De olho no mercado

Entenda as principais tendências de negócio do segmento de alimentação

Diversas tendências têm se estabelecido no mercado de alimentação fora do lar. Normalmente, essas novidades chegam através das demandas dos próprios consumidores e buscam melhorar a experiência de compra.
Empresas de vários setores estão notando uma grande mudança no perfil de consumo e precisam se adaptar para atender o público. Pensando nisso, destacamos algumas das principais tendências registradas durante este ano e como os restaurantes e demais estabelecimentos de alimentação reagiram a elas.

Self Service
A maioria dos restaurantes brasileiros adota o serviço de self service. Em pesquisa produzida pelo Serviço de Apoio as Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) sobre o perfil desses estabelecimentos, foi registrado que 61% operam como self service em pelo menos algum momento do dia, sendo que 47% se dedica exclusivamente a esse serviço.
“O self-service está incorporado ao cotidiano do brasileiro, que recorre a restaurantes como alternativa prática, acessível e saudável para sua refeição principal. Também é uma solução rápida para quem trabalha e precisa almoçar fora de casa. É fácil de encontrar, há variedade de alimentos e o preço é um atrativo”, disse a diretora técnica do Sebrae, Heloisa Menezes.

Saudabilidade
Uma das grandes apostas para o segmento neste ano foi investir em alimentação saudável e sustentável. Não apenas restaurantes e lanchonetes começaram a se preocupar em atender clientes com esse perfil, como também a indústria alimentícia, que passou a desenvolver cada vez mais produtos específicos para a área.
“Hoje, no mercado de alimentação, muito tem se falado sobre alimentação saudável e sustentável, em personalização e importância da experiência gastronômica enquanto diferencial competitivo para as empresas, além da praticidade para o cliente”, comenta Karen Sitta, da coordenação nacional de Food Experience do Sebrae.
Pensando nesse consumo, o Sebrae realizou uma pesquisa sobre alimentos saudáveis no Brasil. De acordo com o estudo, 6% das micro e pequenas empresas atuam com esse novo modelo de serviço. Desse número, 56% comercializam alimentos orgânicos, 18% saladas especiais, 6% vegetariano e 6% alimentação saudável para o
público infantil.
“Por isso, cada vez mais, o mercado de comidas saudáveis vem se destacando por uma questão de mudança do hábito de consumo das pessoas, envolvendo busca por melhor alimentação, bons preços e escolhas por lugares mais adequados às novas necessidades do consumidor”, comenta Karen.
De acordo com o relatório The Top 10 Consumer Trends for 2017, que analisa os hábitos de consumo, os itens saudáveis têm ganhado preferência entre os consumidores. Dos entrevistados na pesquisa, 83% afirmaram estar dispostos a gastar mais por um alimento mais saudável; 79% fazem substituições por itens mais saudáveis; 28% acham importante consumir um alimento com alto valor nutricional.
O relatório também mostrou que 22% preferem comprar alimentos sem conservantes; 44% procuram produtos sem corantes artificiais; e 42% escolhem itens sem sabores artificiais. “A busca pelo alimento saudável, seja por motivos de escolha ou por restrição alimentar, tem se destacado no mercado”, frisa Karen.

Praticidade
Outra grande tendência de mercado é a praticidade. Os consumidores estão cada vez mais exigentes quanto a ter comidas de fácil acesso e com a comodidade de um bom atendimento. Exemplo disso é o grande boom de serviços de entrega alimentícia no Brasil.
“Comum nas grandes cidades, a busca pela praticidade e pela conveniência também ganha destaque nas opções de delivery, marmitas caseiras (para quem também busca pela economicidade), nos restaurantes self-service, com opções variadas e rápidas, de acordo com as necessidades e gosto dos clientes”, aponta Karen, sobre opções de alimentação prática para os consumidores.

