Especial da Edição: Lava Jato

Estilo pensão completa: saiba o que os presos da Lava Jato comem

Detidos na ‘Cadeia da Papuda’, em Brasília, recebem quatro refeições diárias, sendo todas preparadas com o acompanhamento de nutricionistas

Em quatro anos completados no dia 17 de março deste ano, a Operação Lava Jato já levou a condenação de 160 pessoas em 1ª Instância e 77 em 2ª, de acordo com último balanço divulgado pelo Ministério Público Federal (MPF) no mês passado.

Ao todo, já foram deflagradas 49 fases da operação, que somam 36 denúncias no Superior Tribunal Federal (STF), 3 no Superior Tribunal de Justiça (STJ), 72 na Procuradoria da República no Paraná, 33 na Procuradoria da República do Rio de Janeiro e uma no Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). Sem contar com 187 acordos de colaboração premiadas firmadas com o MPF e encaminhadas ao STF, 4,6 mil manifestações feitas pelo MPF junto ao STF e 395 pedidos de cooperação internacional envolvendo 50 países.

O estimado é que a operação, que teve como ‘start’ a investigação por parte da Polícia Federal (PF) de crimes de lavagem de recursos relacionados ao ex-deputado federal José Janene, em Londrina, no Paraná, já tenha resultado na recuperação de cerca de R$ 12 bilhões por meio de acordos de delação premiada. Além do ex-deputado Janene, os doleiros Alberto Youssef e Carlos Habib Chater também estavam envolvidos nas primeiras investigações da PF. Na época, em 2009, Youssef já era um antigo conhecido dos procuradores da República e policiais federais, pois havia sido investigado e processado por crimes contra o sistema financeiro nacional e de lavagem de dinheiro no conhecido ‘Caso Banestado’.
Ainda segundo o MPF, 101 autoridades com foro privilegiado respondem a ações penais relacionadas à operação Lava Jato no STF e, também até março deste ano, as condenações da Justiça Federal do Paraná e do Rio de Janeiro, somadas, chegavam a 2.384 anos 8 meses e 20 dias de prisão.

Em meio a esse complexo cenário da operação Lava Jato, em que muitas figuras públicas, como políticos e grandes empresários acostumados a um alto padrão de vida, foram presos em decorrência da descoberta de diversas práticas criminosas, surge uma curiosidade: o que os presos da Lava Jato comem nas cadeias e/ou presídios para onde foram levados?

Para responder essa pergunta, a reportagem da Revista Food Service News entrevistou Celso Wagner Lima, coordenador-geral da Subsecretaria do Sistema Penitenciário (Sesipe), pertencente à Secretaria da Segurança Pública e da Paz Social do Distrito Federal (SSP/DF).

A resposta encontrada é que os presos da Lava Jato reclusos na capital do Brasil contam com uma alimentação estilo pensão completa e direito a acompanhamento de nutricionistas.

Em Brasília, grande parte dos detidos durante as fases da operação Lava Jato estão no Centro de Detenção Provisória (CDP), que é conhecido popularmente como a “Cadeia da Papuda” devido à sua localização. Segundo Lima, esses detidos, de número e nomes não divulgados pelo coordenador-geral da Sesipe, encontram-se no bloco 5 do centro de detenção.
“Esse bloco é conhecido como ‘Ala de Vulneráveis’, onde estão reunidos internos que, legalmente, possuem direito de custódia em locais específicos, como ex-policiais, idosos e outras pessoas com decisão judicial, como políticos, além de custodiados com formação de Ensino Superior”, explica.

Lima revela que, diariamente, os presos da Lava Jato recebem “quatro refeições por dia, sendo café da manhã, almoço, jantar e lanche noturno. Todas são acompanhadas por nutricionistas e seguem quantidades pré-definidas em contrato”.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, detido desde o dia 7 de abril, após ser condenado em 1ª e 2ª instâncias pelo caso do triplex em Guarujá, em São Paulo, também em decorrência da Operação Lava Jato, recebe três refeições diárias, sendo café da manhã, servido às 8h, almoço às 11h30 e jantar às 18h. A comida é servida em marmitas e são permitidos apenas talheres de plástico.

