Fs Internacional: Método inovador

Pesquisadores dos Estados Unidos desenvolvem produto capaz de detectar bactérias na água e em amostra de alimentos

A busca por inovações que realmente sejam capazes de fazer a diferença é algo constante no mercado de alimentação há alguns anos e tem feito com que muitos foquem nisso para propor soluções para os mais diversos conflitos no dia a dia, estabelecendo uma nova realidade para o segmento e tornando-o cada vez mais atrativo. Vários métodos têm sido pensados para que haja mais facilidade, mais conforto, mais segurança, mais higiene, entre outras características relacionadas ao assunto, originando novas perspectivas para os consumidores e abrindo novos horizontes para os vários envolvidos nos processos.

Diante desse cenário que tem se mostrado bastante promissor para um grande número de profissionais e para os consumidores de maneira geral, cientistas da Universidade de Massachusetts, que fica localizada nos Estados Unidos, trabalharam no desenvolvimento de um novo método para detectar bactérias na água ou, ainda, em alguma amostra de alimentos. O produto oferece, entre as suas muitas vantagens (você pode conferir mais a respeito dos benefícios na entrevista abaixo), o fato de ele ser de baixo custo, além de também ser caracterizado por sua rapidez, o que o favorece bastante e faz com que o item venha sendo um destaque.

Quando disponível comercialmente, o produto vai ser de grande importância para aqueles que querem fazer os seus pratos utilizando, para isso, vegetais e frutas frescos, de uma maneira mais saudável.
Conforme destacou Lili He, uma das pesquisadoras que atuaram no desenvolvimento desse novo método, a maioria das pessoas ao redor do globo acaba cozinhando os produtos alimentícios antes de elas ingeri-los. Mas não é em todo local que isso, de fato, acontece. Nos Estados Unidos, por exemplo, já há algum tempo, tem sido notado que um número cada vez maior de indivíduos optam por comer itens crus. Foi justamente esse fato narrado aqui, aliás, que foi um dos propulsores para o estudo que tem Lili He como uma das participantes.

De acordo com Lili He, a contaminação microbiana tem sido um assunto de importância neste momento em especial, dados alguns fatos que têm acontecido hoje. A profissional ressalta que essa já é uma preocupação que existe há um bom tempo entre várias pessoas, no entanto, é a “número um” atualmente nos Estados Unidos quando o assunto é a segurança alimentar, o que mostra a importância de se buscar soluções diferenciadas em relação a esse tema.

Atuação
Falando a respeito de Lili He e de sua atuação, a profissional conta com uma grande experiência no segmento, conforme aponta o currículo dela. As áreas de estudo de Lili He são química analítica, espectroscopia Raman, integração, imagem celular, nanofabricação, caracterização, detecção rápida e mapeamento químico. A profissional é bacharel em agronomia pela Universidade de Zhejiang, tem mestrado em agronomia – patologia vegetal também pela Universidade de Zhejiang e é PhD pela Universidade de Missouri-Columbia.

Atualmente, ela é professora assistente do departamento de ciências dos alimentos na Universidade de Massachusetts e assistente de pós-doutorado/pesquisa no departamento de nutrição alimentar da Universidade de Minnesota.
A profissional também é membro do Institute of Food Technologists (IFT), da sociedade química americana (ACS) e do conselho editorial da Food Research International, entre outras experiências que revelam uma trajetória profissional de êxito ao longo do tempo.

Em entrevista que foi realizada pela revista Food Service News com Lili He, a pesquisadora falou mais a respeito desse assunto, revelando questões de relevância para o entendimento do tema. A profissional contou, por exemplo, como o método foi desenvolvido por ela e pelos demais pesquisadores, de que forma ele foi idealizado, quais são os seus principais diferenciais apresentados, de que maneira o mercado pode ser afetado por meio dele, entre outras questões que são relacionadas ao tema.

Lili He também ressaltou por quanto tempo ela trabalhou nesse método, inclusive as modificações que foram realizadas ao longo do período, os custos, e mais assuntos que você poderá conferir a seguir.

Food Service News: Descreva o método desenvolvido por você e por seus colegas para detectar bactérias em alimentos e água.
Lili He: Esse método usa um chip revestido com uma molécula especial para capturar bactérias. As bactérias podem ser visualizadas usando um smartphone com um adaptador de microscópio barato.

FSN: Como esse método foi pensado?
LH: A ideia veio de outro projeto de pesquisa que temos feito há anos, ou seja, ‘desenvolva uma espectroscopia Raman de superfície melhorada para a detecção de bactérias’. Durante o experimento, encontramos que as bactérias capturadas no chip apareceram como “pontos negros” sob uma lente objetiva de baixa ampliação. Então, pensamos em usar um celular para ver esses “pontos pretos”, e é possível.

FSN: Por quanto tempo você trabalhou nisso?
LH: Trabalhamos na detecção de bactérias por 3-4 anos, mas ao longo do verão passado, começamos a usar o celular como dispositivo para detecção.

FSN: Quais são os principais diferenciais em relação ao que existe no mercado hoje?
LH: Há uma variedade de métodos diferentes disponíveis no mercado para a detecção de bactérias, no entanto, eles são demorados, caros ou não muito sensíveis. Nosso método é rápido, barato e muito sensível.

FSN: Esse método é mais importante neste momento, quando há um tipo de retorno ao consumo de itens brutos?
LH: Esse método tem uma variedade de aplicações, incluindo uso doméstico, ou como uma ferramenta educacional para as crianças brincarem. Neste momento, a nova regra da FSMA nos Estados Unidos exige que os agricultores testem bactérias na água. Então, esse método pode desempenhar um papel para isso também.

FSN: Como esse método pode afetar o mercado de alimentos?
LH: Esse método oferece aos consumidores a oportunidade de testar bactérias em casa. A consciência e a ação para a detecção bacteriana em casa podem, eventualmente, resultar em feedback positivo para a prevenção de doenças transmitidas por alimentos em casa.

FSN: E quanto aos custos do método? O que podemos destacar sobre o assunto?
LH: Eu estimo o chip em menos de 1 dólar. Com a produção maciça, pode ser muito mais barato, e o adaptador microscópico é inferior a US$ 20.

FSN: Você acredita que esse método pode revolucionar o setor?
LH: Espero que sim. Estamos buscando um parceiro industrial para comercializar o chip e desenvolver o software. Também estamos trabalhando em diferentes produtos de chip para patógenos específicos, como Salmonella, Listeria.

FSN: Atualmente, quais são suas áreas de pesquisa? Você trabalha em qualquer outra coisa relacionada à comida?
LH: Minha pesquisa se concentra em métodos analíticos inovadores para detectar contaminantes alimentares, como bactérias, pesticidas, antibióticos, nanopartículas projetadas, e caracterizar suas interações com os sistemas alimentares. Minha principal ferramenta analítica é a espectroscopia Raman de superfície melhorada. O estudo celular é apenas um trabalho prolongado do trabalho do SERS.

Lili He
www.umass.edu/foodsci/faculty/lili-he

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