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2005-07-12-Empresas prepararam-se para o crescimento do foodservice

Márcio Kawassaki *


Equipe Fator Corretora

A expansão do segmento do foodservice está ocorrendo, principalmente em função dos novos hábitos do consumidor. Os compromissos profissionais e as várias opções de lazer, principalmente aliados a um estilo de vida moderno têm feito com que cada vez mais pessoas alimentem-se fora de casa. Segundo fontes do setor, nas grandes cidades norte-americanas, cerca de 55% da alimentação já é feita dessa forma. Na Europa esse índice chega a 70% e no Brasil é de 25%. Baixo, perto do padrão americano e europeu, mas com expectativas de um forte aumento no médio prazo. Os principais fatores que nos levam à essa conclusão são o aumento do número de mulheres na força de trabalho, a grande urbanização do País, o alto percentual de população jovem e o aumento de pessoas que moram sozinhas.

As empresas do setor de alimentos têm se preparado para essa nova realidade.Tomemos o caso da Sadia e Perdigão, por exemplo, a maior e a segunda maior processadoras de carnes do País. Ambas têm apresentado um crescimento constante no segmento de pratos prontos para atender a essa demanda, que chegou a representar cerca de 10% das vendas no mercado interno em 2004 contra uma participação inexpressiva há dez anos.

Para 2005, as boas notícias vêm dos indicadores de emprego, já que os índices de desemprego têm caído gradativamente ao longo dos meses, e da retomada da atividade econômica que, segundo dados do IBGE, cresceu em praticamente todos os meses de 2004 em relação ao mesmo período de 2003. No médio prazo, isso deve provocar um aumento de renda e maior disponibilidade de compra, melhorando o padrão de consumo da população com a migração para as marcas líderes.

O cenário que traçamos tende a beneficiar os produtos de maior valor agregado, o que inclui o foodservice, e assim reflete no crescimento de consumo de produtos industrializados, contribuindo para a melhora de margem dessas empresas. Esse segmento é o mais importante representando 36% da receita total da Perdigão e 41% para a Sadia. Como as exportações pautam-se basicamente em carnes in-natura, uma commodity, não é possível agregar valor a esses produtos. Assim, essas empresas aproveitam o mercado interno para vender industrializados e aproveitam-se do reconhecimento de uma marca forte para ganhar margens nos preços vendidos.

Com a recuperação parcial do poder aquisitivo perdido nos últimos anos, haverá uma demanda maior e um uptrade no mix de produtos vendidos. A melhora, entretanto, não será muito forte. Esperamos um crescimento em torno de 6% a 8% em relação a 2004.

As empresas que analisamos têm apresentado contínuo empobrecimento do mix de produtos vendidos desde 2002 e que se manteve em 2004. O crescimento do consumo de industrializados no Brasil até setembro de 2004 foi de 9,6% revertendo a queda de 4,6% ocorrida no mesmo período de 2003. Entretanto, houve migração para produtos menos nobres, como as lingüiças e salsichas. Quanto ao consumo de carnes congeladas, o crescimento de 17,2%, embora expressivo, também foi direcionado a produtos mais baratos como o steak e o hambúrguer. Se fossem retirados esses dois produtos do mix, o crescimento acompanharia a evolução da massa de renda da população.

Entretanto, para o segmento de foodservice o desempenho foi mais positivo. Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia) esse setor representa 25% do faturamento da indústria no mercado doméstico de alimentos processados estimado em R$ 116,4 bilhões em 2003. Como as estimativas da Abia para 2004 eram de um crescimento de 12% sobre o mesmo período do ano anterior, podemos supor que o crescimento de vendas de processados foi bastante ajudado por esse segmento.

Para reforçar a visão de uma perspectiva positiva no longo prazo, praticamente todas as empresas do setor anunciaram investimentos para ampliação da capacidade de produção esperada para os próximos anos. A Sadia investirá R$ 185 milhões para ampliação de capacidade de produção na unidade de Uberlândia, no Triangulo Mineiro, que passará a ser a principal planta da empresa. Estes investimentos serão feitos até 2007 e serão alocados no abate de aves, suínos e perus, praticamente dobrando a capacidade atual da fábrica.

Outra gigante do setor, a Perdigão, investirá R$ 240 milhões até 2007 em um novo complexo industrial em Mineiros, Estado de Goiás. Esses investimentos deverão aumentar a capacidade de abates de aves em 11% e a de frigorificados de aves em 14% até 2008, em comparação a dezembro de 2003. Se considerarmos a ampliação da unidade de Rio Verde, Goiás, sua maior planta, a expansão da capacidade de abate de aves chega a quase 30%.

* É analista financeiro da Fator Corretora, onde atua nos setores de alimentos, bebidas, fumo, comércio, têxtil e fertilizantes. Márcio Kawassaki é graduado em administração de empresas pela FGV-SP tem MBA executivo em finanças pelo Ibmec e é membro da Associação Brasileira dos Profissionais e Analistas do Mercado de Capitais (Apimec). Seus trabalhos anteriores foram no Bradesco, Pão de Açúcar e Perdigão.

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