O ex-presidente está recluso em sala especial da Superintendência da Polícia Federal (PF) em Curitiba, no Paraná. O local tem 15 metros quadrados, era usado como alojamento para policiais federais de outras cidades e fica no quarto andar, longe da custódia, onde estão outros presos da Lava Jato, como Antonio Palocci, ex-ministro de Lula e da ex-presidenta Dilma Rousseff, e o ex-presidente da Construtora OAS, Léo Pinheiro. Conforme a PF, a sala onde Lula está conta com cama simples, um banheiro adaptado, uma mesa e uma televisão.

Fornecimento das marmitas
Atualmente, três empresas fornecem alimentação para os seis presídios do Distrito Federal. Mas, conforme Lima, a empresa Cial Comércio de Alimentos é a responsável por atender o bloco 5 onde estão alguns presos da Lava Jato. A reportagem entrou em contato com a empresa em questão. No entanto, o retorno do setor comercial foi de que “informações sobre os alimentos fornecidos para presídios só podem ser dadas pelos clientes”. Ou seja, a Sesipe e a SSP/DF.

Conforme Lima, “a empresa Cial serve, no café da manhã, achocolatado acondicionado em caixa tipo Tetra Pack, pão francês com manteiga ou margarina. Para o almoço e jantar, são servidos arroz, feijão, carne bovina, aves ou peixe, verdura e legumes e suco de fruta acondicionado em caixa Tetra Pack. Para o lanche noturno, o cardápio é suco de fruta acondicionado em caixa Tetra Pack, pão francês ou careca, com duas fatias de frios do tipo muçarela branco, salame ou presunto, ou, ainda, pão com sabor (calabresa, beterraba, cenoura, batata, queijo e/ou outros sabores). As refeições são acondicionadas em marmitas de alumínio”, detalha.

Quando questionado se esse cardápio citado é exclusivo para os presos da Lava Jato, o coordenador-geral da Sesipe explica que “a alimentação de todos os internos do sistema penitenciário do Distrito Federal é a mesma, sem distinção, seguindo os cardápios previstos nos contratos. Apenas os internos que possuem alguma restrição alimentar têm dieta específica, prescrita por médico da unidade prisional. Nesse caso, a cópia da dieta é encaminhada para a empresa contratada e nutricionistas da empresa fazem as alterações na alimentação conforme as prescrições”.

Preparação e entrega das refeições
As quatro refeições diárias recebidas pelos presos da Lava Jato são preparadas dentro da própria ‘Cadeia da Papuda’. De acordo com Lima, a “cozinha da Cial fica dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, onde está localizada a unidade. Quando estão prontas, as refeições são colocadas em marmitas de alumínio e acondicionadas em caixas térmicas”.

Já sobre a entrega das marmitas, o coordenador-geral da Sesipe conta que “as caixas térmicas com as marmitas prontas vão para um caminhão e são levadas para a unidade prisional. Escoltados, internos classificados pegam e levam as caixas para a distribuição das refeições aos demais internos”.

Cuidados e higienização
Todas as três empresas que fornecem alimentação para os seis presídios do Distrito Federal “são fiscalizadas por agentes da Subsecretaria do Sistema Penitenciário”, diz o coordenador-geral da Sesipe ao ser perguntado sobre quais são os principais cuidados tomados com a comida dos presos e se há alguma preocupação com a saúde, segurança e risco de contaminação.

Lima também ressalta que “existe uma fiscalização rigorosa e constante nas cozinhas para verificar as condições de higiene do local e durante a preparação dos alimentos. Além disso, é fiscalizado o trabalho de acondicionamento e transporte e também a gramatura mínima exigida em contrato e a temperatura das marmitas”.

Sesipe
sesipe.ssp.df.gov.br
Cial Brasil
www.cialbrasil.com.br
MPF
www.mpf.mp.br

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