Com a fama de patinho feio

Por mais inquestionável que seja o crescimento do segmento nos últimos anos, assim como a melhora na percepção de seu potencial como negócio, ainda é predominante nas grandes indústrias o desconhecimento ou miopia sobre a importância e a real dimensão do canal.
Isso não por parte das pessoas que tocam ou trabalham nas áreas especializadas ou dedicadas ao Food Service, mas por parte de gestores de marcas e produtos que nasceram e cresceram com a visão de que venda importante só existe nos canais do varejo tradicional, isto é, supermercados, lojas de conveniência e similares.

Um dos principais motivos para que a percepção seja esta, apesar do tamanho real que o canal tem, sem dúvida alguma é a impossibilidade da mensuração das vendas que a indústria faz para o Food Service mas que ocorre através de outros canais, como o pequeno varejo, o pequeno atacadista e os chamados “atacarejos”.

Com o nível de informalidade que o segmento tem e a relevância dos operadores pulverizados, que correspondem a 97% do total do mercado, são raros os clientes que se enquadram nas premissas de abastecimento da indústria de forma direta.
Sendo assim, quando a análise é feita, tudo que é consumido no Food através de outros canais é considerado Varejo.

Como normalmente o volume de vendas e o potencial que definem as prioridades nas empresas, o Food Service continua sendo visto como Patinho Feio pelos marqueteiros de escritório, aqueles que tocam seus negócios apenas baseados em pesquisas Nielsen e acreditam que o universo se resume ao shopping onde almoçam com a família aos fins de semana.

Continuam preferindo gastar dinheiro com degustações e promoções em redes de supermercados do que divulgar suas marcas para milhões de consumidores que se alimentam fora do lar todos os dias e pagariam para experimentar seus produtos.

Ignoram o canal como opção de construção de posicionamento e de novos hábitos de consumo, que é um trabalho impossível de ser feito no varejo tradicional, demanda investimentos monstruosos de mídia e que poderia ser suportado ou reforçado no canal Food Service com grande eficiência.

Sorte das empresas e empreendedores que já sabem disso e dos que entenderão rápido, pois a tendência, apesar de altos e baixos, é de que o segmento continue crescendo por muitos anos.

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Sócio Diretor da ZAK Business Development Graduado em Direito, com Pós Graduação em Marketing e Gastronomia, atua no segmento de Food Service desde 1989, exercendo funções de Gerência e Direção nas áreas de Operações e Marketing. Gerente Geral da Pizza Hut para o mercado de São Paulo até novembro de 2010.

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