Educação: Grande consumo e novos hábitos

Brasil ocupa a segunda posição entre os países que mais consomem café, com quase 33% de toda a ingestão mundial

O Brasil ocupa a segunda posição entre os países que mais consomem café do mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. “O consumo interno no Brasil, considerando os vários tipos de café, inclusive o solúvel, está em torno de 21,5 milhões de sacas, contra um consumo mundial de 90 milhões de sacas. Isto é, consumimos quase 33% de todo consumo mundial”, destaca Nathan Herszkowicz, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic). Ele enfatiza que diferentes fatores aquecem o setor, como os novos hábitos alimentares mundiais e importantes diferenciais incorporados ao grão.

“O consumo de café está em expansão em todo o mundo em substituição a outras bebidas que não contribuem para a saúde humana, pela diversidade de sabores e origens, pela praticidade no preparo, especialmente, de cápsulas, e porque desperta curiosidade e desejo de prova de cafés de alta qualidade, os chamados cafés gourmet”, afirma.
Ainda segundo Herszkowicz, a produção e exportação do café também são fatores que devem ser levados em consideração para que o mercado brasileiro do grão continue em destaque. “O Brasil é líder. É o maior produtor do grão e o maior exportador, com 32% do mercado mundial. A produção no campo está em 57 milhões de sacas, já a exportação do grão cru em 33 milhões de sacas e a de solúvel em 4 milhões. O lucro não é possível calcular, pois há muitos tipos e mercados diferentes”, diz.
Números da pesquisa “Tendências do Mercado de Cafés em 2017” apontam que o consumo do produto pelos brasileiros deve atingir 1,2 milhão de toneladas até 2021, o que representa 25 milhões de sacas de 48 kg, registrando uma taxa média anual de crescimento de aproximadamente 3,5% no período 2016-2021.

Domínio do café tradicional
Nesse cenário de contínuo crescimento, o café tradicional está em verdadeira evidência no mercado brasileiro. Conforme Herszkowicz, esse tipo de grão é o verdadeiro ‘queridinho’ nacional e até internacional. “Cafés tradicionais representam 80% do consumo interno, idem no mercado mundial, com maior presença dos expressos”, diz o diretor-executivo da Abic, que, atualmente, conta com 400 associados.

Para Herszkowicz, a grande preferência pelo grão tradicional pode ser explicada pelo fato de “que é um café do dia a dia, com qualidade aceitável e preço acessível”, ressalta. Ele enfatiza que é nessa área em que há o registro de maior concorrência. “O caminho para as indústrias que não querem competir nesse segmento é o de produzir cafés com alta qualidade e maior valor agregado”, indica.

Atuação de mercado
O Grupo 3corações é líder nacional no segmento de café torrado e moído, pioneiro e líder de mercado com o Cappuccino 3 Corações e líder nas regiões Norte e Nordeste do Brasil com o café Santa Clara.
Atuante desde 1959, a companhia industrializa e comercializa as marcas de café 3 Corações, Santa Clara, Pimpinela, Kimimo, Letícia, Fino Grão, Itamaraty, Iguaçu, Amigo, Cruzeiro, entre outras, como o cappuccino #Pronto. Além disso, também produz filtro, porta-filtro, café solúvel, o refresco em pó Frisco e Tornado, achocolatado, derivados de milho Claramil e os temperos Dona Clara.

Segundo Aline Germano, gerente de marketing e operações do food service do Grupo 3corações, o mercado de café está sempre em expansão. Inclusive, no Brasil, ainda há espaço de exploração. “Existe uma oportunidade de crescimento dos cafés no Brasil, tanto em volume quanto em valor. Temos que aumentar o valor de consumo da bebida, elevando seu consumo per capita. Hoje, 90% da população consomem o café tradicional, torrado e moído. Temos oportunidades internas de oferecer outras categorias e gerar valor e volume no consumo dos cafés gourmet e especial, por exemplo”, pontua.

