Tendência: Frescor do sabor havaiano

Nova onda saudável incutida no prato Poke conquista o Brasil

Um prato chamado Poke tem conquistado os brasileiros e ampliado o mercado de comida havaiana no país nos últimos dois ou três anos. No dialeto havaiano, Poke quer dizer “cortar”. Nome bem apropriado para um prato que é feito, geralmente, de peixe picado em cubos, marinado, acompanhado de algas, cebola, folhas, frutas e arroz. Contudo, o Poke não tem uma receita fixa, o que o torna uma opção bastante versátil. O prato lembra um pouco as culinárias japonesa e peruana e, normalmente, é servido em tigelas.
Criado no pós-praia havaiano com o intuito de ser uma refeição leve, saudável e prática, o Poke é muito consumido no Havaí, que é um arquipélago localizado no meio do Oceano Pacífico, sendo um dos 50 estados norte-americanos. O Havaí é famoso mundialmente como o paraíso dos surfistas e pelo seu clima tropical. Porém, a capital do estado, Honolulu, apresenta uma gastronomia recheada de influências de seus colonizadores, rica em peixes, folhas, frutos do mar e frutas, características bem parecidas com as de algumas cidades do litoral brasileiro, o que pode explicar a grande aceitação da comida havaiana no Brasil.

Segundo o Instituto Datafolha, em 2016, 56% dos estabelecimentos gastronômicos do Brasil notaram que seus clientes estavam mais interessados no consumo de alimentos saudáveis; 53% dos entrevistados ainda observaram um aumento na procura por frutas e 61% disseram que os clientes estão consumindo mais legumes e verduras. Já segundo projeção da Euromonitor, o mercado de alimentos saudáveis deve movimentar R$ 63,5 bilhões em 2018 no Brasil, alta de 0,8% em relação ao ano passado. Por isso, no momento em que o mercado de food service brasileiro segue as tendências de refeições personalizadas, saudáveis e cozinhas étnicas e regionais, o Poke, com certeza, trouxe uma nova onda ao ramo.
Onda essa que contribui para que o frescor havaiano conquiste, cada vez mais, o paladar brasileiro e investidores desbravem esse novo nicho de mercado, como já fizeram, por exemplo, os proprietários das casas de comida havaiana Aloha Poke Brasil, Samba Fresh, Let’s Poke e My Poke.

Frutos
Localizada em Belo Horizonte, Minas Gerais, a casa de comida havaiana Aloha Poke Brasil é fruto de um projeto de Pedro Lacerda, de 29 anos e empresário, e Juliana Braga, de 26 e advogada. Os dois contam que, há um bom tempo, estudavam algumas possibilidades para abrirem um negócio alimentício. Eles chegaram a pensar em massas e pastéis gourmet, mas, um amigo do casal, proprietário de um restaurante japonês em Sete Lagoas, interior de Minas, os apresentou à comida havaiana.
“A alimentação saudável está em alta e a cada dia mais presente na vida dos brasileiros. Vimos na culinária havaiana a oportunidade de unirmos a tendência com a necessidade da população de comer bem, de forma saborosa e saudável. Pesquisamos restaurantes semelhantes em Belo Horizonte e ainda não existiam, mas vimos que na cidade de São Paulo essa gastronomia já estava em grande ascensão. Assim, fomos em busca de pessoas capacitadas para nos passarem todo know-how necessário para que pudéssemos servir uma comida a altura da exigência das pessoas”, explicam os sócios.

Os dois tiveram um gasto de R$ 70 mil como investimento inicial e, hoje, já faturam em torno de R$ 50 mil mensal. Os sócios apontam o Poke como o prato carro-chefe da casa e preveem aumento de 30% nas vendas este ano. Eles revelam, ainda, que fizeram algumas adaptações e novas criações em relação à comida havaiana para trazer diferencial ao negócio. “A nossa proposta é que o cliente monte o seu Poke da forma que preferir. Nossos molhos são feitos por nós, o que dá todo o toque especial ao sabor desse típico prato havaiano. Criamos também o primeiro Sushi Burrito de Belo Horizonte, que conta com o formato do burrito mexicano com o recheio do sushi japonês que também pode ser montado pelo cliente. Uma verdadeira e perfeita combinação de sabores”, compartilham.