“Ser criativo, conhecer bem o seu cliente, trabalhar com ingredientes de qualidade e prestar um excelente serviço são pontos fundamentais para o negócio”, afirma Karen Sitta, da coordenação nacional de Food Experience do Sebrae

Digital
Além de buscar oferecer produtos de valor ao seu público, as empresas estão investindo no segmento digital para oferecer melhoria no serviço oferecido, por meio de aplicativos de delivery ou de redes sociais para se comunicar com seu público, por exemplo.
“Importante compreender que o digital está vindo para agregar e proporcionar mais qualidade aos processos e ao atendimento das empresas que atuam no mercado de alimentação. O segmento digital se desenvolve a partir da necessidade e do novo perfil de consumo dos consumidores brasileiros, cada vez mais conectados, ávidos por grandes experiências e exigentes quanto à agilidade e profissionalismo”, explica Karen.
De acordo com ela, o digital está no segmento de alimentação também como uma forma de automatizar sua gestão e atender os clientes com maior agilidade. É o caso, por exemplo, de comandas eletrônicas e serviços que melhoram o atendimento às mesas e filas.
“No mercado de alimentação, o segmento digital pode ser absorvido no uso de aplicativos para gestão da empresa, controle das mesas, pedidos, gestão de estoque, elaboração de ficha técnica dos pratos e muito mais. Os aplicativos podem otimizar processos e melhorar a gestão de qualquer empresa”, afirma Karen, sobre o uso dessas tecnologias pelo setor de alimentação fora do lar.
Para ela, a tecnologia pode ser um grande aliado para qualquer negócio e pode ajudar a conhecer seu público melhor. Essas tecnologias podem deixar a experiência de compra mais personalizada, por exemplo.

Aderindo às tendências
Para conseguir se adaptar e aderir às tendências, a empresa precisa acompanhar bem o seu negócio e as principais novidades de mercado. Segundo Karen, é preciso saber fidelizar os clientes e inovar.
“E quando falamos em inovar, não nos referimos a inovar somente no aspecto tecnológico, mas, principalmente, ser inovador na forma como se propõe enquanto um negócio de alimentação. Ser criativo, conhecer bem o seu cliente, trabalhar com ingredientes de qualidade e prestar um excelente serviço são pontos fundamentais para o negócio. Não basta saber cozinhar para ter uma empresa nesse mercado, por isso é sempre importante ter planejamento mais direcionado ao perfil do seu cliente”, pontua.

Próximas tendências
O setor de alimentação está sempre se inovando para poder acompanhar as tendências de consumo do seu público. Algumas delas devem continuar no próximo ano, enquanto outras devem surgir.
Mesmo com a crise econômica, o consumidor continuou gastando com a alimentação fora do lar e não abre mão de ter produtos de qualidade. Exemplo disso é que ele está disposto a pagar mais por alimentos que se adequam ao seu estilo de vida. “Trata-se de um segmento que sabe absorver as tendências globais para atender as necessidades dos consumidores finais”, pontua Karen.
Segundo ela, um dos fatores que devem nortear as tendências em 2018 é a personalização de alimentos e serviços. “O que tem se observado é que, cada vez mais, os consumidores estão em busca de qualidade, tanto do que consomem quanto como consomem”, finaliza a profissional.

Tendências alinhadas
Algumas empresas uniram mais de uma tendência para criar seu modelo de negócio. É o caso dos clubes de assinatura com alimentos saudáveis, que unem a praticidade e conveniência de receber os itens em casa com os melhores produtos para a saúde.
A Glúten Free Box é uma dessas empresas, que envia, mensalmente, produtos sem glúten para os assinantes do serviço. Cada caixa de itens custa a partir de R$69,90. De acordo com informações da organização, os valores são sempre menores do que o que seria gasto comprando os produtos de forma avulsa.
A marca aposta na oferta de produtos que nem sempre são fáceis de serem encontrados pelos consumidores, já que os itens sem glúten são bem específicos.

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