Germano também reforça que o desenvolvimento do mercado de café no Brasil é um processo que exige investimento e persistência. “Como todo mercado que é novo, precisa de um alto investimento no começo”, avalia. “Temos que gerar experimentação e novos hábitos e isso leva muito tempo e muito investimento, já que o consumidor tem um certo conforto nos hábitos de consumir cafés tradicionais, apesar de estar redescobrindo o café e se interessando, cada vez mais, pelo produto. E isso faz com que o Grupo 3corações esteja sempre se reinventando e, principalmente, inovando”, diz.
O Grupo 3corações tem previsão de investir, até 2021, R$ 400 milhões. “Nossa maior missão é seguir oferecendo aos nossos consumidores o melhor café e as melhores experiências, sempre”, garante Germano.

A vez do café premium
Apesar de o maior consumo brasileiro ser do café tradicional, o mercado de café premium também tem crescido e de forma acelerada, ainda segundo conclusões provenientes da pesquisa “Tendências do Mercado de Cafés em 2017”. O levantamento diz que, entre os consumidores de café premium, o moído ainda tem maior penetração, seguido das cápsulas e do café em grão. E mesmo o café moído ainda representando a maior parte do consumo, a pesquisa indica que “é notável que mais de 60% dos respondentes consumam café em cápsulas e quase 50% tenham consumido café em grãos no próprio domicílio.

Ainda é necessário desenvolver e fortalecer o café orgânico perante os coffee lovers”.
Mais uma constatação do mesmo estudo é que “posicionamentos alternativos de produto e de consumo darão ao café maior projeção e possibilidades de crescimento e que produtores e indústria devem estar ligados às novas tendências nesse sentido”.

Recentemente, o Grupo 3corações lançou a linha de cafés especiais Santa Clara Reserva da Família, com cafés 100% arábica. “O Grupo também atua com mais três segmentos somente dentro dos cafés especiais: aqueles com pontuação de 80 a 84 (em uma escala de 100), voltados aos consumidores finais e à venda no varejo, os de pontuação acima de 85, voltados ao público B2B, e a linha Rituais Microlote, com cafés que ganham destaque nos concursos de qualidade. Microlotes são cafés com volume mínimo de uma saca de 60kg e máximo de 21 sacas, tratados com o máximo cuidado pelo produtor e desenvolvem características particulares, que variam de acordo com a safra, variedade, microclima e processamento. Quando participam de concursos de qualidade, os cafés são avaliados por um corpo de juízes profissionais e premiados pelo seu destaque em qualidade, sendo um concurso nacional uma vitrine para o produtor em todo o país e também internacionalmente”, conta Germano, gerente de marketing e operações do food service do Grupo 3corações.
Outra marca atuante no mercado de café especial é a Octavio Café, que é uma das únicas cafeterias que detêm 100% do processo de produção do grão, desde a semente à xícara, e conta com cinco unidades em São Paulo e Campinas. João Paulo Badaró, diretor de varejo da empresa, reafirma que o mercado de café especial tem crescido de forma expressiva no país.

“No Octavio, produzimos e servimos apenas o café de categoria especial. Além de proporcionarem experiência gastronômica imersiva e única, as lojas da rede contam com espaço de boutique especializado nos mais diversos métodos de preparo de cafés oferecidos aos clientes”.

O diretor de varejo ressalta que, para um café ser classificado como especial, ele precisa atender diversos critérios após uma avaliação física do grão, englobando corpo, aroma, acidez, doçura e sabor. “Geralmente, só entram nessa categoria os grãos de espécie arábica. Além disso, é necessário ter nota igual ou superior a 80 pontos na escala da ASC (Association of Specialty Coffee), que vai de zero a cem pontos”, explica Badaró, que salienta que a atuação do mercado de café especial tem suas peculiaridades. “É específica. Mesmo sendo um mercado em expansão e com muito entrantes nos últimos anos, percebe-se um desconhecimento por parte dos consumidores sobre diferenças entre café especial x café tradicional”.

