, ovo queimado, chão meio sujo, mesas por serem limpas…

Aguardando trazerem xícaras, falo com outra pessoa à espera e ela me conta que o hotel estava com bastante gente porque há um grupo de 60 pessoas hospedadas há quatro dias no estabelecimento.

Falo com um dos garçons-repositores sobre a xícara e ele me diz: “tem que ter calma, a gente está fazendo tudo o que dá, e já já vêm as xícaras e os pratos, mas 30 pessoas de uma só vez é demais”.

Possibilidades: ou ninguém avisou desde quatro dias atrás que o hotel está mais ocupado do que o normal, ou eles optaram por não reforçar a equipe para o hotel mais ocupado ou simplesmente preferem se basear na ocupação habitual (ruim) para dimensionar o serviço.

E, assim, o serviço é ruim ao ponto de um cliente como eu trocar de hotel na próxima viagem, e a ocupação cairá e dimensionarão um serviço pior para um próximo momento de ocupação maior.
Cuidado. Pode ser cômodo planejar com base no passado, mas pode não ser o melhor!

Artigo anteriorA importância da Gestão do Conhecimento nas operações de Food Service
Próximo artigoOnde está o gerente?
Fundador da Food Consulting e Food Experts, empresas especializadas em Foodservice, criador e titular do curso Gestão Estratégica de Foodservice na ESPM-SP há 10 anos e palestrante sobre o mercado de Foodservice e Alimentação, para várias das mais importantes empresas e associações do país; foi executivo de grandes empresas como Sadia, Ceval, Bunge, 3 Corações, entre tantas outras atuações profissionais de sucesso.

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA