Inovação no escuro

Tenho acompanhado, nos últimos anos, através de trabalhos realizados tanto para indústrias quanto para redes de alimentação, que o processo de desenvolvimento de produtos e soluções, independentemente da área que seja responsável por isso na empresa, não considera, na maior parte dos casos, um fator que deveria ser mandatário: a necessidade do cliente.

As inovações, normalmente, são motivadas pelo que a concorrência está fazendo, por necessidades comerciais, por ondas de tendências seguidas sem subsídio técnico ou racional estratégico ou por pesquisas que mapeiam o varejo de autosserviço e que são de pouca valia para uso em um mercado com especificidades como é o do food service.
Por esse motivo, vemos, com frequência, itens produzidos para o food service em embalagens inadequadas ou ultrapassadas, seja pela dimensão, pelo formato, pela quantidade de produto ou pelo material utilizado. Nomes de produtos inadequados ao perfil do cliente que os utilizam. Sugestões de uso e aplicação distantes da realidade do cliente e dos hábitos de consumo e utilização no mercado.

Nas redes e no mercado pulverizado, o trabalho de desenvolvimento de produtos, muitas vezes, segue por inércia o movimento dos líderes do segmento, como se as aplicações, conceitos e produtos obrigatoriamente fossem aplicáveis e coerentes de forma comum para todas as marcas e conceitos de negócio.
Por esse motivo, vamos às praças de alimentação e parece que todo mundo vende a mesma coisa.

Falta para a indústria ouvir os clientes com relação às suas necessidades. Quando falo em clientes da indústria, me refiro tanto aos operadores quanto aos distribuidores e às indústrias de transformação e beneficiamento de produtos.
No caso das redes, o cliente a ser ouvido é tanto o cliente final quanto os franqueados, através de pesquisas constantes de satisfação, características de consumo e necessidades associadas à frequência e à escolha do estabelecimento.

As coisas podem até funcionar da maneira como são feitas atualmente, mas tenha certeza de que, com inteligência e informação, a performance é sempre melhor.
Vale a pena tentar.

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