Para Badaró, a manutenção e evolução no mercado de café especial exigem habilidade e constante investimento. “O maior segredo e desafio é procurar sempre estar atento e ouvindo o nosso consumidor, trazendo sempre inovação atrelada à qualidade do café especial”, afirma.

Transformações
Paulo Ricardo Alves, do setor comercial da Flavors, ressalta que na geração Y, o hábito de “tomar um cafezinho” é diferente. “Praticamente todos os brasileiros bebem café quase que diariamente, mas o fazem de forma mecânica, sem prestar atenção na bebida. Os mais jovens, além de prezar pelo café de qualidade, se interessam pelas formas de preparo, gostam de trocar experiências e de interagir com a bebida. Atentos a essa tendência, os empreendedores estão estruturando suas cafeterias para atender esse público, criando ambientes propícios para essa interação em torno do café. E esse movimento acaba atingindo toda a cadeia – o produtor se preocupa com a qualidade e os diferenciais dos grãos; os torrefadores, com o melhor perfil de torra; os profissionais do café, aprimorando conhecimentos; empresas especializadas oferecendo os melhores métodos para o melhor preparo da bebida e, por fim, os coffee lovers. A produção cafeeira como commodity é um braço importante da nossa economia, mas há uma crescente produção de cafés especiais, com alto valor agregado, que não pode ser ignorada”, frisa.

De acordo com o profissional, a marca se orgulha de possibilitar ao mercado do país o acesso aos melhores métodos de extração do café filtrado existentes no mundo. “Conforme pesquisa, encomendada pela Jacobs Douwe Egberts (JDE), 98% dos lares no Brasil consomem café, sendo a segunda bebida mais consumida no Brasil, só perdendo para a água. E a grande maioria da população bebe café filtrado. Então, a Flavors possibilita a esse mercado ter acesso aos melhores métodos de preparo de café filtrado. Pela sua qualidade e originalidade, os produtos oferecidos pela Flavors passaram a ser objeto de desejo dos baristas. Diferentemente dos equipamentos do café espresso, os utensílios para o preparo de café filtrado são portáteis, e isso é fundamental para uma cultura de interação com a bebida, que mencionei anteriormente. Qualquer pessoa pode, por exemplo, ir para as montanhas, em um acampamento, e preparar um café com o seu método preferido. Saber que contribuímos para que esses momentos aconteçam é muito prazeroso para nós”, diz.

De acordo com Alves, a preocupação da marca sempre foi oferecer ao mercado do país o que existe de mais moderno em termos de preparo de café filtrado. “Visitamos as principais feiras e eventos de café no mundo para acompanhar a evolução desse mercado. Cada método de extração propicia um resultado diferente no preparo do café e estar antenado a essas mudanças faz a Flavors estar sempre um passo à frente no Brasil. Nossa proposta é levar bem-estar e prazer através das bebidas. Com o know-how de 16 anos, temos a oportunidade, junto aos parceiros, de mostrar como eles podem preparar deliciosas bebidas com café. Nas cafeterias, o café filtrado já é apresentado como um diferencial em relação ao espresso, por ser mais saboroso e rentável”, pontua.

“O pioneirismo guia nossos passos futuros, assim como até hoje. A disseminação e popularização desta paixão por café, com qualidade, fazem parte dos nossos planos futuros. Levaremos aos lares brasileiros essas novidades, contando sempre com a forte rede de relacionamento que temos com profissionais da área e principais players do mercado. Acreditamos também que o Brasil tenha condições de fazer parte do roll dos criadores de novos métodos e a Flavors já está inserida nesse contexto. Lançamos na Fispal o Cone Coffee, que consiste no suporte para um filtro de papel em formato de cone, que substitui o coador de pano individual. É uma solução inovadora. Queremos mostrar ao mundo que o Brasil não somente produz café, mas também cria e inova na bebida café”, destaca.

Abic
abic.com.br
3corações
www.3coracoes.com.br
Octavio Café
www.octaviocafe.com.br
Flavors
www.flavors.com.br

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