Economia: Food service se destaca em exportações

Indústria nacional de alimentação fora do lar deverá movimentar R$ 526 bilhões até 2022

“O mercado de exportações no Brasil encontra-se em expansão. Segundo os dados estatísticos auferidos pelo MDIC, em 2017, as exportações brasileiras totalizaram US$ 217,74 bilhões, um acréscimo de 18,5%, pelo critério da média diária sobre 2016. Esse resultado é justificado por meio da ampliação do volume de exportações e do preço. Ano passado, a quantidade de produtos exportados cresceu 7,6% ante o ano anterior, e o preço dos produtos obteve uma alta ainda maior, de 10,1%”, destaca Alexandre Miserani de Freitas, professor universitário, administrador e coordenador dos cursos de administração e tecnológicos da Faculdade Arnaldo.

Nesse cenário, os negócios food service se destacam, acompanhando a previsão da empresa de pesquisa de mercado Euromonitor International de que a indústria nacional de alimentação fora do lar deverá movimentar R$ 526 bilhões até 2022. “O mercado de food service tem crescido e expandido sua atuação. A participação de produtos oriundos dessa cadeia tem se destacado, e a atuação em mercados distintos, exportando para diversos países, tem tido um crescimento considerável”, explica Freitas.

Segundo o educador e administrador, é válido ressaltar que “o setor de food service tem crescido, na última década, em velocidade maior do que as taxas de crescimento do varejo alimentício. No período 2006-2016, teve um crescimento médio de 14% ao ano, contra 11% do varejo. Com isso, o setor ganha importância econômica e social no novo modo de vida do brasileiro e, principalmente, com o costume de muitos países desenvolvidos, apresentando forte crescimento no faturamento das empresas atuantes no setor. Na exportação, seu crescimento se deve ao suprimento de necessidades básicas de produtos alimentícios, bem como industrializados. De acordo com dados do setor, os food service representam, em alimentos processados, 49% das exportações do agronegócio de alimentação e 17,9% das exportações totais brasileiras. O projeto Setorial Brazilian Flavors (BF), desenvolvido e gerenciado pela Associação Brasileira de Exportadores e Importadores de Alimentos e Bebidas (A.B.B.A), com o apoio da Apex-Brasil, fechou 2016 com o total de US$ 49,5 milhões exportados para 62 diferentes destinos, resultado considerado extremamente positivo observando as dificuldades que a crise econômica do país impôs ao setor produtivo”, salienta Freitas.

Na prática

Conforme Cássio Silva, diretor de novos negócios da Plena Alimentos, uma das maiores indústrias no segmento de frigorífico de Minas Gerais e do Brasil, a empresa está há seis anos operando com exportações. E, atualmente, 25% das vendas da companhia são correspondentes dessa prática.

Cássio Silva,
“Temos planos de continuar investindo em abertura de novos mercados, abrindo, cada vez mais, espaço para proporcionar o crescimento sustentável da empresa”, afirma Cássio Silva, diretor de novos negócios da Plena Alimentos

A Plena Alimentos exporta carnes bovinas congeladas e resfriadas para a Ásia, África, Europa, entre outros. “A exportação, além de ampliar muito o mercado de atuação, também serve para balancear a venda de cortes e miúdos de bovinos que não são consumidos em grande escala no Brasil. Temos planos de continuar investindo em abertura de novos mercados, abrindo, cada vez mais, espaço para proporcionar o crescimento sustentável da empresa”, afirma Silva.

O lucro mensal e anual da Plena Alimentos com suas exportações não foi informado à reportagem por questões estratégicas da empresa. Porém, as exportações brasileiras totais de carne bovina, tanto in natura quanto processada, chegaram a 173.826 toneladas no último mês de agosto, conforme informações divulgadas pela Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), após junção de dados apurados pelo MDIC por meio da Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) e do Departamento de Operações de Comércio Exterior (DECEX). Com isso, foi estabelecido um novo recorde mensal no setor. Além disso, esse expressivo volume representou crescimento de 19% sobre agosto de 2017, quando as exportações foram de 145.550 toneladas. A receita, por sua vez, aumentou 16%, passando de US$ 605,3 milhões, no mesmo mês de 2017, para US$ 699,8 milhões, em 2018.
Ainda segundo o MDIC, as exportações de carnes in natura do Brasil fecharam o ano de 2017 com crescimento. Os embarques de carne bovina nos 12 meses do ano somaram 1,21 bilhão de toneladas, 12,4% a mais que as 1,08 bilhão de toneladas de 2016. A receita, de US$ 5,09 bilhões, cresceu 17% ante US$ 4,35 bilhões. Já em volume, as vendas de carne de frango in natura ficaram estáveis, em 3,94 milhões de toneladas, o que representa queda de 0,4%. Entretanto, o faturamento registrou alta de 8% para US$ 6,43 bilhões. As exportações de carne suína in natura também foram positivas em receita, com incremento de 9% para US$ 1,46 bilhão, mas caíram 5,9% em volume, para 590 mil toneladas.

Para este ano, a previsão é que as exportações de carne bovina do Brasil, considerando-se in natura e processados, devem crescer cerca de 10%, tanto em volume quanto em receita, de acordo com divulgação da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). O esperado é que, até o fim deste ano, o país exporte 1,68 milhão de toneladas de carne bovina, alta de 9,8 por cento na comparação com 2017. Já a previsão da receita cambial com as vendas é de 10,5%, o que equivale a 6,9 bilhões de dólares.

Complexidade

“Podemos afirmar que há certa complexidade para operar nesse mercado devido à diversidade cultural, social e religiosa, que pode influir até na produção do food service. Entretanto, em decorrência da expertise brasileira no agronegócio, vemos que essa adaptabilidade exigida por mercados estrangeiros tem sido superada e, com isso, ganhamos destaque no mercado internacional”, diz Freitas.

Silva, da Plena Alimentos, considera que esse ramo “é muito complexo de operar, pois é realizado por quem está na região e já tem todo um conhecimento de demanda e cultural local. Cada região tem sua própria característica, como o Oriente Médio, onde os restaurantes só podem servir carne proveniente do abate islâmico ou Halal, por exemplo”. Por isso, o diretor de novos negócios da empresa indica que, ao pensar em exportação, é melhor trabalhar com distribuidores locais.

Freitas acrescenta que o maior desafio encontrado no mercado food service de exportação é a “adaptabilidade a diferentes mercados, que consomem food service de maneiras diferenciadas, bem como cumprimento das exigências sanitárias internacionais, que podem variar de país para país. Ademais, a agilidade e tecnologia também são desafiantes para concorrência internacional”, diz o educador e administrador, que também acredita que o segredo para alcançar o sucesso com exportação é ter atenção redobrada sobre os “certificados de qualidade internacional, investimento em tecnologia, menu diferenciado e, principalmente, respeito às idiossincrasias culturais e sociais. Esses são fatores importantes para o sucesso no mercado internacional”, conclui.

Faculdade Arnaldo
www.faculdadearnaldo.com.br
Plena Alimentos
www.plenaalimentos.com.br

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