Confeitaria de sucesso com R$100

Sayonara Tozzi, da Je t’aime Cookies, tem obtido lucros significativos e planeja expansão do empreendimento

A ex-estudante de Direito Sayonara Tozzi começou o seu empreendimento, a Je t’aime Cookies, com um investimento de R$ 100 reais. Atualmente, a profissional tem alcançado bons resultados com o negócio. Em entrevista para a Food Service News, a jovem falou mais a respeito de suas realizações e desafios.

Food Service News: Como o negócio começou?
Sayonara Tozzi: Eu estudava Direito, estava no penúltimo ano. Quando minha mãe ficou doente, teve um Acidente Vascular Cerebral (AVC), após ficar mais de 15 dias internada, ela veio a falecer, tirando meu chão, minha vontade de continuar qualquer coisa que antes parecia certa. Encerrei todos os meus projetos, tanto faculdade quanto trabalho, ficando em casa em torno de um ano, sem propósito, sem vontade, só pensando em tudo o que tinha perdido. Sim, quando você perde a sua mãe, você praticamente perde a sua história, tem coisas que só ela vai saber… Minha mãe era muito guerreira, me criou praticamente sozinha, e, foi quando pensando nela mesmo e em toda a sua história, eu resolvi fazer algo que me traria a vida novamente, depois de meses, fazer algo que gostava. Investi R$ 100,00 e divulguei entre meus amigos e, na primeira noite, recuperei o investimento e dobrei o valor. Comecei a venda de bolachas caseiras apenas e iniciei a venda em bazares. Após um tempo, comecei a verificar a demanda de outros produtos, como bolos, brigadeiros, doces finos e doces personalizados, e iniciei cursos para me aperfeiçoar na área da confeitaria.

FSN: Quais são os seus principais diferenciais?
ST: Dedicação, uma formação adequada em uma instituição boa, ingredientes de primeira linha, servir o cliente da mesma maneira que eu gostaria que me servisse, com um produto bom, com muito amor, servir um “pedaço do céu”, oferecer sempre o melhor e sempre procurar inovar. O cliente é tratado como se fosse único, e cada um tem, sim, um atendimento personalizado. Disso eu não abro mão. Não é só dinheiro, é amor por cada brigadeiro, por cada bolo e por cada bolacha que sai da minha cozinha. É a minha marca, é um pedaço de mim que sai da cozinha, a minha dedicação e, principalmente, o meu amor.

FSN: Quais foram os maiores desafios vividos?

ST: Desafios foram vários. De início, eu fui contra mim mesma, me enterrei em uma tristeza que nunca imaginei que fosse capaz de sair, mas consegui, a dor fica e a saudade te força a ser mais forte e te faz pensar que, se não fizer algo por você mesma, vai definhar até quando não houver mais saída. Logo após foi meu esposo, que não acreditava que eu ia conseguir iniciar uma carreira do zero e largar uma faculdade que estava praticamente finalizada, mas, como eu disse para várias pessoas que me questionaram sobre isso, não adianta você seguir um plano só porque é mais cômodo, você precisa fazer aquilo que te faz bem e que te faz feliz. O último desafio foi o preconceito de muita gente sentido na pele. Quem trabalha pra si tem o “privilégio” de fazer o seu horário, mas nem por isso não trabalha duro. Não ter uma carteira assinada não te faz menos trabalhadora, ao contrário, você acaba tendo que trabalhar bem mais. Ninguém vê as horas mal dormidas, as noites em claro, para entregar um trabalho bem feito. Sim, nós fazemos os nossos horários, mas sendo assim é que ficamos mais de 15 horas em pé. Venci, sim, a maioria dos desafios. Quem não acreditava em mim, hoje são os que mais me apóiam, e sou grata por isso.

“Hoje fechamos encomendas de valores como R$2800,00 um salário de um trabalhador comum que espera por um mês o salário cair. Com o nosso carrinho, os valores variam de R$325,00 a R$1100 a cada 4 horas, dependendo do número de convidados” diz Sayonara Tozzi


FSN: Como eles foram superados?

