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Relação homem-máquina na indústria de alimentos e bebidas vem se mostrando harmoniosa e cheias de benefícios em diferentes áreas

A quarta revolução industrial ou Indústria 4.0 tem afetado diversas organizações ao redor do globo. Com soluções, muitas vezes, mais eficientes, as empresas estão se inserindo, cada vez mais, em uma nova realidade, em que a tecnologia determina diversas ações e traz uma série de benefícios.

Atuação

A ABB é uma das líderes em soluções digitais e tecnologias de automação, robótica e energia. Durante a Fispal Tecnologia, que neste ano foi realizada entre os dias 26 e 29 de junho, na São Paulo Expo, a empresa focou em alguns desafios das indústrias do segmento de alimentos e bebidas: eficiência energética, digitalização, produtividade e qualidade de energia.

A participação da ABB na indústria desse segmento tem aumentado nos últimos três anos, e a expectativa de crescimento para 2018 é ainda maior, devido à aquisição da B&R, maior fornecedora de automação de máquinas, com foco, sobretudo, no engarrafamento de bebidas.

“Os robôs colaborativos, ou cobots, foram desenvolvidos para trabalhar ao lado dos seres humanos, sem oferecer riscos”, diz Daniel Diniz, gerente de marketing e vendas da robótica da ABB Brasil

A ABB conta com soluções que vão desde a energia à paletização, por meio de sistemas inteligentes de potência, controle e gestão de ambientes industriais – base para adequação dos parques fabris à realidade da quarta revolução industrial.

A robótica colaborativa é algo trabalhado pela ABB, que vê uma grande oportunidade de expansão dessa solução na área de alimentos e bebidas. Durante a Fispal, por exemplo, o famoso robô YuMi preparou um café para os presentes, além de ter entregado um convite para uma visita ao estande da B&R.

Mas como é o funcionamento desses robôs? Daniel Diniz, gerente de marketing e vendas da robótica da ABB Brasil, fala mais sobre o assunto. “Os robôs colaborativos, ou cobots, foram desenvolvidos para trabalhar ao lado dos seres humanos, sem oferecer riscos. Esse tipo de robô torna as linhas de produção mais flexíveis e elimina a necessidade das barreiras de proteção, que costumam separar os robôs e os trabalhadores nas indústrias. A ABB é a fabricante do YuMi, o primeiro robô colaborativo industrial de dois braços. Os sensores de movimento antichoque e a tecnologia antiesmagamento permitem essa interação com seres humanos. Batizado de YuMi pela junção das palavras ‘you and me’, o robô foi concebido para manipulação de objetos pequenos com muita precisão”, afirma ele.

Conforme descreve o profissional, os robôs colaborativos são pequenos, contam com alta precisão, velocidade limitada e, ainda, suportam uma carga baixa, para que, dessa maneira, possa ser garantida a segurança das pessoas que estão ao redor.
“O robô do modelo do YuMi pesa 38kg e pode ser ligado em uma tomada comum. Sua versatilidade permite a criação de aplicações que vão desde dobradura para embalagens de doces, passando pela montagem de caixas de bombons, picking, testes de amostras em laboratórios, entre outras. A ABB também está ampliando as possibilidades da robótica colaborativa com o sistema de segurança SafeMove2. A tecnologia permite supervisionar os movimentos e velocidades do robô, tornando possível células robóticas mais enxutas e trabalho colaborativo homem-máquina com robôs de alta velocidade e alta carga, garantindo alta produtividade com flexibilidade”, diz.

De acordo com Diniz, o principal cuidado ao se trabalhar com robôs colaborativos é garantir que dispositivos usados para o funcionamento da solução onde o robô estará instalado também mantenham o nível de segurança certo para uma operação conjunta com um ser humano.
“Por exemplo, o YuMi pode vir com as ferramentas de manipulação, ou ‘garras’, incorporadas e totalmente colaborativas, garantindo 100% a segurança da solução. Caso uma ‘garra’ não colaborativa seja instalada em um robô colaborativo, a solução não permitirá o trabalho conjunto com pessoas. Outro ponto importante é entender e definir os corretos tipos de aplicação onde eles devem ser utilizados. Em uma aplicação que demanda um robô de alta produtividade, a utilização de robôs colaborativos pode gerar perda de eficiência e desgaste prematuro. O SafeMove2 da ABB ajuda a preencher essa lacuna”, explica ele.

