Geração Saúde
A junkie food é mais rejeitada pelo público a cada dia...
Julia Moreira
...e o fast food agrega componentes mais saudáveis aos seus cardápios a fim de conquistar a nova geração
No início dos anos 2000, a mania fitness explodiu no Brasil, levando as pessoas a se preocuparem cada vez mais com a boa forma física e, consequentemente, com uma alimentação cada vez mais saudável. O combate à obesidade se tornou um tema cada vez mais discutido. Foi a partir daí que surgiu um repúdio da população ao chamado junkie food, alimentos com alto teor de gordura, sódio e açúcar. E o mercado de food service teve que se adaptar a essa nova tendência.
Foi pensando em atender essa nova mudança que a maior rede de fast food do mundo, o MC Donald’s, acrescentou ao seu cardápio verduras, frutas, legumes crus, água de coco, sucos, entre outros produtos naturais. “Essa variedade possibilita ao cliente ter a liberdade de compor uma refeição balanceada, de acordo com as suas necessidades individuais”, afirmou, em nota, a assessoria da empresa.
Ainda pensando em atender as necessidades alimentares de cada um, o MC Donald’s disponibilizou em suas lojas, e em sua página na internet, as informações nutricionais dos alimentos. Para a professora do curso de nutrição da PUC Minas e nutricionista da Secretaria de Saúde de Belo Horizonte, Tatiana Rangel, essa iniciativa é muito importante. “Além de fornecer opções saudáveis nos seus cardápios, as redes de alimentação têm investido na informação nutricional, através de meios como a composição nutricional nos cardápios e o próprio forro de bandeja que acompanha os pratos. Estas informações são importantes, pois o público tem a oportunidade de receber uma informação adequada, o que pode contribuir para suas escolhas alimentares futuras”, afirma. No site do MC Donald’s ainda é possível encontrar um simulador que permite ao cliente calcular o seu índice de massa corporal, e verificar se está ou não acima do peso.
Mas, a tendência fitness fez com que as empresas fossem ainda mais longe. Pensando em atender à demanda por uma alimentação saudável, juntamente com o estilo fast food, em 2003, o empresário Ricardo Ferraz lançou o restaurante Wraps Light Food and Smooths.
O sanduíche conhecido como wrap surgiu nos Estados Unidos a partir de uma adaptação do taco, alimento tipicamente mexicano, e logo ganhou características do junkie food, com recheios ricos em gorduras, sódio e açúcar. Mas, ao serem importados para o Brasil, os sanduíches enrolados ganharam novas caras e se tornaram um alimento sofisticado e saudável. Assim como o recheio, o pão usado para fazer o wrap é elaborado com uma quantidade de carboidratos mínima. Para acompanhar, o cliente pode optar por uma salada ou uma sopa, alimentos saudáveis e preparados com a rapidez de um fast food.
Seguindo as novas tendências do mercado, em três anos o Wraps Light Food and Smooths tornou-se a maior rede de comida light do Brasil, com seis lojas espalhadas pela cidade de São Paulo e uma no Rio de Janeiro. A rede prepara ainda um modelo de franquias que deve ser lançado em breve. Segundo o proprietário, Marcelo Ferraz, a idéia inicial é expandir o restaurante pra o interior de São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro, por meio do sistema de franquias.
Para a nutricionista Tatiana Rangel, alimentar fora de casa é uma necessidade da contemporaneidade, devido a falta de tempo para retornar em casa e preparar as refeições. Ela ressalta ainda que a alimentação, além de ser uma necessidade biológica, é uma prática social que está envolvida na convivência. Para ela, os alimentos se compõem tanto de nutrientes como de significados e cumprem tanto uma função biológica como social. “A escolha alimentar é um processo complexo que envolve fatores sócio-culturais e psicológicos e devido à indiscutível importância e participação das redes de alimentação neste processo, é necessário que as mesmas ofereçam opções saudáveis nos seus cardápios”, destaca.
A advogada Izabela Vargas optou por mudar seus hábitos alimentares há cerca de quatro anos. Ela acredita que as novas opções de fast food com comidas mais saudáveis ajudam muito as pessoas que precisam comer fora de casa, mas reclama que os alimentos oferecidos nesses restaurantes ainda são muito mais caros do que alimentos comuns. “Um suco de laranja em um restaurante é mais caro que uma lata de refrigerante, deveria seu ao contrário”, exclama. Izabela entende a diferença nos preços, mas acha que o governo deveria oferecer subsídios às empresas que comercializam produtos mais saudáveis. “Ainda é muito caro alimentar de forma saudável, dentro ou fora de casa, o governo deveria incentivar esse tipo de alimentação oferecendo subsídios aos seus fornecedores”, conclui.
Mesmo com as diferenças nos preços, uma pesquisa encomendada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) ao Ibope mostra que os alimentos industrializados mais saudáveis nunca foram tão procurados por famílias de todas as classes sociais. A pesquisa, que ouviu 1,5 mil famílias em todo o país, mostra que 69% dos entrevistados leem todas as informações nutricionais da embalagem antes de comprar. Na lista de prioridades, os consumidores querem saber primeiro quantas calorias têm o alimento, essa preocupação atinge 52% das pessoas ouvidas. Em seguida vem o nível de gordura, com 39%. Outro dado interessante apresentado pela pesquisa é o crescimento na preocupação com a gordura nos alimentos dentro de famílias pertencentes as classes D e E, 43% das famílias ouvidas. •
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