ST: Demonstrei através de cada encomenda fechada, a cada noite em claro. Eu provei que tinha uma empresa em nossas mãos que poderia, sim, dar certo. Cada cliente voltando para comprar novamente era uma forma de demonstrar que o produto tinha tudo pra dar certo. Fui fiel aos meus planos e aos meus sonhos e provei que isso não era uma brincadeira e, sim, um sonho criando vida. Eu me orgulho de cada passo que damos, e a cada dor nas costas ou queimadura no braço eu dou valor à minha empresa. Ela me trouxe a vida que achei que tinha perdido.

FSN: Quais foram os maiores aprendizados ao longo do caminho?

ST: “Nunca Desistir”. Provei que cada passo dado era uma luta vencida. Sim, é difícil, doloroso, cansativo, mas jamais desistir se isso te faz bem. “Não ter medo de arriscar”. Tudo pode acontecer nesta vida, você pode acreditar muito em algo, mas, mesmo assim, ter medo de arriscar. Muita gente tem ideias boas, mas não as coloca em prática por medo de simplesmente arriscar e perder o pouco que tem. Eu fui diferente. Arrisquei o que eu tinha, fiz dívidas, que hoje estão quitadas. Acredite, se você não fizer por você aquilo que acredita, ninguém fará. O medo não te traz nada, só te deixa estacionado no mesmo local. “Correr atrás do que acredita”, ou seja, acreditar mais em você mesmo, ser forte e, mesmo quando for difícil, ser mais forte do que o obstáculo. Aprendi também que tudo nesta vida possui um propósito e precisamos nos erguer, mesmo a queda sendo muito dolorosa.

FSN: Quais os números da empresa que podemos destacar?

ST: Hoje fechamos encomendas de valores como R$2800,00, um salário de um trabalhador comum que espera por um mês o salário cair. Com o nosso carrinho, os valores variam de R$325,00 a R$1100 a cada 4 horas, dependendo do número de convidados. São valores altos para uma empresa pequena, que iniciou com R$100,00. Mas não se engane: com o dinheiro vem muito mais trabalho e muito mais responsabilidade.

FSN: Por que investir na área de alimentação?

ST: Foi um plano arriscado, mas sempre amei fazer doces. Desde pequena, eu era responsável por fazer as sobremesas de casa. Quando fazia faculdade de Direito, tinha em mente que só iriam me procurar quando algo de ruim acontecesse, como divórcio, inventário etc. Fazendo doces, eu levo a felicidade para quem comer. Ninguém se reúne para comer brigadeiro e assinar o divórcio. Hoje, meu trabalho celebra um aniversário, um casamento, um nascimento e por aí vai. Gosto de levar alegria por onde eu for com os meus doces, dando a sensação de felicidade, algo que já foi comprovado por cientista, acho eu (risos).

FSN: Como se destacar no mercado atualmente?

ST: Atualmente, as redes sociais são uma grande aliada. Temos diversas parcerias de sucesso que nos trazem mais seguidores e mais orçamentos, diversas divulgações, e temos hoje os digitais influencers, que nos ajudam com publicações sobre o nosso trabalho.

FSN: Como você classifica a área de alimentação fora do lar atualmente?

ST: Tudo está sendo gourmetizado, como já ouvi muita gente falar, mas a realidade é que, agora, os profissionais estão utilizando ingredientes melhores e diferentes do dia a dia. Estamos criando paladares diferenciados com os nossos produtos. Hoje, a Je t’aime Cookies possui um cardápio de mais de 50 sabores de brigadeiro. Sim, a cada dia que passa, a alimentação vem sendo recriada.

FSN: Como obter êxito profissional?

ST: Ser fiel ao seu produto, valorizar o seu trabalho e jamais se esquecer do começo, de onde você veio até onde você está. Nunca estagnar, sempre querer mais. Nada é fácil hoje em dia e, se você não arriscar, nada valerá a pena. Há muita concorrência na minha área, mas é aí que você deve se sobressair sendo sempre o melhor da sua área.

FSN: Quais os planos da empresa em médio e em longo prazo?

ST: Em médio prazo, realizar a compra de novos carrinhos e não somente com o buffet de brigadeiro, mas também iniciar o buffet de fini e conseguindo realizar mais de um evento por dia. Em longo prazo, a abertura de um ateliê. Hoje, trabalho em casa, e está ficando pequeno com tantos utensílios.

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