Quando perguntando sobre por que os robôs são importantes no segmento de alimentação, o profissional destaca que eles permitem ganhos em produtividade e eficiência, além de fornecer às indústrias da área mais flexibilidade para o lançamento de produtos em ciclos cada vez menores. Dessa maneira, a robótica coopera para a competitividade de quem atua no setor. “Os robôs podem manipular alimentos, ser utilizados para desossa de carnes, paletização, encaixotamento, testes de qualidade, entre outras aplicações”, diz ele.
Para Diniz, a Indústria 4.0 abre possibilidades que nunca foram imaginadas pelas gerações anteriores e permite, ainda, a flexibilização do ambiente fabril, para que as organizações acompanhem e também se adequem à tendência de customização na produção.
“Um robô pode ser programado para uma aplicação diferente da inicial, em ambiente virtual, e ficar pronto para executar a produção de um novo produto em poucas horas. Isso amplia as possibilidades das fábricas e acelera o lançamento de novos produtos no mercado. Além disso, o comissionamento virtual de robôs permite aos gerentes de plantas e engenheiros de produção assegurar processos eficientes e eficazes, beneficiando diretamente pequenos e médios produtores”, ressalta ele.
O profissional acrescenta que os robôs estarão cada vez mais presentes para a realização de tarefas pesadas e repetitivas, das quais as pessoas ficarão mais livres para se dedicar a outros tipos de tarefas.

“O Brasil tem muitas oportunidades de negócio com alto potencial de robotização e digitalização. A ABB acredita que teremos cada vez mais robôs trabalhando de forma conjunta com o homem, que é o caso dos robôs colaborativos e das células colaborativas utilizando o SafeMove2. Além disso, robôs vão criar novos empregos ligados à inteligência para análise de dados, e as empresas precisarão de trabalhadores especializados para monitorar, controlar e programar esse exército de robôs. Coreia do Sul, Japão e Alemanha são os três maiores países em número de robôs instalados para cada 10.000 funcionários. No entanto, esses países apresentam baixos índices de desemprego”, finaliza.

Investimentos

Recentemente, um cobot, robô colaborativo fabricado pela Universal Robots (UR), esteve no bar La Birra Brew Pub, em Gramado, no Rio Grande do Sul, para interagir e servir bebidas aos presentes. Durante a Fispal Tecnologia, um cobot também da UR deu as boas-vidas aos visitantes e entregou mapas da indústria. Situações como essas só tendem a se repetir cada vez mais. Para se ter uma ideia, a BIS Research Analsys estima que o volume de cobots aumente mais de 70% ao ano, chegando a mais de 120 mil unidades no ano de 2021. Só a Universal Robots cresceu 72% em 2017.
“A UR é pioneira em robótica, tendo lançado o UR5 em 2008. Atualmente, temos 6 modelos: UR3 (carga útil de 3 kg), UR5 (carga útil de 5 kg) e UR10 (carga útil de 10 kg). E a nova geração e-Series, onde há muito mais tecnologia embarcada para aprimorar segurança, programação simples e flexibilidade: UR3e, UR5e, UR10e”, destaca Denis Pineda, country manager da UR.

“Eles modernizam as indústrias de alimentos para os níveis mais avançados de tecnologia e atendem os critérios exigidos por essa indústria ao mesmo tempo em que melhoram a qualidade da produção”, destaca Denis Pineda,
country manager da UR

O profissional explica que são robôs industriais, projetados e construídos para trabalhar no mesmo espaço das pessoas. Os equipamentos, conforme ele explica, contam com tecnologia de segurança embarcada para detectar forças externas, devido ao sistema de limitação de força e potência ajustáveis à aplicação. Os cobots param quando há contato imprevisto com outros equipamentos ou com seres humanos.

