Muitos planos para 2018

Chef Paula Weber ressalta sua atuação nas cozinhas, o dia a dia de um chef e dá dicas para quem deseja trabalhar no segmento

 

Planejamento. Quando se trata da profissão de chef de cozinha, essa é uma das palavras-chaves, conforme destaca Paula Weber. Em entrevista para a Food Service News, a profissional falou a respeito de sua carreira, dos desafios enfrentados, dos seus aprendizados, entre outros temas.

Food Service News: Como você iniciou na carreira?
Paula Weber: A gastronomia sempre fez parte de minha vida. Tenho lembranças que, desde pequena, eu vivia às voltas de panelas e receitas com minha mãe e, depois de crescida, sozinha. Mas antes de iniciar minha carreira como chef de cozinha, estive em uma área completamente diferente: estudei Direito, atuei como advogada e, por muitos anos, meu dia a dia de trabalho era composto por muitos contratos e negociações do mercado financeiro. Casei-me, tive meus dois filhos e, depois de vê-los crescidos, senti que chegava a hora de mudar minha trajetória. Assim, decidi iniciar a graduação em Gastronomia, pela FMU. Bem distante do desejo de abrir meu próprio restaurante ou uma cozinha para catering de eventos, já tinha em mente o foco do meu trabalho à frente de receitas, ingredientes, panelas, fogão e utensílios domésticos: com receitas práticas, mostrar que a simplicidade de uma receita não implica em um prato menos saboroso. Pelo contrário! Depois de ministrar aulas para crianças – uma grande paixão em minha vida –, hoje volto minha dedicação ao site e ao programa Pitadas e Palpites, transmitido pelo canal Chef TV. Lá, preparo receitas acompanhada por crianças que começam a descobrir os encantos da cozinha e provarem novos sabores. Além disso, realizo aulas temáticas de gastronomia.

FSN: Quais foram os principais desafios vividos ao longo do tempo?
PW: Os desafios são muitos, mas destaco, entre eles, o planejamento. Para que um chef consiga desempenhar suas funções, é fundamental trabalhar com organização. Para uma receita perfeita, só um chef conhece o tempo que trabalhou lá atrás até obter o resultado esperado, as muitas horas que antecederam o preparo. E, mesmo assim, em muitas situações, nem tudo acontece conforme o esperado. Imprevistos na carreira como um fogão que não funciona ou algo que não esteja de acordo para uma aula, por exemplo, podem acontecer. Assim, o planejamento com cenário A, B e C, além de um pouco de jogo de cintura, são desafios que colaboram para o crescimento profissional de um chef de cozinha.

FSN: De que maneira os desafios foram superados?
PW: Esses desafios são superados com organização e a percepção para entender o momento, antecipar-se aos possíveis problemas e desenvolver a capacidade para soluções práticas e rápidas.

FSN: E quais foram as maiores conquistas?
PW: Na minha carreira como chef, destaco que minhas maiores conquistas – e que venho desenvolvendo até hoje –, é desmistificar a gastronomia em duas frentes. Para os adultos, mostrar que cozinha não é um ‘bicho de sete cabeças’ e que é possível, sim, preparar pratos fáceis e deliciosos em casa. Descomplicando, cozinhar passa a ser um grande prazer! Coleciono boas histórias de adultos que não se arriscavam entre receitas, ingredientes e fogão e, hoje, sempre me contam o prazer que passaram a ter com a culinária em sua vida. Outra satisfação que tenho é cozinhar com as crianças. Ao envolvê-las no preparo, quebram-se resistências comuns nos pequenos, que afirmam não gostar de um prato sem, ao menos, terem provado! Hoje, tenho alunos que estiveram comigo quando pequenos, são adolescentes e se arriscam nos sabores. São histórias gostosas, como a de um pequeno aluno que, em um dos programas que gravei, preparou comigo um gaspacho de tomate. Quando terminamos o preparo, pedi que ele provasse uma colher. Desconfiado, depois da primeira colher, seguiu uma sequência, que a sopa acabou! Enfim, esse é um exemplo como, aos poucos, é possível ganhar a confiança das crianças para que cresçam adultos abertos aos sabores.

