Maior Alinhamento

O mercado de foodservice tem convivido com o surgimento e crescimento relativamente rápido de indústrias, atacadistas/distribuidores e prestadores de serviço, com posicionamentos variados e um propósito principal: atender à demanda desenfreada de refeições fora de casa.

Neste cenário as empresas têm lidado com a necessidade de amadurecer sua estrutura (pessoas, processos, tecnologia, etc.) em velocidade compatível com a demanda dos clientes que são cada vez mais exigentes. Inovar práticas, melhorar processos e modular uma cultura de atendimento, são desafios cotidianos para firmar posição neste pujante mercado.

Ao acompanhar os passos do ambiente de negócios foodservice, em artigos, literatura acadêmica e principalmente atento ao dia-a-dia de grandes empresas do setor, pode-se constatar muitas iniciativas em termos de melhoria de processos e aplicação de tecnologia, buscando acompanhar as necessidades dinâmicas de um setor que vem se expandindo a uma taxa média superior a 10% ao ano.

As empresas de refeições coletivas, que modula e pressiona a curva de crescimento no setor, se vêem, cada vez mais forçadas a desenvolver estratégias inovadoras de desenvolvimento humano e modelagem de sua cultura de produção e atendimento. Considerando que o setor abre cerca de 12 mil novos postos de trabalho por ano, segundo estimativa da ABERC (Associação Brasileira das Empresas de Refeições Coletivas), como desenvolver e alinhar toda essa força de trabalho com os objetivos das empresas e com as expectativas dos clientes?

Está claro que a oferta de pessoal especializado não acompanhou os avanços tecnológicos incorporados pelo setor. Lideranças empresariais reconhecem que este é um dos maiores gargalos atualmente enfrentados pelo setor, que serve 6,5 milhões de refeições dia e fatura 6,9 bilhões de reais. Em função disso, o tempo dedicado a treinamento de colaboradores, pelas empresas, tem sido ampliado; ainda que a questão do custo de programas de treinamento seja apontada, algumas vezes devido à dificuldade de abordagem, como um fator crítico.

Então, como obter comprometimento da equipe com princípios e valores da cultura de produção e atendimento de sua empresa? Como desenvolver comprometimento com resultados operacionais, sem perder de vista a qualidade do atendimento a clientes e do ambiente de trabalho?

Na área da formação e desenvolvimento de equipes, duas vertentes têm sido principalmente exploradas. A primeira delas, mais tradicional e comum, se dá pelo treinamento em Competências técnicas e humanas voltadas para resultados específicos. São mais focadas no colaborador individualmente, em suas circunstâncias profissionais e pessoais, e geralmente são promovidas diretamente por departamentos competentes ou entidades especializadas.

Na segunda vertente, mais recente e inovadora, são desenvolvidas ações de Alinhamento e Corporativo. Aqui o foco está mais voltado para desenvolvimento de equipes e lideranças, envolvendo a todos com valores corporativos que efetivamente sustentam uma proposta de valor para o mercado e trazem significado para o trabalho de cada colaborador.

Esta abordagem tem o mérito de fortalecer vínculos interpessoais em favor da empresa, aproximando objetivos pessoais, profissionais e corporativos. Torna interessante e motivador para os participantes a conquista de parâmetros de rentabilidade, resultados operacionais, satisfação de clientes, melhoria de processos, etc; na medida em que oferecem claramente para cada colaborador objetivos a serem alcançados individualmente e em equipes e os compatibilizam com recompensas tangíveis e intangíveis.

Ao mesmo tempo, promove a descentralização da responsabilidade pelo crescimento do capital humano, transferindo-a da área ou departamento especializado da empresa, tipicamente o RH, para cada uma das lideranças, que, orientadas, buscam equilibrar expectativas e desenvolver planos com cada colaborador; compartilhando melhor o risco e comprometendo cada um, como co-signatários, com os valores, resultados e benefícios propostos.

Com essa nova visão, implementando a cultura de produção e relacionamento corporativo apregoada pela alta gestão da empresa, conseguimos fortalecer a média gerência e a estrutura de equipes, tornando-as mais autônomas e alinhadas. Mais que isso, conseguimos equilibrar o Contrato de Gestão, instrumento escrito que explicita os objetivos, metas, prazos e expectativas entre cada colaborador e a empresa e define indicadores de resultado para acompanhamento da evolução.

Programas de Alinhamento Corporativo têm produzido resultados surpreendentes em prazos proporcionalmente mais curtos, desinibindo a capacidade produtiva dos colaboradores com a valorização de suas competências presentes (reconhecimento), com a clareza de objetivos coletivos a serem alcançados (perspectivas), com o fortalecimento de vínculos de relacionamento (ambiente) e com o compartilhamento de resultados (recompensa). Assim os programas de treinamento e desenvolvimento de competências, indispensáveis, passam a fazer sentido dentro de um todo estratégico e produzem melhores efeitos, pois estão atrelados à conquista de parâmetros de resultados.•

João Pedro de Martins Rezende

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