Quando se trata dos diferenciais dos cobots da UR, Pineda cita alguns deles. “Fácil Programação: a tecnologia patenteada permite que operadores sem experiência em programação configurem e operem rapidamente nossos cobots com uma visualização intuitiva em 3D. Basta mover o braço robótico até pontos de rota desejados ou tocar nas teclas de seta no tablet com tela sensível ao toque de fácil utilização”, diz ele.
“Configuração rápida: Universal Robots revolucionou a configuração de cobots, reduzindo o tempo típico de implantação robótica medido em semanas para uma questão de horas. O tempo de configuração médio relatado pelos nossos clientes é de apenas metade de um dia. Geralmente, um operador inexperiente leva menos de uma hora para desembalar o cobot, montá-lo e programar a primeira tarefa simples”, afirma.

“Implementação flexível: não fique limitado por uma robótica específica. Os robôs da Universal Robots são leves, ocupam pouco espaço e são fáceis de reimplantar em diversas aplicações sem alterar seu layout de produção. A migração do cobot para novos processos é rápida e fácil, o que dá a você a agilidade necessária para automatizar praticamente qualquer tarefa manual, incluindo aquelas com pequenos lotes ou rápidas substituições. O cobot é capaz de voltar a utilizar os programas para tarefas recorrentes”, ressalta.

“Colaborativo e seguro: pode-se substituir operadores humanos em trabalhos sujos, perigosos e tediosos para reduzir esforços repetitivos e lesões acidentais. O sistema de segurança dos nossos robôs é aprovado e certificado pela TÜV (A Associação de Inspeção Técnica Alemã)”, frisa.

De acordo com o profissional, o cuidado mais importante que se deve ter com os robôs é a apreciação de risco conforme a NT-31. “Os cobots são ferramentas com tecnologia de segurança embarcada. Para que o sistema, do qual o cobot faz parte, seja seguro, é importante que os demais acessórios também sejam projetados para evitar riscos. Por exemplo: um cobot com uma caneta na extremidade pode ser perigoso, pois a ponta da caneta tem superfície muito pequena, segundo a ISO T/S 15066 (especificação internacional para instalação de cobots), há limites de força e pressão específicos para cada parte do corpo humano, havendo uma superfície de contato muito pequena há que se tomar as devidas precauções definidas na apreciação de risco”, relata.

Relevância

Pineda diz que, ao longo da cadeia de fornecimento de alimentos, incluindo a produção, o processamento e a distribuição, os braços de robôs podem ser uma grande vantagem para diversas áreas de aplicação. “Eles modernizam as indústrias de alimentos para os níveis mais avançados de tecnologia e atendem os critérios exigidos por essa indústria ao mesmo tempo em que melhoram a qualidade da produção”, salienta.
Alguns dos benefícios do cobots da UR para o setor, segundo o profissional, são a “segurança (os braços robóticos da UR são projetados para trabalhar em estreita proximidade com seres humanos, com total segurança); design ideal do cobot (o invólucro exterior dos robôs é especificamente concebido para reduzir o risco de acúmulo de poeira e detritos); ergonomia (os cobots da UR podem dispensar sua força de trabalho de tarefas repetitivas ou perigosas e, ao mesmo tempo, poupá-la do trabalho em cenários agressivos de produção de alimentos, como ambientes muito quentes, frios ou desagradáveis e para reduzir lesões acidentais ou por tensão repetitiva e, ao mesmo tempo, liberar os operadores humanos para tarefas qualitativamente mais altas); tempo x desperdício (os cobots melhoram a consistência ao mesmo tempo em que reduzem o desperdício); trabalho ininterrupto (durante os períodos movimentados, os robôs da Universal Robots podem operar dia e noite, proporcionando produtividade ininterrupta para os seus negócios. Eles podem ser implantados e reprogramados conforme necessário entre tarefas e aplicações, quantas vezes forem necessárias”, destaca ele. “Em suma, cobots podem liberar pessoas de tarefas perigosas, repetitivas, não ergonômicas ou até insalubres além de trazer aumentos de eficiência. As aplicações no Brasil em paletização e outros processos de embalagem já são muitas”, afirma.

