A tentação do delivery

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Conceito operacional trazido profissionalmente para o Brasil na década de 80, o serviço de entrega em domicílio ou Delivery, como é conhecido, hoje está presente em parte significativa dos estabelecimentos de alimentação do país, nas mais diversas formas.
No entanto, o que para muitos pode parecer simples e natural, como entregar na casa dos clientes o que o restaurante já produz, na realidade é uma operação cara, trabalhosa e de difícil manutenção.
Considerando o fato de que o cliente do Delivery procura por conveniência, rapidez, qualidade e boa relação custo benefício, nesta ordem, é preciso o tempo todo: estar acessível, ser eficiente e rápido na operação e oferecer produto de qualidade por um preço que seja visto como justo.
Quando falo em manter-se acessível, me refiro a divulgar o estabelecimento e ter meios para atender os clientes que o procurarem. Quando falo em rapidez, me refiro a ter entregadores, equipamentos e gestão disso de forma adequada à escala pretendida. Quando falo em qualidade, me refiro a ter o produto similar ao que o cliente tem como referência no próprio restaurante e melhor do que o produto dos concorrentes, independentemente do processo de entrega. Quando falo em preço justo, me refiro a ter o melhor preço que o estabelecimento possa praticar sem que seja questionável pela depreciação que o serviço de entrega costuma gerar na experiência do cliente.
Isso tudo é possível e viável desde que se tenha consciência que o Delivery é uma operação que exige conhecimento técnico, Know How e tecnologia para ser efetivamente relevante e valer o investimento de tempo e de recursos financeiros que demanda.
É preciso saber como divulgar em uma época onde o acesso aos clientes por ações que não sejam de mídia estão cada vez mais difíceis e o tempo dos flyers e panfletos está chegando ao fim;
É preciso ter um canal de acesso para os clientes sendo que nos dia de hoje é praticamente obrigatório estar acessível pela internet e pelos aplicativos de telefones celulares;
É preciso ter profissionais específicos e treinados para o atendimento, organização e despacho de pedidos;
É preciso ter produtos próprios para entrega e suas respectivas embalagens;
É preciso ter entregadores e conhecimento das exigências legais e técnicas para prestar o serviço;
É preciso, apesar de todos os pontos mencionados acima e outros, poder praticar um preço competitivo e criar promoções de venda;
Nos últimos 20 anos, tive a oportunidade de acompanhar o mercado delivery de perto e presenciar muitos casos de sucesso e a construção de grandes negócios fundamentados exclusivamente neste segmento. Mas também testemunhei histórias de insucesso de grandes “players” que se aventuraram a entrar no segmento de entrega sem conhecer o negócio e que em decorrência disso o trataram de forma simplista.
Na maior parte das vezes, as diferenças entre os casos de sucesso e os de insucesso foram: a consciência de que o Delivery não é uma operação simples e a procura de conhecimento, aprendizado e soluções sobre a gestão e a operação do negócio.
Pense nisso.

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Sócio Diretor da ZAK Business Development Graduado em Direito, com Pós Graduação em Marketing e Gastronomia, atua no segmento de Food Service desde 1989, exercendo funções de Gerência e Direção nas áreas de Operações e Marketing. Gerente Geral da Pizza Hut para o mercado de São Paulo até novembro de 2010.

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