FS Pesquisa: Picolé resistente ao calor já é real

picole

Criado pelos idealizadores do estúdio de design Bompas & Parr, o produto suporta temperaturas acima de 24°C sem derreter por até uma hora

Um picolé resistente ao calor deve ser lançado em breve. A iguaria já foi testada no ano passado pelos seus criadores Sam Bompas e Harry Parr. A dupla inglesa é idealizadora do Bompas & Parr, um estúdio de design que trabalha com marcas comerciais, instituições artísticas, clientes particulares e governos para oferecer experiências emocionalmente atraentes a uma ampla variedade de público.

“Nós começamos há onze anos e meio como fabricantes de geleia artesanal e, desde então, trabalhamos para criar espetáculos culinários em quase todos os continentes”, diz Sam Bompas, diretor do Bompas & Parr.

Conforme Bompas, o picolé resistente ao calor suporta até uma hora em temperaturas acima dos 24º C sem derreter. “O Ice-Lolly que não derrete foi criado no ano passado para a nossa exposição ‘SCOOP: Um maravilhoso mundo do sorvete’. Foi o verão mais quente de todos os tempos em Londres. Por isso, a inovação culinária foi, particularmente, bem-vinda. Atualmente, estamos analisando os planos para lançá-lo no próximo verão”, destaca Bompas.

O picolé resistente ao calor chegou a ser degustado por alguns adultos e crianças durante um dia da exposição citada por Bompas, que ocorreu no Museu Britânico da Comida, no segundo semestre de 2018. Ainda segundo o designer, o produto foi criado com objetivo de “evitar que as mãos dos consumidores de picolés fiquem pegajosas, permitindo que elas permaneçam sobre o palito”.

Bompas afirma que a iguaria foi pensada a partir do pykrete, que é um material mais duro que o concreto e que surgiu durante a Segunda Guerra com a ideia de ser usado para fabricar navios resistentes a ataques, sendo, inclusive, também conhecido pelo termo ‘gelo inquebrável’. Entretanto, como a substância original era feita com serragem de madeira e algodão adicionados à água, ou seja, itens não comestíveis, os ingleses substituíram esses ingredientes por fibras de frutas.

A iguaria já foi testada no ano passado pelos seus criadores Sam Bompas e Harry Parr. A dupla inglesa é idealizadora do estúdio de design Bompas & Parr

“A inspiração por trás dessa invenção culinária da Bompas & Parr é o pyrkete, um material de composição congelada feito com uma combinação de serragem e polpa de madeira dispersa no gelo. O inventor, Geoffrey Pyke, propôs, pela primeira vez, seu composto homônimo, que tem propriedades similares ao concreto, durante a Segunda Guerra Mundial, como um material alternativo para construir uma estrutura impermeável que poderia formar uma imensa pista flutuante no meio do Oceano a partir da qual as aeronaves poderiam fazer surtidas de proteção”, conta Bompas. “Inspirado por trenós de gelo, que foram reforçados com musgo, ele iniciou experimentos na criação de superforça de gelo em um local secreto sob Smithfield Meat Market, em um frigorífico refrigerado escondido atrás de carcaças de animais congelados. A proposta foi tratada como brincadeira por parte de alguns oficiais da Marinha, mas ele estava entusiasmado com isso. Em última análise, o projeto foi abandonado devido ao aumento dos custos e mitigado pelas faixas mais longas que as novas aeronaves poderiam alcançar. Usamos isso para criar a nossa própria ‘pitada de pirita’ nos primeiros picolés de gelo não fundentes do mundo, substituindo a serragem e a polpa de madeira na receita por fibras de frutas comestíveis. Esses picolés de inspiração no pykrete duram mais do que os gelatos convencionais expostos às mesmas temperaturas”, detalha.

Repercussão

Sobre os detalhes do lançamento do picolé resistente ao calor, como, quando e onde será comercializado, por qual preço e quais sabores estarão disponíveis, Bompas respondeu que ainda não pode passar essas informações. Enquanto isso, a novidade gera bastante repercussão, principalmente entre especialistas da área das indústrias e do setor de sorvetes.

Eduardo Dalcin é diretor de Supply Chainn da Perfetto Sorvetes, quinta maior indústria de sorvetes do Brasil com capacidade de produção de 100 mil litros de sorvete por turno. Ele afirma que soube da invenção do picolé resistente ao calor, mas que tem suas ponderações em relação ao produto.

“Nós temos o Big Roll, único sorvete de corte do mercado nacional. Por sua vez, tende a ter uma resistência maior do que um sorvete tradicional de pote”, diz Eduardo Dalcin, diretor de Supply Chainn da Perfetto Sorvetes

“Soubemos do desenvolvimento no exterior desse produto, mas nossa impressão é de que esse sorvete possui apenas uma durabilidade maior se comparado com o sorvete tradicional. Entendo que ainda irá requerer uma logística refrigerada como qualquer outro. Além disso, essa novidade vai contra a questão da cremosidade que o sorvete pede”, pontua.

Dalcin ressalta: “Não sabemos de nenhuma empresa brasileira desenvolvendo sorvete semelhante. Porém, nós temos o Big Roll, único sorvete de corte do mercado nacional. Por sua vez, tende a ter uma resistência maior do que um sorvete tradicional de pote, em virtude da sua embalagem e formulação diferenciada. Apesar dessa resistência maior ao calor, é preciso refrigerar o produto como qualquer outro sorvete. A linha Big Roll facilita na hora de servir a sobremesa por ser de rolo, auxiliando na elaboração de receitas mais sofisticadas. Hoje, nossa linha conta com os sabores de açaí, chocolate, morango, flocos, creme e creme trufado”, diz.

O diretor de Supply Chainn acredita que o mercado mundial de sorvetes requer, sim, lançamentos diferentes. “O consumidor de sorvete é ávido por novidades, o que traz dinamismo ao mercado e força os fabricantes a manter um ritmo constante de lançamentos e inovações. Nossas apostas para 2019 procuram trazer novas maneiras de se consumir sorvete, fugindo do tradicional pote de dois litros. Para isso, trazemos nossa linha de multipacks, caixas de picolé para se consumir em casa; o Big Roll, que pode ter muita utilidade no segmento food service, em restaurantes ou eventos; e a linha Perfetteria, com sobremesas congeladas prontas para servir, como petit gateau e brownie de chocolate. Nossa expectativa é de um crescimento geral do setor em 2019 após anos de estagnação, em virtude da recuperação da economia e do emprego. Adicionalmente, os resultados do nosso setor estarão atrelados ao clima, já que ainda dependemos diretamente do calor, uma questão cultural do país”, avalia.

Mercado brasileiro

De acordo com a assessoria de imprensa da Associação Brasileira das Indústrias e do Setor de Sorvetes (Abis), o Brasil ocupa a sexta posição no consumo de sorvetes em todo o mundo, perdendo apenas para a Nova Zelândia, Estados Unidos, Austrália, Finlândia e Suécia.

Atualmente, existem dez mil empresas do ramo no país, sendo que 92% são micro e pequenas organizações. O setor nacional gera 75 mil empregos diretos e 200 mil indiretos.

Bompas & Parr
www.bompasandparr.com

Perfetto Sorvetes
www.perfetto.com.br

Abis
www.abis.com.br

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