O profissional explica que os robôs colaborativos da UR podem trabalhar em todas as fases da linha industrial, ou seja, eles podem atuar ao longo da cadeia de fornecimento de itens alimentícios, como a produção, o processamento e a distribuição. Pineda diz que as aplicações mais recorrentes são em paletização e em processos intermediários de embalagens.

Sobre as principais mudanças que os robôs vêm trazendo para o segmento, o profissional diz que são o aumento de eficiência produtiva, o incremento de qualidade por meio de redução de refugo e a redução de risco ergonômico ou por esforço repetitivo.
“Os robôs colaborativos estão revolucionando a indústria e quebrando paradigmas ao automatizar postos de trabalho nunca antes pensados. Os braços robóticos da UR são projetados para trabalhar em estreita proximidade com seres humanos, com total segurança. Oitenta por cento dos milhares de robôs da UR em todo o mundo operam sem proteções de segurança (após avaliação de risco) ao lado de operadores humanos”, afirma.
Para Pineda, as empresas que antes adotarem a tecnologia vão ter uma vantagem competitiva, uma vez que os cobots como ferramenta estão revolucionando os processos de manufatura.

“A Universal Robots identifica as sete principais razões pelas quais a automação – especificamente cobots – é um investimento positivo para operações de fabricação de qualquer tamanho e em qualquer local”, destaca ele, que cita os elementos abaixo.
“Custo-benefício e versatilidade. Os cobots desempenham um papel importante ao permitir empresas que, de outra forma, não teriam condições de investir em robôs de grande porte iniciem seu processo de automação. Eles ainda se adequam aos termos e ritmo de cada empreendedor”, diz.

“Durabilidade. Outra vantagem de usar cobots é que eles cumprem as melhores práticas reconhecidas para modelos de negócios digitais, apresentando ‘vida após a fábrica’ e, portanto, têm vida útil de longo prazo. Eles podem ser programados e reprogramados, ser instalados, reinstalados e movidos sem restrições. Ainda podem ser equipados e reequipados para atender às necessidades e prioridades em constante mudança das empresas”, ressalta.

“Re-shoring. Nos primeiros anos da globalização, muitas empresas descobriram que eram capazes de fazer uso de uma força de trabalho de baixo custo e relativamente pouco qualificada em outros países. O re-shoring – como a prática ficou conhecida – está trazendo as operações de fabricação, montagem e acabamento de volta para os mercados nos quais seus produtos finais serão vendidos”, pontua.

“Melhores empregos. Ao contrário das crenças amplamente difundidas, o aumento da automação não tem que impactar negativamente o emprego. Em vez disso, a implantação de cobots quase sempre resulta em criação líquida de empregos, porque as habilidades da força de trabalho humana podem ser utilizadas para gerar maior valor”, pondera.

“Proximidade de mercados. Quando uma planta de manufatura, processamento ou montagem está localizada no mesmo país (ou em proximidade geográfica) que os destinatários de seus bens e serviços, toda a cadeia de suprimentos e infraestrutura logística é muito mais curta e fácil de gerenciar e com menor impacto ambiental. A automação ativada por cobots torna mais fácil para as empresas produzirem bens próximos aos consumidores, o que beneficia o fabricante, os funcionários, os consumidores e as comunidades locais”, afirma.

“Empresas de todos os portes podem se beneficiar. A tecnologia de braços robóticos tornou os benefícios da robótica acessíveis para empresas de qualquer porte, inclusive pequenas e médias empresas. Devido ao seu custo mais baixo, os cobots permitem que até as pequenas empresas melhorem significativamente suas capacidades de produção sem grandes reformas nas instalações. Além de seu custo – que é apenas uma fração do custo de um robô industrial tradicional -, os robôs colaborativos oferecem benefícios que realmente importam para as pequenas e médias empresas. A instalação de seu sistema não requer habilidades especiais de programador”, destaca.

