É necessário tirar a âncora da água

A estas alturas, já se vai aproximadamente 1/3 de 2018, e estimo já ter me encontrado pessoalmente com pelo menos uns 800 operadores de food service, entre cursos, palestras, consultorias, aconselhamentos etc.

Apesar de termos a mais clara certeza de que este ano será melhor do que 2017 – previsão apoiada em raciocínios bastante robustos e embasados – a verdade é que tenho visto rostos com expressões bem distintas pelo caminho.

Um grupo, predominantemente formado por empresários mais tradicionais do setor, tem me mostrado uma certa incerteza e perplexidade. Nem tanto sobre a reversão da queda ou sobre esta perspectiva, mas sobre porque eles mesmos não estão conseguindo surfar a “marola da recuperação”.

Outra parte dos empresários, curiosamente formada por uma maioria com poucos anos no setor – muitos deles até entrantes durante a crise – com um certo riso no olhar, pois estão capturando taxas de crescimento acima das previsões de uns 8% de crescimento nominal para o ano.
Comento sobre essa certa separação por “tempo de casa” não porque sou mais fã de um ou de outro, mas porque noto que, por trás dessa aparente coincidência, há algo mais importante: a predisposição para inventar, reinventar, tentar rápido, medir e implantar ou mudar rapidamente, isso entre os que estão avançando rapidamente.

E, do lado oposto, um certo imobilismo e uma grande inércia, característicos de um navio tentando zarpar, mas com a âncora ainda no mar – a âncora do dogma, do paradigma e do vício de que o jeito de fazer amanhã tem que ser necessariamente um desdobramento natural de como se faz hoje.

Pois bem, não é questão de tempo de casa… é questão de se permitir repensar os negócios e a abordagem ao consumidor a partir de uma base zero, de jogar fora os manuais amarelados pelo tempo e reescrever tudo, mas conforme o que é a realidade de hoje e não de ontem.

Muitos vão ficar no meio do caminho, uma parte vai se reinventar e prosperar. E haverá mercado para estes e os que já estão sintonizados com o novo mercado.

 

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Fundador da Food Consulting e Food Experts, empresas especializadas em Foodservice, criador e titular do curso Gestão Estratégica de Foodservice na ESPM-SP há 10 anos e palestrante sobre o mercado de Foodservice e Alimentação, para várias das mais importantes empresas e associações do país; foi executivo de grandes empresas como Sadia, Ceval, Bunge, 3 Corações, entre tantas outras atuações profissionais de sucesso.

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