Caipirinha: uma ótima forma de investimento

Um produto que é a cara do Brasil

caipirinha

O Brasil é um país cheio de colorido e cultura, mas quando se pergunta para alguém de fora o que a pessoa lembra quando ouve o nome de nosso país a pessoa responderá: “Caipirinha, Futebol e Carnaval”. Já é um senso comum pensar no Brasil e nessa bebida que tradicionalmente leva em sua composição limão, cachaça, gelo e açúcar, mas que pode ter diversas variações com frutas e outras bebidas.

Tudo começou no interior de São Paulo, por volta do ano de 1918, quando uma receita foi criada a partir da receita de xarope para a gripe espanhola. Essa receita levava limão, alho e mel e em diversos casos um pouco de cachaça. Isso porque antigamente as pessoas colocavam um pouco de álcool nos medicamentos para acelerar o seu efeito. Alguém decidiu eliminar dessa receita o alho e o mel e colocar umas colheres de açúcar para diminuir um pouco a acidez do limão. Nascia então a famosa caipirinha.

Quando o mel foi trocado pelo açúcar e o gelo substituiu o alho não se sabe ao certo, mas na semana da Arte Moderna em 1922, a caipirinha já tinha o status de drinque e foi adotado por intelectuais da época, entre eles Oswald de Andrade e Tarsila Amaral, como símbolo da cultura gastronômica nacional, e seguiu na bagagem destes modernistas para Paris e a partir daí o Brasil tinha um drinque para chamar de seu, fato oficializado apenas em 2003, pelo Presidente Lula.

Bebida de sabor ácido, aroma cítrico e paladar agradável dando água na boca, a caipirinha entrou em 1997 para o seletíssimo grupo de coquetéis da I.B.A – International Bartender’s Association, sendo assim divulgada para mais de 50 países e oferecida nos principais cardápios de bares e restaurantes mais famosos do planeta, preparadas pelos maiores mestres da arte da coquetelaria.

Os puristas diriam que caipirinha com “C” maiúsculo é só a de limão com cachaça “das boas”. Mas uma série de novas versões do drinque clássico tem aparecido nos principais bares da cidade. A criatividade do brasileiro é grande e mesmo os clássicos ganham novas versões com o passar do tempo. Não foi diferente com essa bebida, que passou a ter novos ingredientes em sua composição. Muitos bares passaram a combinar a bebida com frutas como maracujá, morango, kiwi e muitas outras opções. Além disso, também é bastante comum ver versões de caipirinha com outras bebidas, como a vodka e o vinho. Quanto mais diversidade puder ter a bebida, melhor é a combinação. A dica é experimentar todas as infinitas opções para descobrir uma favorita.

Caipirinha em conserva

Se é criatividade que você procura, o Tatu Bola Bar e Grelha é o destino certo. Localizado no coração do bairro Itaim Bibi, dos mesmos donos do Eu Tu Eles, o estabelecimento segue a mesma premissa do bar-irmão: ser uma animada happy hour para jovens arrumados e executivos que trabalham nos arredores. Um dos destaques fica no teto. São 75 mil fitinhas do senhor do Bonfim de várias cores e lustres de bronze, decorando a casa. No chão, mesas feitas de madeira de demolição e relíquias de feiras de antiguidades dão toque acolhedor ao ambiente.

No menu, as carnes grelhadas (tem parrilla) são ideais para acompanhar as caipirinhas, servidas em potes de conserva. Vale esclarecer que eles jamais foram habitados por palmitos, pepinos, picles ou congêneres. Todas as embalagens são novas.

São 15 receitas da bebida, sempre com uma versão especial disponível do dia, servida em um charmoso potinho. No Tatu Bola, o chefe de bar Leandro Rasta explica que um dos sócios se inspirou em uma viagem ao exterior. No começo, as embalagens chegavam dos EUA. Hoje vêm de um fornecedor em São Paulo. Ele conta que costuma preparar a bebida diretamente no vidro e depois manda para a mesa acompanhada de um canudo. “Os clientes gostam de receber um drinque lacrado, que eles mesmos chacoalham e abrem”, diz.

Cerca de 1500 caipirinhas são servidas ao longo da semana. A de uva com hortelã e cachaça (ou outra bebida destilada) é a campeã de vendas. O preço varia entre R$ 21,90 e R$ 23,90. E além do pote simples, há a Caipirão, servida em um pote de dois litros. “A caipirão é algo para a galera e a criamos com o intuito de ser divertido”, finaliza Rasta.

Lactobacilos loucos

Inaugurado junto com a Nova Praça Franklin Roosevelt em 2012, o Lekitsch Bar, destaca-se pela grande variedade de misturas para compor uma caipirinha. A mais inusitada é aquela que leva Yakult em sua composição. “Encontramos uma receita que levava o Yakult, achamos interessante e a aprimoramos aqui para o bar”, explica Jean Wellington Tavares, chefe de bar.

A decoração é uma mistura retrô e kitsch, que inclui pop-art, referências ao universo de Quentin Tarantino e Amy Winehouse. Faz parte ainda um monte de objetos nostálgicos, entre fitas cassetes, quadros de pin-ups, televisores em preto e branco, abajures estampados e até o brinquedo Genius. Dividido em dois pisos, um deles mais reservado e intimista com vista panorâmica para a praça, deixa a sensação de estar na sala de casa. Sofás e almofadas completam o clima de conforto.

Nas mesas, discos de vinil são usados como sousplat para petiscos e sanduíches do enxuto menu. O bolinho de arroz, preparado no próprio bar pelo chef Tom Castro, é sucesso incondicional. Sem rótulos de público, o Lekitsch procura atrair uma variedade de pessoas em busca de um ambiente aconchegante para beber e petiscar no centro de São Paulo.

Cerca de 100 caipirinhas são servidas por semana em um preço que varia entre R$ 18 e R$ 20. Para criar as misturas, muitas horas de laboratório são feitas. Assim experimentam-se novos sabores e trocam-se experiências. “É um mundo sem fim. O Brasil é cheio de frutas exóticas, o que nos dá um bom material para ser estudado. A alma da caipirinha é a fruta”, finaliza Tavares.

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Famosa pelo boca a boca

No largo da caixa d’água da Vila Mariana, você encontra um dos maiores sucessos do boca a boca paulistano, o Veloso, com suas caipirinhas e petiscos mil. Para conseguir um espacinho por ali, só chegando cedo ou tendo sorte: uma mesa é missão quase impossível. Entre as míticas caipirinhas preparadas por Souza, que já ganhou seis vezes como barman do ano no “Comer & Beber”, algumas apostas são pedidas mais do que certas. Entre elas, tangerina com pimenta dedo-de-moça, limão com caju, morango com limão e fisális (R$ 17,00, com cachaça; R$ 20,00, com vodca nacional). A de jabuticaba não deve ser pedida com pinga, pois a aguardente anula o sabor da fruta.

Souza é o responsável por essas obras-primas e está há quase vinte anos na noite paulistana. Antes de trabalhar no Veloso e começar a fazer caipirinha, ele foi aprendiz de barman no Pandoro, outro bar tradicional de São Paulo, que se destaca por ter o famoso caju amigo.

O chope por lá também é tirado com maestria (Brahma, R$ 6,00) e chega em taça com pezinho. Outro símbolo local são as coxinhas de frango com catupiry (R$ 24,00 seis unidades), gordas, com recheio para lá de untuoso, chegam branquinhas e têm fãs fervorosos.

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