“Recuperar o valor humano. Robôs colaborativos também estão no centro de outra grande tendência de consumo: um desejo crescente de todos os produtos – mesmo quando fabricados em massa – parecerem feitos por seres humanos”, acrescenta.
O profissional finaliza dizendo que a UR, atualmente, é uma empresa crescendo a velocidade de empresas digitais. “A demanda do mercado brasileiro tem sido muito intensa e, felizmente, posso afirmar que nunca trabalhei tanto em minha vida”, diz.
Novidade

Outra novidade no mercado de food service é o Mogô, da Mogo Sistemas, de Pato Branco, no Paraná. Trata-se de um atendente de balanças inteligente. “Desenvolvido para ser utilizado em restaurantes que atendem no modelo self service – buffet por quilo, o Mogô é conectado a uma balança. Ele recepciona o cliente com diferentes frases de boas vindas, pesa o seu prato e entrega uma comanda, desejando uma boa refeição. Sempre de forma muito simpática”, diz Flavio Medeira, CEO da Mogo Sistemas.
De acordo com o profissional, um dos principais diferenciais do Mogô é eliminar a necessidade de ter um colaborador dedicado só para anotar o peso do consumo em uma comanda.

“Isso proporciona redução de custos com mão de obra e diminui a quantidade necessária de colaboradores para o preenchimento do quadro de funcionários. Além disso, o Mogô também ajuda os gestores no controle da operação, com informações que ajudam na gestão do negócio, como valor total de vendas, quantidade de quilos servidos, quantas refeições foram servidas, custo total estimado e lucro líquido estimado. Em resumo, proporcionar atendimento de qualidade com baixo custo operacional é a principal proposta do Mogô”, afirma.

Acerca dos principais cuidados que se deve ter com essa tecnologia, Medeira destaca que o Mogô emite ao cliente uma comanda via impressão térmica. Dessa maneira, é necessário verificar o término da bobina de papel, que alerta automaticamente o término com antecedência.

“Outro cuidado é com possíveis quedas. A dica é manter em local que não ofereça esse risco. Vale lembrar que a Mogo Sistemas oferece garantia do produto. Essa garantia é similar a garantia de um eletrodoméstico”, ressalta ele.
Para o profissional, a transformação da cadeia produtiva por meio da tecnologia é fundamental para qualquer segmento e isso não é diferente para a área de food service.

“A robótica, especificamente, vai auxiliar grandemente nessa transformação e, dessa forma, garantir melhores resultados para as empresas”, afirma. “Uma das principais mudanças que vejo é no comportamento das pessoas, sejam elas consumidores, empreendedores ou colaboradores, pois todo o cenário será de alguma forma afetado por essa transformação, e ao passo que as pessoas envolvidas entendem os benefícios, mais rápido o processo acontece, pois tudo o que proporciona agilidade e maior produtividade nas rotinas operacionais e, especialmente, oferece economia com mão de obra, é de grande ajuda para todos os atores do ecossistema”, diz.

Medeira ressalta que, por meio da transformação que a tecnologia vem proporcionando, pode-se dizer que existem oportunidades nascendo todos os dias. “Profissionais de todos os setores estão tendo que se reinventar, e aproveitar essa realidade depende muito de cada um, como também existe uma certa responsabilidade das empresas nessa mudança.
Outro ponto importante são as condições de trabalho, que se tornam cada vez mais favoráveis aos colaboradores”, frisa ele.

