2007: o ano da “boca no trombone”

Tenho o prazer de debutar como articulista e correspondente internacional da Revista Foodservice para procurar, desde os Estados Unidos, contribuir com o crescimento e fortalecimento do mercado Foodservice, trazendo para você, leitor, fatos e versões da comunidade internacional, bem como suas perspectivas, oportunidades e relação com toda a cadeia de valor da alimentação.

No Brasil, muito se compara a performance do Foodservice com os números norte-americanos. E, ao notarmos a incrível, porém estimulante, defasagem de 0 anos medida principalmente pelo “food dollar” (percentual do orçamento doméstico de alimentação gasto fora do lar), empregos diretos e participação no PIB, as esperanças de mais um bom ano se renovam e, com elas, os produtos e as estratégias das empresas para acessar convenientemente este mercado grande e atomizado.

Por outro lado, o empresário brasileiro continua se perguntando: qual é a real elasticidade desta demanda? Posso confiar nas poucas e inconsistentes estatísticas disponíveis? Como vencer o desafio da distribuição e “terceirizar” o relacionamento com o operador? Será que o poder de compra da classe média vai, finalmente, apresentar uma sensível recuperação para que eu possa “desengavetar” aquele produto ou serviço vencedor?

Eis uma síntese do cenário paradoxal vivido pelo empreendedor que, a bem da verdade, não é muito diferente da realidade da grande maioria dos setores da economia brasileira: não se vende mais porque o governo não deixa, ou o governo não deixa porque não faz a menor idéia no que ele representa? Talvez precisemos nos organizar melhor, provocar uma maior mobilização e fazer valer, “via lobby”, os quase 6 milhões de empregos/votos representados pelos operadores brasileiros.

É exatamente isso que a iniciativa privada francesa tem feito de dois em dois anos em Paris, durante a realização do SIAL. Apesar de ser um evento global também dedicado ao “retail”, na última edição realizada em outubro foi notável o esforço e a visibilidade dados ao foodservice para retomar o crescimento do setor que tem sido pífio nos últimos anos (apenas 2.1% de 2004 para 2005 ).

Diversas autoridades e personalidades com presença anunciada diariamente no jornal da Feira puderam conferir eventos paralelos que didaticamente oxigenaram as razões pelas quais a gastronomia francesa, servindo como ícone de toda a cadeia produtiva, impulsiona a economia através de si e de setores siameses, como o do turismo.

Enfim, nem os números intergaláticos dos Estados Unidos, nem a cultura e recessão gastronômicas da França. A realidade do foodservice brasileiro, movida pelo tamanho do mercado interno e truncada pela idiossincrasia da sociedade civil, pela lambança na “Ilha da Fantasia” (Brasília) e pelo “custo Brasil”, requer a codificação de uma estratégia própria que aproveite os bons exemplos das terras do Atlântico Norte.

2007 é o ano da “boca no trombone”! Somemo-nos e façamo-nos valer, organizadamente, da real beleza brasileira que, no foodservice, é representada pela constante e crescente inserção das nossas mulheres no mercado de trabalho.•

Marcelo Santos Neto

Artigo anteriorFotógrafos do Foodservice
Próximo artigoPortas abertas para a indústria cervejeira
A redação da Food Service News através deste canal, pauta assuntos de cunho financeiro e informativo, nossas matérias abordam novidades do mercado, tendências, dicas e oferecem entrevistas exclusivas. Além disso, a revista está sempre inovando e antecipando tendências, trazendo um conteúdo indispensável para quem deseja investir e saber mais sobre o segmento.

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA