Diet e light sem mágicas

Manter-se saudável é uma preocupação de todos independente da estação do ano, mas a corrida para esculpir o corpo e deixá-lo sarado é mais intensa quando o verão se aproxima. A academia é o ponto alvo para quem malha e faz dieta visando conquistar curvas e um corpo definido.

Vale tudo em nome da boa forma, inclusive estar munidos de um arsenal de produtos diet e light para uma reeducação alimentar. Nos últimos dez anos, a indústria de alimentos de baixas calorias cresceu mais de 300% no país. Porém, a nutricionista Patrícia Bertolucci, responsável pela Seleção Brasileira durante a Copa do Mundo de 94, acredita que se alimentar apenas com esses produtos pode não adiantar: “O que deve ser considerado é que muitos consumidores não sabem diferenciar um produto do outro e, sem auxílio profissional, seguem uma dieta que pode não atingir um resultado positivo”.

Os alimentos diet são direcionados para um público específico, que é privado do consumo de determinados componentes nutritivos, como carboidratos, gorduras, proteínas e sódio. Como este consumidor sofre de uma patologia, ele substitui o alimento tradicional por um diet, no qual houve retirada total, parcial, ou alteração do elemento. É o caso do diabético, que não ingere açúcar, mas pode degustar um produto adoçado com aspartame ou frutose.

Contudo, algumas pessoas começaram a adotar o diet como algo milagroso, que não engorda, ou ainda, que emagrece, como ressalta Ana Luíza Bastos Soares, nutricionista e Gerente da loja Day By Diet, “Na verdade, diet é uma palavra que caracteriza redução de 40% de calorias, podendo ser, inclusive, na forma de proteínas. Assim, nem todo diet é necessariamente um alimento sem açúcar”, salienta.

Já o produto light, apresenta em sua composição uma redução mínima de 25% do valor calórico ou dos nutrientes em relação ao produto comum, de acordo com o previsto pela legislação. O objetivo desta redução, que geralmente ocorre na quantidade de gordura, é tornar o alimento menos energético, fazendo com que ele engorde menos.

Para se tornar amigo da balança, o melhor caminho indicado por Patrícia Bertolucci é atentar-se, em primeiro lugar, para os rótulos dos produtos e comparar qual vale a pena comprar. “Esses alimentos ajudam a controlar o peso de fato, mas o organismo precisa ter quantidades adequadas de calorias e macronutrientes”, afirma. A nutricionista comenta ainda que o esforço da dieta não adiantará de nada se a pessoa abusar dos produtos light ou diet.

As necessidades calóricas de uma pessoa também variam de acordo com a fase em que ela está passando, como a amamentação, a recuperação de alguma doença ou um adolescente em fase de crescimento. Em todos estes casos, a ingestão de calorias deve ser maior e, por isso, Ana Luíza Bastos recomenda uma consulta ao médico antes de iniciar qualquer dieta.

Outro nutricionista que acredita que os consumidores precisam aprender a ler os rótulos é Márcio Aurélio Soares, especialista no tratamento da obesidade. “Não prescrevo dietas, mas procuro ensinar as pessoas a se alimentarem corretamente, atingindo seu peso saudável”. Ele conta ainda que sugere alimentos deste tipo somente a pessoas que têm uma comorbidade qualquer.

Para enfrentar o verão sem peso na consciência, os sorvetes de frutas são aqueles que facilmente ganham versões light, pois é possível substituir totalmente o leite pelo suco, diminuindo assim a gordura. Renata Saboya, dona da sorveteria Mil Frutas, do Rio de Janeiro, orienta que o consumo do diet nem sempre é leve. “Ele pode não ter açúcar, mas algumas vezes contém boa quantidade de gordura”, pontua. Também é importante ficar atento para os vilões da dieta, como o gelado feito de iogurte. Alguns possuem bastante gordura, como por exemplo a taça de frozen iogurte que pode conter 350 calorias.

O adoçante também está na lista de vilões. É um produto químico maléfico quando ingerido em grandes quantidades e, ainda, pode resultar em um efeito inverso: aumentar a vontade de comer doces. Patrícia Bertolucci aconselha usar pouco açúcar ao invés de muito adoçante. E destaca aqueles que possuem, em sua composição, a sacarina, o ciclamato e a estévia, por não possuírem calorias, diferente do aspartame, sorbitol e manitol que são um pouco calóricos.

O importante é não abusar, pois a sacarina, edulcorante extraído de um derivado de petróleo, adoça muito mais que o açúcar e seus efeitos cumulativos podem trazer más conseqüências ao organismo. O limite máximo de consumo recomendado é de 2,5 mg por quilo de peso.

Já a nutricionista Lisa Sasson aponta como um erro da maioria das pessoas o fato de condenarem a gordura como o inimigo número um, e explica que o azeite do molho normal é benéfico para a saúde, ao contrário do que muitos acreditam. “Tirar da dieta justamente a gordura boa é perigoso. Algumas formas de gordura são essenciais, como o azeite, que ajuda o coração” explica. Lisa ainda recomenda o pão integral, que é mais nutritivo, e o feijão com arroz, desde que o arroz venha em pequenas porções.

O diet e o light também podem andar juntos, como é o caso da Coca-Cola Light, que reduziu as calorias da lata para 1,5 e retirou o açúcar. O iogurte desnatado também é diet, em gordura, e light, no que se refere às calorias. O melhor a se fazer é saber utilizar os produtos, lendo atentamente a embalagem antes de consumi-lo e procurando desmistificar alguns comentários que os rondam.

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Dicas para uma boa alimentação:

De nada adianta trocar uma fatia de bolo comum por um bolo inteiro diet. O resultado calórico será igual ou maior.

Todos os alimentos têm calorias. Portanto, leia no rótulo o quanto você pode ingerir.

O alimento diet não tem poder para tirar o apetite ou emagrecer. Apenas engorda menos, se tiver poucas calorias.

Os dietéticos de última geração não possuem contra-indicação, mas certifique-se que o adoçante utilizado não causará reações alérgicas.

Uma alimentação baseada só nestes produtos não fornece todos os nutrientes necessários para o bom funcionamento do organismo.

Garanta em suas refeições uma boa porção de verdura, legumes, uma opção de carboidratos e outra de proteínas, para evitar a baixa imunidade, fadiga, redução do metabolismo e alteração dos batimentos cardíacos. E não se esqueça da fruta como sobremesa.

As verduras contêm os minerais, as fibras e as vitaminas mais importantes e, tem apenas 20 calorias por prato de sobremesa.

Para diminuir o valor calórico do arroz, substitua parte dos grãos por couve-flor picada.

A peixada fica mais magra se utilizar parte de leite desnatado ao invés de leite de coco.

A omelete torna-se light se usar mais claras do que gemas e em vez de mussarela, ricota.

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