Negócio
A casa de comida havaiana Let’s Poke fica em São Paulo, capital. O negócio é de Ricardo Bottura, de 30 anos e diretor comercial da empresa Rapiddo Entregas, e de outros investidores. O empresário diz que foi feito um investimento inicial de aproximadamente R$ 400 mil para montar e inaugurar o restaurante. Ele também garante que foi gasto bastante tempo pesquisando sobre o ramo de comida havaiana. “Gastamos praticamente oito meses pesquisando sobre o modelo de negócios. Chegamos a montar diversas versões de business plan para entender o retorno que poderíamos ter com esse tipo de restaurante. Pesquisamos muito sobre a comida havaiana e fizemos toda a construção da marca com uma assessoria de marketing. Contratamos também uma consultoria de nutricionistas com mais de 30 anos de experiência na montagem de restaurantes, uma dupla de arquitetas, além da nossa assessoria de imprensa”, conta Bottura.

O proprietário do Let’s Poke afirma que também visitou diversos restaurantes fora do Brasil e buscou ajuda especializada para a contratação do cozinheiro chefe e de toda a equipe do Let’s Poke. Tal pesquisa e suporte lhe serviram para descobrir que “o investimento na culinária havaiana no Brasil está crescendo muito e arrisco dizer que irá crescer ainda mais nos próximos dois a três anos. Hoje, em São Paulo, junto com o Let’s Poke, tem mais umas duas ou três marcas fortes de Poke. Porém, já começaram a surgir muitos aventureiros no mercado e que podem não conseguir tocar o negócio de forma rentável ou garantindo a qualidade para que os clientes voltem com frequência ao restaurante. Muitas pessoas acreditam que investir em um restaurante é algo fácil e que traz retorno, mas o dia a dia do negócio é bastante corrido e complicado. A gestão tem que ser feita de perto para que o negócio seja rentável, e a expansão também necessita de muito planejamento”, enfatiza o empresário.

O prato mais vendido do Let’s Poke é exatamente o Poke, que, de acordo com Bottura, também pode ser montado conforme a vontade do cliente. “O que mais sai no nosso restaurante é a opção de monta seu próprio Poke. As pessoas gostam de poder escolher todos itens que mais gostam ou que estão com vontade de comer naquele dia. Nossos produtos ficam expostos, e o cliente consegue ver o que mais lhe atrai”.

Ele ainda ressalta que “a comida havaiana tem itens parecidos com a culinária japonesa, que já mostrou ser um sucesso no Brasil. Isso facilita a experimentação dos clientes. Além disso, agregamos outros alimentos muito ricos como castanhas, frutas, mix de folhas, entre outros. Isso tudo em um bowl, por um preço acessível, com a ótima qualidade dos produtos que serviços e o sabor delicioso é uma combinação irresistível”.

Os Pokes do negócio de Bottura também são vendidos por delivery, e o faturamento mensal ou anual não foram divulgados pelo empresário. Em contrapartida, ele revelou que visa expandir os negócios em 2018. “Nossa expectativa é ampliar o número de lojas por meio de investimentos próprios e com investidores capitalistas. Pretendemos consolidar nossa posição no delivery como o Poke mais bem avaliado no iFood e demais plataformas, além de investimentos em marketing para firmar nossa marca”, destaca.

Tendência
Outro negócio de comida havaiana que tem o Poke como a estrela da casa é o restaurante Samba Fresh, também localizado em Belo Horizonte, Minas Gerais, assim como o Aloha Poke Brasil.

O empreendimento é do carioca Leonardo Apparício, de 37 anos e veterinário, e de mais dois sócios, Gabriel Naves e Daniel Nunes. Inicialmente, o trio pretendia abrir uma casa de sucos e/ou temakeria na garagem desativada do hostel que Aparício já tinha junto com Daniel. Porém, no fim de 2016, os empresários conheceram o Poke por meio de um amigo de Apparício e resolveram, então, investir na comida havaiana.
“Nunca tínhamos ouvido nem falar esse nome Poke, mas descobrimos que era uma tendência que estava chegando em São Paulo. Então, mudamos o negócio aos 45 do segundo tempo. A estrutura e a mão de obra eram a mesma, íamos mudar apenas o tempero e a forma de apresentar. Por isso, não foi uma grande dificuldade fazer essa alteração de última hora. E foi unânime. Os três concordaram e viram que era uma oportunidade. Bem melhor bebermos água fresca do que sermos mais uma temakeria na cidade”, explica.

Hoje, o faturamento mensal do negócio Samba Fresh gira em torno de R$ 50 mil. Já o investimento inicial foi de aproximadamente R$ 70 mil. Aparício e seus sócios já preparam a abertura de uma nova loja em região nobre da capital mineira e de uma terceira filial dentro do Mercado da Boca, em Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte, até o fim de 2018.

O empresário acredita que o segredo do sucesso da comida havaiana entre os brasileiros está na semelhança que ela tem com a culinária japonesa, já tão bem aceita no Brasil. “Para fazer o Poke é usado peixe cru, atum, salmão que, embora sejam mais temperados, também apresentam um sabor já conhecido e apreciado pelos brasileiros. Com isso, há muita gente que já adora comida havaiana. Inclusive, eu tenho alguns amigos que não comem comida japonesa, mas que gostam de Poke”.