O profissional acredita que as empresas, aos poucos, estão se adequando a essa nova tendência “que é oferecer um atendimento mais ágil e com maior qualidade ao cliente, tanto em seus produtos como serviços, através da adoção e padronização de processos mais eficientes aliados à utilização de tecnologias”, diz.
Tendo todas essas questões em vista, por que um estabelecimento deve investir em um robô? “Avaliar e adotar novos processos são pontos-chave para que a empresa possa alcançar o sucesso tão almejado. O investimento em robôs pode trazer inúmeros benefícios e já é uma realidade, portanto também precisa ser avaliado”, destaca Medeira. “A aceitação do Mogô está acima do esperado, pois o mercado já percebe o quanto de benefícios soluções como essa podem trazer”, finaliza.

Soluções

A Tetra Pak é uma marca que conta com uma série de soluções amparadas sob o guarda-chuva da indústria 4.0. “A Tetra Pak é uma empresa com atuação de ponta a ponta, o que significa que respaldamos os nossos clientes em diferentes etapas do seu processo produtivo. Além das embalagens, desenvolvemos soluções de processamento e envase de alimentos e oferecemos um amplo portfólio de serviços desenhados para elevar a eficiência e rentabilidade das plantas de produção dos nossos clientes. Nossas soluções associadas ao conceito de indústria 4.0 estão inseridas no escopo do nosso braço de serviços: a Tetra Pak Services”, ressalta Edison Kubo, diretor de Portfólio de Serviços para as Américas da Tetra Pak.

“Os óculos de realidade mista são utilizados para a manutenção remota de equipamentos”, relata Edison Kubo, diretor de Portfólio de Serviços para as Américas da Tetra Pak

O profissional relata algumas das soluções de maior destaque no portfólio da companhia. “Plant Master: software para automação de processos. Captura uma série de informações das linhas de produção em operação na planta para então automatizar os processos em andamento”, diz.

“Manutenção Preditiva com o monitoramento das condições: solução que mede o desempenho de diferentes linhas de produção em operação no cliente de modo a evitar falhas e paradas não programadas de equipamentos. Sensores instalados nas máquinas acompanham o seu desempenho e indicam padrões que estejam fugindo do normal”, destaca.

“Monitoramento da Performance com o uso do Microsoft Azure: sistema baseado na nuvem onde são armazenados os dados de performance coletados nas máquinas em operação nos clientes da Tetra Pak em todo o mundo. Após a análise dos dados, são gerados relatórios de desempenho, o que permite indicar máquinas fatigadas e/ou prestes a apresentar falhas”, diz.

“Suporte remoto com a utilização do Microsoft HoloLens: os óculos de realidade mista são utilizados para a manutenção remota de equipamentos. Técnicos de campo da Tetra Pak podem se conectar com especialistas da empresa em outras regiões do mundo, agilizando e otimizando o atendimento aos clientes”, frisa.
“Código Único (Rastreabilidade): códigos posicionados nas embalagens permitem rastrear todos os processos aos quais cada produto foi submetido, garantindo maior controle e segurança à produção (rastreabilidade assegurada desde a matéria-prima até o consumidor final). Os dados associados ao produto também podem ser utilizados para novos formatos de interação com o consumidor final”, relata.

O profissional pondera que, atualmente, a utilização das linhas na indústria de alimentos e bebidas é baixa, cerca de 30%, o que, segundo ele, abre oportunidades para melhoria e ganhos em eficiência, que, sem o auxílio das ferramentas de digitalização, dificilmente seriam possíveis.
“Analisando diferentes segmentos, a indústria de alimentos e bebidas é uma das que têm demonstrado menor velocidade na adoção das tecnologias da indústria 4.0, ainda que os ganhos em competitividade e controle da produção possibilitados pelas novas tecnologias sejam imensos”, diz ele.

O profissional pontua que, por se tratar de um conceito que abrange novas tecnologias, muitas empresas ainda estão se familiarizando com a indústria 4.0 e com as novas oportunidades abertas por ela. “Sendo assim, é preciso capacitar os profissionais para que eles possam tirar o melhor proveito das tecnologias disponíveis hoje e, de fato, elevar o controle e nível de eficiência das fábricas. Por meio do nosso braço da Tetra Pak Services, oferecemos uma série de treinamentos às equipes dos nossos clientes, de modo que eles possam operar as novas tecnologias e ferramentas introduzidas pela indústria 4.0”, diz.