FSN: Para você, o que é a área de alimentação fora do lar hoje?
PW: A alimentação fora do lar está pautada em duas frentes. Destaco, primeiramente, aquela que integra o dia a dia, como para quem trabalha durante a semana e realiza sua alimentação em restaurantes por quilo.
Por outro lado, a alimentação fora do lar também compreende o prazer da gastronomia pela busca de novas experiências. Esse é um momento muito esperado, quando a pessoa escolhe o restaurante e o perfil gastronômico para vivenciar o contexto completo.

FSN: Como obter bons resultados nesse segmento?
PW: Cada vez mais, as pessoas estão em busca de qualidade e excelente sabor. Mesmo sendo um restaurante por quilo, dentro do contexto do dia a dia, o cliente não abre mão de uma comida gostosa e que encha os olhos.
Para isso, organização e planejamento são itens fundamentais. Tanto quanto para um restaurante, isso se aplica também para minha carreira, voltada para o site, programa e as aulas. É importantíssimo entender quem é o público, qual o foco e projetar o que é esperado – tanto por mim quanto pelo cliente. E para a cozinha, trago de minha bagagem os fundamentos jurídicos, que tanto usei em minha carreira como advogada, para estruturar meu trabalho na cozinha. Saber para quem vou ensinar a cozinhar é essencial para conquistar meu resultado: que o aluno aprenda e coloque em prática.

FSN: Quais foram os seus maiores aprendizados até hoje?
PW: Cozinhar é uma alquimia. Mas além da combinação de ingredientes que resultam em uma receita incrível, aprendi a prestar mais atenção nos pequenos detalhes, e que cada preparo é um recomeço e uma forma de melhorar ainda mais. Trazendo para o lado humano, a gastronomia me permitiu escutar e entender melhor as pessoas. Preciso ouvir seus desejos, suas dificuldades e seus olhares para conseguir transmitir o que preciso. Com isso, quebramos resistências, como a de um adulto, que nunca soube cozinhar e decide se aventurar na cozinha, ou quando uma criança que, a qualquer prato sempre falava não, começa a se permitir a conhecer os sabores e partir para um caminho lindo em sua alimentação.

FSN: Como é o dia a dia de um chef?
PW: Nosso dia a dia é bastante diverso! Divido minhas atividades entre pesquisar receitas, ingredientes, planejar e testar as receitas. Além disso, ainda cuido diretamente da minha agenda de aulas e gravações, visitas em feiras e novos restaurantes.

FSN: Para você, o que é uma boa receita?
PW: A receita perfeita é aquela que consegue realçar o sabor dos ingredientes. Sempre digo que uma receita complexa nem sempre é garantia de sucesso, pois quando não conseguimos identificar os sabores, perde-se muito. Além disso, a receita precisa ser funcional e que, ao ler a descrição, nossa percepção já indique que ‘vai dar liga’ no momento de combinar os ingredientes. É mágico!

FSN: Quais conselhos que você dá para quem deseja trabalhar no setor?
PW: Recomendo a paciência e a prudência para não esperar os resultados de forma imediata. É preciso não ter medo de trabalhar e estar disposto à rotina de chef, que envolve ficar muitas horas em pé, ser desprendido com horário e ter uma dose extra de disposição e bom humor.

FSN: Quais são os seus planos em médio e em longo prazo?
PW: Comecei 2018 com muitos planos! Ainda no primeiro trimestre, estou finalizando a produção do meu livro ‘Família Cuca’ para ser lançado. Além disso, desejo implementar meu projeto de aulas ‘Família na Cozinha’, fortalecer meu canal no YouTube e realizar um projeto de aulas para adolescentes. Tenho vários casos de crianças que ensinei os primeiros passos na cozinha e que, hoje, estão saindo de casa para estudar fora. Quero seguir a próxima fase com eles, ensinando como se virarem sozinhos na cozinha.

FSN: Como alcançar, em sua opinião, o sucesso profissional?
PW: Com perseverança e muito trabalho.

Paula Weber – Pitadas e Palpites
pitadasepalpites.com.br