O prato de maior saída Samba Fresh é o Poke Samba Salmão. “É o nosso primeiro do cardápio. O carro-chefe mesmo. Começamos com o cardápio simplificado. Trabalhamos com três proteínas e três sabores. O Samba, que é o tradicional, o Samba Rock, que é picante, e o Tropicália, que é com frutas. Daí, a gente tem opção com salmão, atum e cogumelo. Mas, depois de uns seis meses, nós lançamos um cardápio especial com Poke contendo polvo e camarão. Desses especiais, o Salmão Suite Chli e o Ebitai é que estão vendendo melhor”, conta Apparício.

Gradual
A casa My Poke foi inaugurada há pouco tempo em Belo Horizonte, Minas Gerais. O recente negócio é dos empresários Karine Machado Miranda, de 25 anos, e Jules Rene, de 23. Os dois passaram mais de um ano pesquisando sobre o potencial da comida havaiana e, ao perceberem a sua expansão em São Paulo, deram início ao projeto da My Poke.

O investimento foi gradual, cerca de R$ 50 mil distribuídos em três meses. “Conseguimos poupar bastante, pois não tivemos que pagar o ponto, e a estrutura já era de um restaurante. Ganhamos alguns equipamentos, compramos outros de segunda mão e não pagamos arquiteto, design, decorador. Hoje, depois de cinco meses de abertura, investimos mensalmente um valor significativo para melhorias”, revelam os sócios.

Para destacarem a economia inicial conquistada como uma característica especial da casa, Miranda e Rene apostaram em uma estrutura e decoração simples e construídas à mão. “O processo de montagem foi baseado em algo praiano, voltado para flora e bem colorido. Fomos ao Mercado Central e encontramos artesanatos de bambu. Em fábricas de tecido, buscamos o que colocaríamos nas paredes. Para o interior do restaurante, optamos por comprar as mesas todas em madeira com pés e estofados coloridos, algo que atrai muita atenção, principalmente das crianças. Escolhemos cores baseadas nas cores da logo. Fizemos a maior bancada fria possível, pois, desde o início, queríamos um grande número de ingredientes para escolha. Além disso, também aderimos à bancada quente”, detalham.

Para os empresários, a “comida havaiana engloba varias culinárias: a japonesa, fitnnes e vegana”. Eles ressaltam que tais comidas estão entre “as mais queridinhas dos brasileiros por serem saudáveis e se diferenciarem pelo sabor que vários componentes agregam ao prato”.

O prato My Poke mais vendido é o Poke Tradicional, que foi criado por Miranda e contém salmão cru, arroz branco, abacate, cebola roxa, pepino, gergelim, shoyu e chips de coco.

Os segredos dos sabores
Para a maioria dos investidores em comida havaiana entrevistados pela reportagem da Revista Food Service News, o segredo para que essa culinária, em especial o prato Poke, faça tanto sucesso entre os brasileiros, é a sua semelhança com a comida japonesa, além de todo o seu sabor e frescor. No entanto, todos garantem que a comida havaiana tem seu diferencial e grande potencial perante aos clientes quando bem trabalhada.
“A comida havaiana é mais temperada, tem um sabor que não é só do peixe cru. Isso amplia o público. Pessoas que não gostam de comida japonesa podem gostar do Poke. E é praticamente impossível pessoas que gostam de comida japonesa não amarem o Poke,” arrisca Aparício, da casa Samba Fresh.

Lacerda e Braga, do Aloha Poke Brasil, apostam no Poke como um “sushi desconstruído”. “Servido em um bowl de fibra de coco, o Poke chama atenção pela combinação de sabores oferecidos em um único prato. Em nossa casa, o cliente pode montar o seu Poke da forma que preferir, escolhendo entre mais de 25 ingredientes frescos e preparados diariamente”, ressaltam.

Miranda, sócia da My Poke, também aposta que o fato de a comida havaiana conter vários ingredientes para a composição do sabor do prato é o principal detalhe que conquista os brasileiros. Ela ainda enxerga a possibilidade de uma montagem vegana como outro grande diferencial da comida havaiana.
Bottura, do Let’s Poke, concorda que o sucesso da culinária japonesa no Brasil facilitou a adesão da comida havaiana. No entanto, ele ressalta que “incrementar diferenciais e se preocupar com a qualidade dos produtos é o que fideliza quem experimenta o Poke”.

Aloha Poke Brasil
alohapokebrasil.com.br
Let’s Poke
www.letspoke.com.br
Samba Fresh
sambafresh.com.br
My Poke
www.facebook.com/mypokebhcomidahavaiana

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