O tempo, de acordo com o profissional, é um fator preponderante para qualquer indústria, mas ele é mais crítico quando se analisa a fabricação de produtos perecíveis. “Por exemplo, a fabricação de leite se dá em cerca de 48 horas, considerando a chegada da matéria-prima, processamento e envase do produto. Qualquer parada não programada em máquinas representa um custo elevado para a indústria, por isso a importância de ter processos acurados e monitorados em tempo real, o que permite corrigir desvios antes que problemas de fato afetem a operação da indústria. Hoje temos casos de clientes que, após investirem em tecnologias amparadas sob o conceito de indústria 4.0, evitaram mais de 140 horas de interrupções não programadas e o desperdício de aproximadamente 4,2 mil embalagens. Em termos financeiros, isso significou a economia de € 121 mil por linha de produção, em um espaço de sete meses. Os ganhos foram possíveis devido à instalação de uma série de tecnologias que nos permitiu identificar desvios na operação de máquinas e prever falhas antes que elas de fato ocorressem”, relata o profissional.

Kubo pondera que, quando se fala de fábricas inteligentes, de modo geral, se fala acerca de ambientes que são monitorados por uma variedade de tecnologias que, entre outros aspectos, permitem monitorar dados gerados pelas máquinas – o chamado big data.
“Por exemplo, sensores instalados nas máquinas de nossos clientes nos permitem acompanhar o desempenho de cada equipamento e identificar desvios operacionais que, se não enfrentados previamente, acarretariam em falhas e em paradas não programadas de máquinas. Isso traz vantagens importantes aos nossos clientes, visto que eles ganham em disponibilidade dos equipamentos e têm maior controle sobre a operação da planta, o que por consequência resulta em maior assertividade ao programar a sua produção. Ou seja, ao abordar as principais mudanças colocadas pela indústria 4.0, podemos resumi-las em: maior controle operacional, maior eficiência fabril, redução no número de paradas não programadas de máquinas e ganhos em rentabilidade”, diz.

O profissional salienta que a digitalização representa uma transição que é algo natural para a indústria e, de uma maneira geral, reflete o atual processo de transformação das sociedades. “Nesse sentido, a indústria 4.0 não irá aumentar o nível de desemprego, mas abrirá caminho para o desenvolvimento de novas habilidades e funções dentro de unidades fabris. Em outras palavras, isso significa que o profissional do futuro terá um perfil muito mais analítico e voltado para a gestão e correlação de dados do que necessariamente para a execução de tarefas tidas como operacionais. Sob uma perspectiva histórica, o processo que enfrentamos hoje é o mesmo que sociedades passadas enfrentaram com o surgimento de outras tecnologias. Naturalmente, será necessário capacitar os profissionais para que eles possam lidar com as novas soluções disponíveis, mas isso não significará o enxugamento de vagas no mercado de trabalho, somente o desenvolvimento de novas habilidades em alinhamento com as transformações na indústria”, avalia.

As fábricas inteligentes, como frisa Kubo, já são uma realidade. Atualmente, segundo o profissional, nota-se que a indústria de alimentos e bebidas está atrasada na adoção do conceito quando comparada a outros setores, mas que isso não significa que ela estará alheia às mudanças que estão acontecendo. “Pelo contrário, dentro do modelo de indústria que está se desenhando o investimento nas tecnologias 4.0 será preponderante ao determinar o sucesso dos fabricantes de alimentos e bebidas – seja por permitir a automação de processos, o monitoramento em tempo real da fábrica, suporte remoto para a manutenção de equipamentos, rastreamento de produtos etc. Ou seja, as novas tecnologias trazem oportunidades enormes àqueles que investirem nelas”, diz.

ABB
new.abb.com/br
Universal Robots (UR)
www.universal-robots.com/pt/
Mogo Sistemas
www.mogo.com.br
Tetra Pak
www.tetrapak.com/br

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