O mercado – Cenas dos próximos capítulos

Grande parte do tempo e do esforço ao longo deste último ano tem sido colocado na discussão sobre como conviver ou sobreviver ao período de estagnação de nosso mercado; já dedicamos este espaço algumas vezes a este tema.
Mas, estimulado por diversas palestras e encontros que tenho feito, me ocorreu ao menos começar uma outra discussão: o que ocorre depois da estagnação, da crise.
Como faltam referências em nosso mercado brasileiro – que nunca passou por um momento desses antes – vou me servir do que ocorreu em outros Países, após a forte crise econômica mundial lá pelos anos de 2008 e 9.
De forma geral, há uma lição acima de todas as outras: como um movimento irreversível em todas as regiões do mundo em que a população é fortemente urbana, o Foodservice retoma os volumes com o tempo.
Algo como 2 a 3 anos de queda, compensado por uns 2 a 4 anos de recuperação e o faturamento total do mercado retoma às bases anteriores e, em seguida, continua a crescer.
Essa é a notícia boa: o mercado cedeu um pouco por aqui no ano passado, cede no ano atual e é possível até que ceda ainda em 2017… e depois, começará um ciclo de retomada. Podem cravar: isso vai acontecer.
Porém, vejam bem, falamos que o faturamento total do mercado se recupera, mas não falamos que ele continuará a ser o mesmo.
O aprendizado com outros Países mostra que parte dos hábitos e das atitudes que o consumidor passa a desenvolver, por conta de fenômenos como desemprego e perda de poder aquisitivo, continuam a existir mesmo com a recuperação.
Mais, alguns destes hábitos e atitudes simplesmente levam o consumidor a repensar como vale mais a pena se relacionar com o consumo, neste caso, de alimentação fora do lar.
E, na carona das transformações do consumidor, os estabelecimentos que o atendem também se adaptam e acabam perpetuando novos modelos, soluções e propostas de valor.
Sem entrar em inúmeros exemplos possíveis, queria destacar dois fatos extremamente relevantes: ainda hoje, perto de 6 anos após a tal crise, o mercado não retomou o tráfego (movimento) anterior; a frequência de consumo não voltou a ser a que havia antes.
Por outro lado, o ticket médio ao longo deste período vem crescendo!
Resumindo: o consumidor está consumindo de forma um pouco mais “espaçada”, mas consumindo opções um pouco melhores.
A conclusão, é que o consumidor aprende a “gastar melhor”, passa a fazer escolhas mais racionais, balizada pelo conceito de valorizar mais o dinheiro que gasta na alimentação fora do lar, buscando experiências mais satisfatórias.
Nas entrelinhas desta constatação, há alguns insights do que deve vir pela frente daqui a pouco por aqui. E, quem souber ler estas entrelinhas e se preparar para um futuro “diferente” do que já foi o mercado, certamente sairá vencedor.

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Fundador da Food Consulting e Food Experts, empresas especializadas em Foodservice, criador e titular do curso Gestão Estratégica de Foodservice na ESPM-SP há 10 anos e palestrante sobre o mercado de Foodservice e Alimentação, para várias das mais importantes empresas e associações do país; foi executivo de grandes empresas como Sadia, Ceval, Bunge, 3 Corações, entre tantas outras atuações profissionais de sucesso.

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